08 de julho de 2026
Internacional

6ª Cúpula do Brics tem segundo dia de reuniões


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Com a presença de 16 chefes de Estado, a 6ª Reunião de Cúpula do Brics – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – começa o segundo dia de reuniões, no Palácio Itamaraty, em Brasília. Participam das discussões 11 presidentes da América do Sul. Ontem (15), os líderes do Brics anunciaram, em Fortaleza, a criação do Banco de Desenvolvimento do Brics e do fundo de reservas para o bloco.

 

Marcelo Camargo/ Agência Brasil

Vladimir Putin, o novo premiê indiano, Narendra Modi, Dilma Rousseff, Xi Jinping, da China, e Jacob Zuma 

Os chefes de Estado chegaram ao Palácio Itamaraty, pela entrada privativa, sem acesso aos jornalistas. Às 12h15, a foto oficial foi tirada nos jardins do 3º andar do palácio, e os líderes dos 16 países seguiram para a Sala Portinari, onde ocorrerão os debates. Os jornalistas têm acesso às palavras dos presidentes por televisores nas áreas reservadas à imprensa dentro do edifício. Às 13h30, a presidenta Dilma Rousseff oferecerá um almoço em homenagem aos chefes de Estado no próprio Itamaraty.

 

À noite, com o fim da 6ª Reunião de Cúpula do Brics, a presidenta Dilma oferecerá um coquetel no Itamaraty aos chefes de Estado e de Governo da América do Sul, do quarteto da Comunidade dos Estados Latinoamericanos e Caribenhos (Celac) e da China, que se reunirão amanhã (17) no Itamaraty.

 

O principal avanço do sexto encontro de líderes do bloco foi a criação do Banco de Desenvolvimento do Brics com um capital inicial de US$ 100 bilhões. Os cinco países se comprometeram a reunir, no primeiro momento, um total de US$ 50 bilhões. O dinheiro será usado para financiar projetos dos países-membros.

 

Mesmo com a saída financeira que vai garantir o andamento de prioridades do bloco, os países do Brics não deixaram de priorizar, na capital cearense, a reivindicação pela reforma do Fundo Monetário Internacional (FMI), para contemplar mais claramente os efeitos das economias emergentes.

 

Antes de chegar a Brasília, os líderes dos Brics também reiteraram a defesa pela reforma no Conselho de Segurança da ONU, garantindo a participação do Brasil, da Índia e da África do Sul nas decisões internacionais.

 

Hoje mais cedo, a presidenta Dilma e o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, assinaram três acordos nas áreas de meio ambiente, processamento de dados de satélite e troca de informações sobre cidadãos.

 

Banco do Brics cria 'rede de proteção' aos cinco países do bloco, diz Dilma

 

Marcelo Camargo/ Agência Brasil

Dilma Roussef afirma que Brasil não "cedeu" a presidência do Banco aos indianos: “o Brasil não cedeu porque não tinha, não era dono”.

A presidenta Dilma Rousseff classificou nesta quarta-feira (16) como "completamente satisfatória" a criação do banco do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), formalizado ontem (15), em Fortaleza, no Ceará,  durante a sexta reunião de cúpula do bloco e que ela não significa que esses países deixarão de participar de outras instituições multilaterais, como o G20, por exemplo. Dilma negou ainda que o Brasil tenha “cedido” presidência do novo banco aos indianos: “o Brasil não cedeu porque não tinha, não era dono”, disse.

 

Segundo a presidenta, o banco do Brics cria uma rede de proteção para os cinco países e muda as condições de financiamento dos integrantes do bloco. “Um dos pontos da pauta de ontem foi o problema da reforma acertada no G20, das instituições financeiras multilaterais, como o FMI, por exemplo. Porque, na distribuição de cotas do FMI, não está refletido o poder, a correlação de forças econômicas dos países que integram o G20, que são as 20 maiores economias do mundo”, frisou Dilma.

 

Logo após assinar acordos bilaterais com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, Dilma voltou a defender mudanças no FMI. “Não temos o menor interesse em abrir mão do fundo monetário. Pelo contrário: temos interesse em democratizá-lo e torná-lo mais representativo. O novo banco dos Brics não é contra, ele é a favor de nós. É diferente. É uma postura completamente diferente. E terá sempre uma postura diferenciada em relação aos países em desenvolvimento”, acrescentou a presidenta.

 

A presidenta comentou as críticas de que o Brasil teria “cedido” a presidência do banco. "Se a gente tivesse ficado com a primeira vice-presidência, a imprensa estaria dizendo 'O Brasil perdeu a sede'. O que se trata é de um banco gerido por um conselho de administração - que o Brasil preside; por um conselho de ministros - que a Rússia preside; por um presidente - que é da Índia e tem o primeiro banco localizado lá na China".

 

Ela acrescentou que o banco terá escritório na Ásia e na África e depois na América Latina. “Isso significará uma forma de gerir o banco que vai ser a mesma forma que os Brics têm. Então, é absolutamente, eu diria assim, inadequado, avaliar o resultado dessa cúpula assim. Cada país tem o seu papel e vai tendo em várias outras esferas, sistematicamente”.