10 de julho de 2026
Esportes

Tá valendo! O futebol sob suspeita

Neto del Hoyo
| Tempo de leitura: 2 min

O futebol brasileiro está sob suspeita. Se quando o assunto é tática nos apresentamos ultrapassados, o que dizer de uma confederação que enche o peito para falar de renovação mantendo o mesmo sistema de governo desde sempre?

Ontem, ao anunciar Gilmar Rinaldi como “novo Parreira”, Marin coloca em xeque o futuro da Seleção. Sendo ex-empresário, como ele mesmo se apresentou, Rinaldi já entra gerando suspeitas.

O ex-goleiro chega ao cargo de extrema confiança tendo em seu currículo apenas dois anos de trabalho como dirigente remunerado. Em 1999 virou superintendente do Flamengo, clube que defendeu entre 1991 e 1994. Se tornou depois agente das principais revelações da Gávea: Adriano, Juan e Reinaldo.

Quatro anos mais tarde, em 1998, foi observador da Seleção na Copa da França, com Ricardo Teixeira no comando da CBF. Segundo consta a história mal contada daquele Mundial, foi o ex-goleiro que informou o cartola que Ronaldo Fenômeno havia chegado ao estádio para disputar a final depois de passar por exames. Seu nome não estava entre os titulares na súmula. Rinaldi pediu, e Teixeira convenceu o delegado da partida a colocar o camisa 9 no time titular sem que fosse necessário contar uma substituição. Ronaldo foi a campo e o resto...enfim.

Ainda não foi anunciado o nome do novo técnico da Seleção, mas algumas pistas me deixam preocupado. Danilo e Fábio Santos, clientes de Gilmar Rinaldi, viraram homens de confiança do técnico Tite no Corinthians. Agora, mais do que nunca, o gaúcho é cotado para assumir a Seleção que está sob a batuta de Rinaldi.

Difícil falar em renovação sem pedir novas pessoas, novas ideias. Mais do que nomes, o que se pede é a democratização da CBF.

A Seleção Brasileira, seja quem for o treinador, precisa ser o produto final de um futebol organizado e não apenas máquina de fazer dinheiro para cartolas.

Enquanto pensávamos em Leonardo, Falcão e Zico, o novo coordenador da Seleção é Gilmar Rinaldi, empresário de jogador. Só não surpreende mesmo se pensarmos em quem o escolheu.

Marin gosta dessa história de continuidade. Assumiu o lugar de Teixeira, segue a cartilha de João Havelange e está indo embora para deixar Del Nero como  presidente da CBF. É a extrema unção do futebol brasileiro.