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Malavolta Jr. |
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Falta de médicos e crise nas UPAs: prefeito marcar reunião de emergência |
A situação delicada pela qual as Unidades de Pronto Atendimento (UPA) passam em Bauru nos últimos meses chegou ao patamar do insustentável neste final de semana. E ontem pela manhã. Se antes uma ou duas unidades chegavam a ficar sem médicos durante parte do fim de semana, desta vez foram três as UPAs sem atendimento médico.
Acuado por parte dos profissionais, que querem aumento no valor pago pelo plantão de 12 horas, o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) viu-se obrigado a convocar reunião emergencial para a manhã de hoje no Palácio das Cerejeiras. Além do chefe do Executivo, estarão no encontro os secretários Fernando Monti (Saúde), Richard Vendramini (Administração) e Marcos Garcia (Finanças).
De acordo com Rodrigo, o intuito é encontrar uma saída para o problema da falta de médicos nos plantões de final de semana e feriado. “A situação tem sido ruim há algum tempo e se agravou neste último mês. O Pronto-Socorro Central em nenhum momento ficou desguarnecido, mas em vários finais de semana não conseguimos preencher as escalas na UPAs”, salienta.
Para o prefeito, a pressão de parte dos médicos neste momento é inadequada. “Não estamos em época de data-base (dissídio), e isso está comprometendo o atendimento. Nesta reunião de amanhã (hoje), vamos tentar chegar a uma solução que esteja dentro do orçamento da prefeitura, não estamos com dinheiro sobrando. A intenção é que haja um projeto contemplando todos os profissionais da urgência e emergência, não apenas os médicos, e em seguida queremos enviar isso à Câmara”, frisa. O valor do plantão de 12 horas para um médico em Bauru atualmente é de R$ 1.450,00, dentro dos padrões de mercado, segundo a Secretaria de Saúde.
Outros projetos
Em tramitação na Câmara Municipal, um projeto de lei de autoria do Executivo é visto como alternativa para reduzir o déficit de profissionais aos finais de semana. O projeto prevê que médicos das esferas estaduais e federais possam fazer plantões no sistema de urgência e emergência de Bauru (PSC, Pronto-Atendimento Infantil, UPAs e Samu). Os médicos brasileiros do Programa ‘Mais Médicos’ poderão aderir aos plantões extras neste casos – são cinco atualmente em Bauru, através do Provab.
Apenas os estrangeiros do ‘Mais Médicos’, por conta da lei federal que rege o programa, não poderão atuar na urgência e emergência se aprovado o projeto de lei. A cidade conta hoje com 12 cubanos na rede básica municipal através do Mais Médicos. “Em uma situação de defasagem como a nossa, uma lei como essa ajudaria. Os brasileiros do Mais Médicos, por exemplo, já poderiam fazer plantões aos finais de semana e reduzir a demandar”, analisa.
Outro projeto que o prefeito estuda e pode enviar à Câmara é o que cria a carreira de médico socorrista em Bauru – o tema estará em pauta na reunião com os secretários hoje. A ideia foi sugerida pelo vereador Raul Gonçalves Paula (PV), mas apenas o Executivo pode apresentar o projeto por demandar despesa ao erário municipal. “Um médico ganharia R$ 3 mil por 24 horas semanais de plantão, ou seja, duas jornadas. Isso seria R$ 12 mil por mês, atuando apenas na urgência e emergência. E esse profissional precisaria ter três cursos, um capacitando no atendimento cardiológico, outro no traumatológico e um terceiro na pediatria”, explica Raul.
O parlamentar completa ainda que a criação da carreira pode ajudar a sanar o déficit atual de médicos na rede municipal. São 107 profissionais, e precisa de 176. A escala de plantão seria 12 x 36 horas, se faz isso numa escala corrida, sabe que terá um domingo trabalhando e outro livre. Isso ajuda a organizar a vida pessoal, quando se estará trabalhando e de folga”, menciona.
Demora no atendimento
Ontem à tarde, apenas o Pronto-Socorro Central (PSC) e a UPA do Bela Vista atendiam à população. Nas unidades do Mary Dota, Geisel/Redentor e Ipiranga já se sabia desde sábado que não haveria médicos no domingo – tanto que o movimento era próximo à zero ontem – ninguém estava na UPA Ipiranga quando a reportagem esteve lá.
Já no PSC e no UPA do Bela Vista, obrigados a absorver toda a demanda da cidade, a espera irritou alguns morador. E quando a equipe do JC passou pela unidade do Jardim Bela Vista, vários pacientes começaram a ser chamados para atendimento na parte interna, esvaziando a recepção da UPA, o que revoltou quem esperava desde o começo da tarde por atendimento – o fato ocorreu por volta das 15h30.
“Chamaram poucas pessoas desde a hora que eu cheguei aqui, era meio-dia. Foi só vocês da imprensa chegarem que chamaram um monte de gente lá para dentro, antes vinha, pegava uma ficha e chamava, é uma falta de educação isso. Os médicos não estão chamando, eu estou com a minha sogra que caiu em um bueiro destampado no Jadim TV, ela machucou a perna, está com dor e até agora não conseguiu passar pelo médico”, desabafou o autônomo Gabriel Jerônimo Sabino. O diretor do Departamento de Urgência e Emergência da Secretaria Municipal de Saúde, Luiz Antonio Sabbag, disse desconhecer o fato. “Não estou sabendo. O que eu falar para você agora vou estar falando sem embasamento, amanhã (hoje) vou checar exatamente o que ocorreu lá”, pontuou.