09 de julho de 2026
Internacional

Ao lado de Putin, Dilma condena 'escalada de conflitos' no planeta

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Ueslei Marcelino/Reuters

Após encontro de cerca de 90 minutos com Putin, Dilma também elogiou a condução da Rússia na resolução de tensões na Síria

Ao lado do presidente da Rússia, Vladimir Putin, a presidente Dilma Rousseff condenou nesta segunda-feira (14) a "escalada de conflitos em várias partes do planeta". Após encontro de cerca de 90 minutos com o líder russo, ela fez elogios, contudo, à condução daquele país na resolução de tensões na Síria.

A fala de Dilma ocorre um dia depois de Putin e da chanceler alemã, Angela Merkel, tratarem da situação na Ucrânia no Rio de Janeiro, pouco antes da final da Copa do Mundo, no último domingo (13). Também ontem foram registrados confrontos entre tropas oficiais ucranianas e separatistas pró-russos. Os eventos fizeram com que o presidente ucraniano Petro Poroshenko cancelasse a viagem relâmpago ao Rio de Janeiro, também para o encerramento do Mundial.

Em sua fala, entretanto, Dilma não foi contundente. Não citou a quais "várias partes do planeta" se referia e tratou brevemente sobre conflitos internacionais.

"Além disso, nós consideramos a escalada de conflitos em várias partes do planeta ameaça a estabilidade mundial e obriga as organizações multilaterais a serem cada vez mais eficientes. Nessa ordem multipolar é necessário adotar como prioridade solução consensual e pacífica de conflitos", disse Dilma em fala à imprensa.

"Cumprimentamos as posições russas com relação à questão da Síria, em especial do Oriente Médio", disse.

BRICS

Dilma agradeceu o presidente russo por apoiar resolução encaminhada na Assembleia Geral da ONU sobre direito à privacidade na era digital.

"Nessa conjuntura e nesse mundo muito complexo, nós brasileiros vemos o seu país, presidente Putin, como geopoliticamente integrando também o sul do mundo. Nessa presença da Rússia nos Brics, vemos que esse sul, que reivindica sua identidade, se encontrará amanhã e depois aqui no Brasil, aspiram um mundo de paz, desenvolvimento e justiça social", disse a presidente.

Putin exaltou os "esforços organizativos e financeiros" do Brasil para a realização da Copa do Mundo. "Sabemos do alto nível que foi a realização do Mundial de futebol", disse Putin, que sinalizou também com intenção de auxiliar a organização dos Jogos Olímpicos de 2016 e receber, em troca, ajuda brasileira na preparação da Copa de 2018.

A presidente citou a preparação dos Jogos de Inverno de Sochi, na Rússia, no início do ano, diante da necessidade de cooperação entre os dois países na organização dos eventos.

ACORDOS

Os dois países assinaram no total sete acordos bilaterais. O principal deles trata de uma intenção de elevar o patamar comercial entre os dois países a US$ 10 bilhões, com ações específicas para promoção do comércio e de investimentos nos setores de agronegócio, energia, inovação, tecnologia, aeronáutica, indústria farmacêutica e turismo.

Além disso, foi firmado memorando de entendimento entre os ministérios de Minas e Energia dos dois países para produção e exploração de hidrocarbonetos de petróleo e gás natural, além de projetos de infraestrutura que envolvem transporte, estocagem, processamento, escoamento de gás e produção de bioenergia e hidroeletricidade.

Os dois países também estabeleceram parceria na área de defesa aérea, de forma que o Brasil possa participar de exercícios de forças armadas da Rússia com uso de um sistema chamado Pantsir-S1, uma vez que o governo brasileiro está interessado em adquiri-lo em "breve prazo".

Também foi firmado acordo para que instituições russas e o Instituto Butantan possam cooperar na elaboração de vacinas contra doenças, a exemplo da difteria, tétano, coqueluche e meningite.

Durante o evento, Dilma mencionou a elaboração de um acordo envolvendo entidades privadas, como a Rosatom e a Camargo Correia, para criação de uma unidade de armazenamento de combustível nuclear. Esse documento não foi assinado durante a solenidade, mas, de acordo com o Planalto, segue em fase de tratativas entre as empresas.

Também foi citado ainda um estudo para a venda do gás explorado no rio Solimões por empresas russas com uma possível participação da Petrobras no acordo. Dilma não entrou em detalhes, no entanto.