Parafraseando sucesso de Roberto Carlos "É Preciso Saber Viver", eis-me aqui nestas mal traçadas linhas para enveredar pelos caminhos da derrota do Brasil. Na verdade, aqui estou para fazer coro às palavras da colunista Camila Furtado, dona do site ? "tudo sobre minha mãe". Ela que é mãe de duas crianças, mora na Alemanha, falou com propriedade o que este momento mágico, não ouso dizer trágico, da seleção brasileira pode nos inspirar. Diz ela que agora é importante dar o exemplo para as crianças. É importante saber perder.
Ela lembra que nossos filhos, nossos netos, nossos pequenos torcedores estão olhando para nós "e tentando aprender como agir diante da derrota. O que a gente faz quando perde? A gente ri? Se revolta? Chora? Inconscientemente, a pergunta que está na cabeça deles agora - e que nós estamos respondendo com nossas ações - é: Mãe, como a gente se comporta quando perde?". De fato. Se é certo como diz a letra da música... "Toda pedra do caminho/ Você deve retirar/ Numa flor que tem espinhos/ Você pode se arranhar/ Se o bem e o mal existem/ Você pode escolher/ É preciso saber viver" também é certo que nós, os pais; nós, adultos, jamais poderemos retirar os espinhos e evitar que os pequenos se arranhem. E, sem dúvida, o exemplo é tudo.
Saber perder com maestria não é fácil. Chutar o balde é fácil, achar culpados também. Como o agente de Neymar que, numa infelicidade no Twitter, chamou Felipão de "velho babaca, arrogante, asqueroso, prepotente e ridículo". Esse, sem dúvida, para mim, não é um bom exemplo. Respeito é bom. O menino Neymar, no entanto, mostra que é legal não ficar ao lado dos amigos só nos bons momentos. Mas nos difíceis também... como no pacto do casamento, no "na alegria e na tristeza, no amor e na dor".
O difícil é assumir o erro. E mais difícil aprender com ele. Por isso concordo com Camila Furtado e faço as palavras dela, de público, minhas: "Não podemos desperdiçar essa oportunidade de ensinar aos nossos filhos que na vida é muito importante saber perder. A derrota faz parte do currículo de qualquer vencedor. Fortalece, ensina, abre novos caminhos. Quem não consegue ver isso dificilmente será um vencedor na vida". Pense nisso.
A autora é jornalista, repórter do JC, especializada em comunicação para veículos dirigidos à Classe C