09 de julho de 2026
Cultura

10 anos só de rock and roll

Wagner Teodoro
| Tempo de leitura: 4 min

Divulgação

Lívia Cordeiro, Roberta Telles, Daísa Munhoz e Manu Saggioro: Inlakesh

Um clássico tocando clássicos. Formada há dez anos, a banda Inlakesh já é mais do que referência do rock bauruense, tornou-se um clássico. Hoje, a partir das 23h, no Armazém Bar, as integrantes Manu Saggioro (guitarra), Roberta Telles (baixo), Lívia Cordeiro (bateria) e Daísa Munhoz (vocal) sobem ao palco para tocarem clássicos do rock em celebração da primeira década da banda.

Na apresentação comemorativa, o público pode esperar a linha que marca o trabalho da Inlakesh desde sua fundação, com covers de AC/DC, Led Zeppelin, Janis Joplin, Deep Purple, Schoking Blue, The Cult, Lynyrd Skynyrd, The Doors, Aerosmith e Kiss, entre outros. “Fazemos uma linha bem clássica de rock mesmo”, define Saggioro.

E nada melhor para festejar o aniversário de uma década do que voltar ao local onde a Inlakesh surgiu. “Vai ser especial. Ao longo destes dez anos, a gente tocou bastante no Armazém e já faz um tempo que não toca lá. Neste período longe, a gente colocou música nova no repertório. Vamos fazer também sorteio de brindes. Vai ser uma comemoração mesmo, uma celebração de uma história”, projeta Saggioro.

Na noite de festa, a Inlakesh espera confraternizar com as gerações de fãs que acompanham a banda nesta década de existência. “A cada show sempre tem gente que começa a conhecer o trabalho e isso é muito legal. Mas neste show estamos contando com a presença desses amigos de dez anos, porque temos público muito fiel e lindo”, elogia Saggioro.

A guitarrista ressalta que, ao mesmo tempo que a banda marca uma época da vida do fã, a recíproca é verdadeira em uma identificação mútua. “O fã não passa despercebido. Sempre lembramos que ‘aquela carinha’ estava ali naquele nosso momento. Encontramos fãs de anos atrás que nos tratam com total carinho. É uma coisa de troca”, considera.

Abertura

A banda Four Sticks, de Marília, abre a noite festiva do Inlakesh no Armazém também tocando clássicos do rock. Formada por Marina Stecca no vocal, Samantha Ciuffa na guitarra, Fernando Almeida no contrabaixo e Marília Pilon na bateria, os integrantes da Four Sticks acompanhavam os shows da Inlakesh e saíram do público para serem parceiros de palco.

O Armazém fica na Rua Quintino Bocaiúva, 2-20. Informações: (14) 3226-2016.


Inlakiss

O Inlakesh prepara uma novidade para os fãs dos cabeludos do Kiss com um cover em versão feminina da banda norte-americana. “A gente já está ensaiando e pretende estrear um tributo à banda Kiss em breve. Só tocando Kiss, a gente de cara pintada. Não conheço nenhuma banda só de menina que faz tributo ao Kiss no Brasil”, diz a guitarrista Manu Saggioro.


Inspiração

Bandas formadas só por mulheres deixaram de ser tabu, mas ainda são mais incomuns, além da beleza e talento das integrantes. Mas o grupo já começa a se destacar pelo nome original. E não se trata de nenhum trocadilho ou neologismo. O termo Inlakesh significa “eu sou um outro você” ou “somos faces diferentes um do outro” no idioma maia.


O nascimento

A Inlakesh surgiu de forma até meio despretensiosa, quando integrantes femininas de bandas formadas majoritariamente por homens resolveram tocar juntas. A estreia não poderia ser em uma data melhor, o Dia Internacional do Rock, em 13 de julho de 2004. “Coincidiu de que o Armazém iria fazer a comemoração e nos incluiu entre as bandas que tocariam. Nosso primeiro show foi no Dia Internacional do Rock”, lembra Saggioro.

As integrantes tocavam várias vertentes do rock, passando por heavy metal e psicodélico, do clássico dos anos 70 até mais recente, dos anos 90. Uma vez juntas, a diversidade de estilos contribuiu para o ecletismo da Inlakesh, sempre fiel ao rock and roll. “Não tínhamos uma preocupação com identidade a princípio. Dentro do rock, foi uma miscelânea. Lógico que não dava para tocar de tudo, mas acabamos tocando um pouco do repertório de cada uma”, explica Saggioro.

No primeiro um ano e meio, a Inlakesh era um quinteto. “A gente começou a banda com cinco meninas, mas pouquinho tempo depois já consolidou nosso som sem o teclado. Quando o teclado saiu, a gente escolheu repertório e ficou uma pegada mais específica”, define a guitarrista.

Em ambiente de predominância total de “marmanjos”, uma banda feminina poderia sofrer certa resistência ou preconceito. Mas não foi o que ocorreu com a Inlakesh. Segundo Saggioro, o clima sempre foi de reconhecimento e respeito. “A gente sempre escutou elogios do tipo: ‘nunca vi uma banda de mulher com esta pegada’. Sempre foi um impacto positivo por onde passamos, não só em Bauru”, comenta a guitarrista. Assim, o que era despretensão deu tão certo que a Inlakesh nunca mais parou. “Foi uma coisa natural e sempre houve muito prazer e alegria envolvidos.”