10 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Meu amigo Toninho Meira foi embora...


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Eu nem sabia do infausto. Estava eu em violento surto, trancado no poço de Usher há três dias. No domingo, às seis da tarde, foi um choque, Egas Willian Berbet, primo dele, me telefona dizendo: "Esso, nosso primo Toninho morreu ontem". O impossível detonou em minha cabeça. Sem atender ao telefone e a porta por três dias, fiquei sem saber da passagem do amigo. Resta lembrar: desde os tempos de colégio no Instituto de Educação ele me apoiou. Nunca se importou com o que a cidade falava de mim. Abriu as portas de sua casa, de sua família e de seus amigos para que eu compartilhasse. A Sandra, sua esposa e colega desde o colégio, assinava embaixo. Assim como eu, ele amava as estrelas, os filmes clássicos. Marilyn Monroe é primeira estrela de sua videoteca. Ele era possuidor de alta cultura. Grande desenhista e artista plástico e bon vivant. Ele amava a vida e sempre vinha me buscar para os natais. Para os natais, tirava-me da toca para festas, viagens e eventos. Me mandou buscar em São Paulo para fazer o Caderno de Domingo do jornal, com ele. Era muito amigo de minha mãe. Ela o usava como exemplo de vida para mim. Muito refinado e elegante a ponto de sofrer críticas de minha parte. Ele também criticava o fato de eu ser brega e alienado. A gente até se entendia na disparidade. Ele era conservador e eu afrontava todos os limites sociais. Mesmo assim fomos amigos. Agora partiu e eu nem o vi. Há dez dias, ligou para mim avisando que ia gravar Casanova, de Fellini, para minha coleção. Não deu tempo. Se outra vida existir, ele deve estar de amizade com Marilyn, Marlon Brando, Beth Davis e outras estrelas. Espero que breve eu possa estar lá também.

Esso Maciel - jornalista