Mais um episódio envolvendo queimadas sequenciais na cidade mobilizou o Corpo de Bombeiros na tarde de ontem. Ao menos dez ocorrências foram registradas em um período de menos de três horas, em pontos variados da cidade. O maior deles foi registrado por volta das 16h em um terreno na região da Vila Aviação, nas proximidades do viaduto de cruzamento das rodovias Marechal Rondon (SP-300) e Comandante João Ribeiro de Barros (SP-225).
Esse fato, inclusive, fez com que a corporação revezasse o combate ao incêndio, que era para ser atendido pela base do Distrito Industrial, com equipes da base dos bombeiros da Vila Falcão, que fica praticamente na outra ponta da cidade.
Na mesma hora, a umidade do ar chegava a 40% no município, o que auxiliava ainda mais a propagação do fogo.
Lixo
Pela quantidade de lixo, entulhos e de restos de podas existentes no trecho – que fica no final da rua Flaviano Manfio Cardarelli -, aventou-se, no local, que a provável causa do incêndio tenha decorrido da ação de pessoas tentando se desfazer de materiais indesejados.
“Quase toda semana isso acontece. Com certeza, foi alguém que passou por aqui e ateou fogo nesses materiais”, deduz o sargento dos bombeiros Vanderlei Ponce de Lima.
O incêndio em questão demandou quase quatro horas de trabalho para ser apagado e atingiu uma área verde de aproximadamente 10 mil metros quadrados.
O Corpo de Bombeiros não soube informar, contudo, se o trecho corresponde a uma área de proteção ambiental.
Por conta do terreno acidentado e da mata fechada, o caminhão autobomba não pôde ser utilizado e as equipes tiveram que conter as chamas usando bombas de água nas costas e os chamado “vassourão” (abafador).
Por horas, a fumaça que vinha do local atrapalhava a visibilidade dos motoristas que trafegavam pela rodovia Marechal Rondon.
No horto
Na mesma hora em que atendia o incêndio na região da Vila Aviação, parte da equipe teve que se deslocar para outra ocorrência. Enquanto isso, outro incêndio devastava uma área de aproximadamente 3 quilômetros de pasto no Horto Aimorés, preocupando duas famílias.
O fogo, segundo os moradores, teve início na beira de uma estrada de terra de acesso ao local, por meio da SP-225 e, chegou a menos de cinco metros das residências.
“Esses dias, colocaram fogo em uma reserva aqui perto, agora, aqui. Estamos com medo. Só não atingiu nossa casa desta vez porque o acero que fizemos é grande”, reclama a assentada Maria Eunice Coutinho.
Crime
Provocar queimada é crime previsto pela Lei Municipal 4.362/99. Quem for pego em flagrante está sujeito à multa e até mesmo prisão, conforme a gravidade, de acordo com o código penal.
Ainda que um incêndio não atinja uma região de mata nativa ou mesmo um terreno com mato, o responsável pelo início das chamas pode ser autuado. Se alguém atear fogo em pneus ou na própria residência, por exemplo, poderá ser punido pela quantidade de fumaça gerada, mesmo que não cause risco de atingir bens, como outros imóveis.
O Código Penal prevê que moradores do entorno podem recorrer à Polícia Militar (PM) e representar contra quem incendiou objetos. Neste caso, o acusado responderá por contravenção penal, cuja punição poderá ser convertida em prestação de serviços à comunidade, além de multa que será estipulada pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb).
Serviço
As denúncias podem ser feitas na Secretaria Municipal de Meio Ambiente, de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h, ou pelo telefone (14) 3234-6849. Na Polícia Ambiental, as reclamações são recebidas 24 horas por dia pelo (14) 3203-2700.