08 de julho de 2026
Articulistas

Educação

Rui Bertoti
| Tempo de leitura: 3 min

"A arte de ensinar é a mais bela e honrada do mundo", Jose Marti, poeta cubano.

Sempre que passamos defronte uma escola, como fala De Amicis no livro Cuore, nos lembramos de nossos professores. A saudosa professora Rosa, do Grupo Lourenço Rodrigues, de Campinas, provavelmente não sabia o quanto eu e centenas de outros alunos lhe éramos agradecidos. Tratar do motivo principal da vida dela chega-me como uma especie de compulsão de agradecimento póstumo que não posso evitar. O filosofo Kant considerava o objetivo da Educação como o de desenvolver em cada indivíduo toda a perfeiçao de que ele venha a ser capaz. Na luta por esse desenvolvimento, acrescida ao fato das inumeráveis mudanças tecnico-científicas que a humanidade sofre, se observa uma variação das práticas educativas. Algumas úteis, outras capazes de provocar comentários hilariantes, como os do psiquiatra americano Eric Berne, que chegou a afirmar - ?Nascemos todos príncipes, mas a Educação nos transforma em sapos?. Na Inglaterra, uma educadora argumentava para o filósofo Bertrand Russell que o melhor sistema educativo era aquele que se desenvolvia espontaneamente numa criança. Ao que Russell apenas retrucou - ?E se essa espontaneidade a levar e enfiar o dedo numa tomada elétrica, o que a senhora recomenda??. Evidentemente não houve resposta. Na consulta dos ítens históricos da Educaçao observa-se que o próprio verbo latino educare tinha outros sentidos.

Ulloa Cintra e Cretella Jr., em seu Dicionário de Latim, comentam que o humorista Plautus usava o termo no sentido de ensinar e instruir. Porém, Cicero usava educare também como amamentar, criar e sustentar, e Ovidio Naso, como gerar. Ampliando a ideia geral de que a Igreja, a Família e a Escola são os principais fatores que criam a Educação, o advogado e sociólogo nascido na França Emile Durkheim completa mais o nosso entendimento quando afirma que - ?A Educação é uma socialização da jovem geração pela geração adulta. Essa afirmação explica o fato citado pelo JC, no dia 26 de junho último, de que os professores perdem 20% de seu tempo no enfrentamento de desorganizações e bagunças que se formam. Tratam-se de fatores críticos com os quais convivemos. Mas mesmo com esse obstáculo, a Educação é necessária. Benjamim Franklin, um dos fundadores dos Estados Unidos, disse certa vez - ?O talento sem a Educação é como a prata ainda encrustrada na mina?.

O poeta português Guerra Junqueiro era mais ríspido - Acotovelai uma cadeira numa escola, que o Professor há de eliminar o carcereiro. Para se tornar educado, algum esforço como o de extrair a prata da mina é necessário. Luis de Camões já dizia nos Lusíadas, estrofe 153 do canto décimo - ?Não se aprende, Senhor, na fantasia, sonhando ou estudando, senão vendo, tentando e pelejando?. Do ponto de vista da Economia, costuma-se relacionar a Educação com as fatias percentuais que ela recebe do Produto Interno Bruto . Já passamos dos 4,7% do PIB de 2000 para os 6,1% de PIBs a posteriori, ainda um pouco longe dos 10% que almejamos. Embora o FMI nos tenha considerado a décima economia mundial, com base no PIB de 2009, se levarmos em conta o PIB per capita, caimos para a posição 75. Afinal, como definir a Educação. O melhor é ficar com Durkheim que diz: ?A Educaçao é a ação exercida pelas gerações adultas sobre as gerações que nao se encontram ainda preparadas para a vida social. Ela tem o objetivo de suscitar e desenvolver na criança certo número de estados físicos, intelectuais e morais, reclamados pela Sociedade Política em seu conjunto, e pelo meio especial a que a criança particularmente se destine. As transformações profundas que as sociedades contemporâneas têm experimentado e estão para experimentar, necessitam de transformações correspondentes nos planos de Educação?. Emile Durkheim, ?Educação e Sociologia?, Editora Melhoramentos.


O autor é médico e colaborador de Opinião