11 de julho de 2026
Polícia

Dois furtos de cabos são registrados por dia na polícia

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Bauru e região registraram ao menos 483 furtos de fios e cabos de telefonia apenas no primeiro semestre deste ano. Os números referem-se apenas às ocorrências que lesaram uma das empresas operadoras do serviço, a Telefônica/Vivo, a maior vítima deste tipo de crime, segundo a Polícia Civil.

Malavolta Jr

Ladrões visam cobre, bastante valorizado no mercado clandestino

Em média, a companhia presta queixa por duas ocorrências desta natureza a cada dia em Bauru. Mas os furtos, em algumas ocasiões, foram praticados nas regiões de Jaú e Botucatu. Somente em Bauru, a concessionária contabiliza o furto de 46,6 quilômetros em 2014, o que, para se ter uma ideia, daria para ligar a cidade até Jaú.

A real dimensão do prejuízo, no entanto, não pode ser mensurada, já que os furtos de cabos e fios também lesam as demais companhias de telecomunicações, bem como concessionárias de energia elétrica e o DAE, já que os poços de visita (PVs) da autarquia também contam com fiação.

Para a Telefônica/Vivo, no entanto, o problema adquiriu proporções tamanhas que representantes estiveram reunidos, recentemente, com o titular da Delegacia Seccional de Bauru, Ricardo Martines, para discutir estratégias.

“A primeira medida adotada pela empresa foi instalar sistemas de alarme nas redes, nos bairros considerados mais críticos, para que a Polícia Militar possa ser acionada no momento em que o crime está ocorrendo. E a Polícia Civil segue intensificando suas fiscalizações”, revela o delegado.

Por meio de nota, a operadora informou que, desde abril deste ano, vem repondo os cabos de cobre furtados  em Bauru, por outro do tipo, bimetálico, que não possui valor comercial. Além disso, a empresa  adota  outras medidas de prevenção, entre elas a colocação de travas nos chassis de caixas subterrâneas e  alternativas de rota para as redes.  

Segurança

Tanto a Polícia Civil quanto a Militar entendem que a forma mais eficaz de combater este tipo de crime é as empresas reforçarem seus dispositivos de segurança, já que, depois que o crime ocorre, as chances de localizar o produto furtado são bastante pequenas. E, mesmo quando os ladrões ou receptadores são identificados, dificilmente os responsáveis permanecem presos.

“Se não houver comprovação de associação criminosa, eles acabam respondendo a inquérito em liberdade e talvez nem cheguem a cumprir pena presos, porque a legislação é branda”, reclama Martines.

O cabeamento é um produto muito visado porque possui em sua constituição fios de cobre, mercadoria bastante valorizada no mercado clandestino. Segundo o JC apurou, cada quilo de cobre pode ser vendido a ferros-velhos por preço mínimo de R$ 10,00.

De acordo com a Polícia Civil, os furtos de maior vulto são registrados na zona rural, onde atuam criminosos com nível mais elevado de organização. Já na área urbana, prevalecem os furtos de pequenas quantidades de fios, geralmente praticados por usuários de drogas que utilizam o dinheiro obtido para sustentar o vício.


Política estadual

Em fevereiro deste ano, entrou em vigor a Política Estadual de Prevenção e Combate ao Furto e Roubo de Cabos e Fios Metálicos, promulgada pelo governador Geraldo Alckmin em outubro do ano passado. O principal objetivo da nova lei é coibir o comércio ilegal desse tipo de material, a partir da exigência de cadastramento das empresas de ferro-velho, que serão obrigadas a comprovar a origem dos produtos adquiridos.

Se a nova política for efetivamente aplicada, a esperança é de que seja capaz de coibir a receptação de peças metálicas furtadas. Ao mirar a fiscalização na ponta final da cadeia, a ideia é inibir a demanda por produtos clandestinos e, por consequência, a retirada criminosa de fios pertencentes às empresas concessionárias.


Destino final do cobre são indústrias ‘de fora’

As polícias Civil e Militar de Bauru revelam que a incidência de furtos de fios e cabos continua alta porque a demanda por este tipo de produto é alta. E as indústrias que utilizam cobre como matéria prima seriam o destino final de toda a cadeia.

“Não são empresas daqui de Bauru. Mas sabemos que há caminhões que passam pelos bairros e vão recolhendo este material”, comenta o delegado seccional, Ricardo Martines.

Na tentativa de driblar as fiscalizações, muitos dos ferros-velhos estariam armazenando os fios de cobre em outros endereços, conforme revela o tenente-coronel Flávio Jun Kitazume, comandante do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPM-I). “Muitas vezes, o material é levado até mesmo para imóveis de pessoas conhecidas destes proprietários e só retorna aos ferros-velhos quando estes caminhões vão fazer a coleta”, conta.