09 de julho de 2026
Política

IPMet ajudará a formar profissionais

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 5 min

João Rosan

Edson Sardella é diretor do Instituto de Pesquisas Meteorológicas

A Unidade de pesquisa e monitoramento meteorológico de Bauru e região, o Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) está a um passo de sofrer uma transformação histórica. Em reunião realizada, na última semana, em São Paulo, o Conselho Universitário (mais conhecido como CO) da Unesp – formado pela reitoria, pró reitoria, diretorias das faculdades, unidades sindicais e movimento estudantil - decidiu, por votação, transformar o instituto em centro.

Na prática, o que antes era uma instituição independente (chamada de unidade complementar da Unesp), passa agora a ser um complexo (unidade auxiliar da Unesp) ligado diretamente à Faculdade de Ciência (FC).

Em sua nova configuração, o IPMet, além de oferecer prestação de serviços à população relacionados à meterologia e funcionar como um órgão de pesquisa, será uma espécie de laboratório do curso de graduação em meteorologia da FC da Unesp.

Apesar de beneficiar a abertura de uma nova graduação em Bauru, o fato, conforme admite a própria diretoria do IPMet, acarreta certa perda de “status” para a unidade, já que o centro não será mais vinculado diretamente à reitoria da Universidade, ficando subordinado administrativamente e financeiramente à FC.

A nova designação, contudo, terá mantida a sigla do nome fantasia IPMet, que deverá será traduzida como Centro de Meteorologia de Bauru. A mudança deve ser publicada em Diário Oficial nos próximos dias.

A Unesp ressalta o caráter positivo da transformação e afirma que a mudança não terá, como consequência, a diminuição de recursos ou demissões.

Bônus e ônus

O Centro de Meteorologia de Bauru, na verdade, já era projetado há algum tempo, conforme explica o diretor da unidade, Edson Sardella, que também é professor da FC.

“Estávamos esperando que isso fosse acontecer. Essa transformação possibilita a abertura do novo curso. No início de 2013, ingressaram duas turmas de meteorologia na FC, mas para possibilitar a instalação do departamento de ensino essa alteração era necessária”, diz Sardella.

Com a nova configuração, aliás, o cargo de diretor do IPMet deve ser extinto e Sardella deverá assumir o posto como supervisor do centro, conforme aponta o vice-diretor da FC, Paulo Noronha Lisboa, que participou do encontro em São Paulo, na última quinta-feira.

“A mudança faz parte de uma reformulação que ocorre em toda a Unesp. Assim como aconteceu com o IPMet, deve ocorrer também com a TV Unesp em breve. Mas é um processo em que não existe perdas. Aliás, a cidade terá ganhos, pois haverá muito mais pesquisa em meteorologia com o curso”, defende Lisboa.

Antes da mudança, o IPMet era um instituto autônomo voltado ao uso de pesquisadores e da pós-graduação da Unesp.

A transformação, mesmo tendo viés positivo, no entanto, parece reforçar um processo histórico de perdas que a unidade vinha sofrendo.  Ao longo dos anos houve a diminuição do quadro de pesquisadores do instituto, o que reduziu, consequentemente, os investimentos em pesquisas no local.

Para se ter ideia, em tempos áureos o IPMet chegou a ter mais de dez pesquisadores de carreira da Unesp atuando na unidade.

Entre aposentadorias e saídas, não houve reposições e, hoje, o instituto abriga apenas um pesquisador de carreira, que é responsável por estudos ligados à climatologia, conforme o JC apurou.

“Um instituto é formado por pesquisadores e, com as saídas, ficou dificil se justificar como tal ”, admite Sardella.

“Mas a ideia é que com a chegada dos docentes e discentes as pesquisas sejam retomadas com força e a unidade volte a ser importante como foi no passado. A perda, na verdade, será apenas do status”, minimiza Sardella.

Sobre o suposto processo de degradação dos cargos de carreira dentro da universidade, o vice-diretor da FC é enfático: “O pesquisador de carreira não está sendo extinto. O fato é que a Unesp decidiu repor essas contratações com docentes, até para possibilitar a abertura da graduação”, defende Lisboa.

Adaptações

Por enquanto, as duas turmas do curso de meteorologia da Unesp utilizam apenas uma sala de estudos e uma biblioteca no prédio do IPMet, mas a ideia é que laboratórios de pesquisa e extensão sejam construídos no local, que, futuramente, deve abrigar o departamento do curso de meteorologia.

Enquanto isso não ocorre, o departamento de física da FC é responsável pelo curso.

O trânsito dos alunos na unidade será regulado de acordo com as atividades, explica Sardella.

“Para ter acesso aos equipamentos e, principalemnte, aos radares, o aluno terá que receber um grande aval nosso”, frisa o diretor do IPMet, referindo-se ao radar Banda S, adquirido há alguns anos pela instituição e que possui valor estimado em R$ 6 milhões de dólares.

Já as aulas continuarão ocorrendo nas dependências da FC e a ideia é que o centro seja frequentado apenas em algumas ocasiões, como um laboratório mesmo.

O que não inclui, por exemplo, o acesso direto do aluno à área operacional do IPMet, onde ficam os meterologistas e técnicos, responsáveis por atualizar as previsões e informá-las à população.

Vale lembrar que o IPMet, atualmente, tem funcionado em esquema de plantão, por conta da greve da Unesp iniciada no mês passado.


IPMet na história

O IPMet nasceu em 1969, quando a antiga Fundação Educacional implantou seu instituto de pesquisas, cuja área escolhida para tal estudo foi a meteorologia. Em meados de 1972 essa unidade passou a ser denominada Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet). Na ocasião, o instituto contava, a princípio, com um aparelho de recepção de imagens de satélite meteorológico. Nessa fase, os trabalhos e projetos eram desenvolvidos por professores da instituição, alunos, pesquisadores e professores visitantes.

Em 1974, teve instalado o seu primeiro radar meteorológico banda C com câmera, o que tornou a instituição pioneira no país. No ano de 1992, esse radar foi substituído pelo por um equipamento mais moderno, modelo banda S, que permitia a previsão do tempo 24 horas por dia.

O instituto seguiu atualizando seus softwares e treinando seus funcionários, até que, em 2005, através de uma cooperação com o National Center for Atmospheric Research (NCAR), foi disponibilizado um sistema de software especializado para o tratamento e aplicações das informações de radares meteorológicos, denominado “Titan” (Thunderstorm Identification, Tracking, Analysis and Nowcasting), que consegue prever um desastre natural com até duas horas de antecedência e emitir o alerta à Defesa Civil do município.

No ano passado, já com a equipe de pesquisadores reduzida, o IPMet assinou um acordo com o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), órgão federal criado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

As duas instituições têm trocado informações detectadas por radares, o que aumenta as chances de acerto nas previsões e as identificações de desastres naturais.