08 de julho de 2026
Regional

Livros em "bons Lençóis"

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

“A população merecia há tempos um lugar como este, afinal não existe cidade se não existir uma biblioteca”, disse em certa ocasião Zanderlite Duyclerc Verçosa, um dos idealizadores da Biblioteca Pública Municipal Orígenes Lessa.

Nordestino que trabalhava no Instituto de Açúcar e Álcool de Lençóis, foi ele quem “sonhou” e fez acontecer  a primeira biblioteca inaugurada em 1961 numa sala do Ubirama Tênis Clube.

Verçosa era uma pessoa culta e valorizava muito os livros (e a leitura). Foi ele o fundador de um dos jornais da cidade, a Tribuna Lençoense e idealizou a biblioteca por entender que a população precisava ler. O que ele não imaginava é que a iniciativa andaria a passos largos e  que a cidade seria batizada de cidade do livro por conta disso.

O “start” para que a biblioteca ganhar “espaço” e “peso” foi uma pesquisa feita por ele e a descoberta de que Orígenes Lessa era uma pessoa nascida em Lençóis Paulista, comenta o diretor de cultura Nilceu Bernardo. “O Orígenes Lessa à época já era reconhecido internacionalmente como escritor. Ele decidiu fazer contato com Lessa que, de imediato, ‘comprou’ a ideia e juntos eles idealizaram a biblioteca.”

Atualmente, o “sonho” do nordestino e do escritor é real. A biblioteca tem 140 mil livros em seu acervo. A cidade tem 63 mil habitantes o que dá uma média de quase três livros por habitante.

O escritor  Pedro Bloch, em certa ocasião, não se furtou a dizer uma frase que  inspirou o slogan da cidade. “... Tem mais livros do que pessoas. Com certeza é a cidade do livro....” 

Relevância

A biblioteca começou com um acervo em torno de 3 mil livros. “Logo foi para 23 mil. O Orígenes decidiu pedir doações. Começou a pedir doações para escritores conhecidos e depois para ao acadêmicos da Academia Brasileira de Letras”, diz Bernardo.

O incentivo veio através de um acordo feito entre o escritor e o prefeito municipal. “Ele dizia se o escritor doasse uma boa quantidade de livros , seu nome batizaria uma rua da cidade. Em certa época, Jorge Amado dizia que não tinha uma grande biblioteca porque a maioria de seus livros tinham viajado para Lençóis Paulista”, comenta Bernardo.

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