09 de julho de 2026
Nacional

Bebê morre após passar 34h soterrado com a família em Aracaju

Por Valter Lima e Daniel Carvalho | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Um bebê de 11 meses morreu na tarde deste domingo (20) poucos minutos depois de ter sido resgatado ao lado da família dos escombros de um prédio que desabou em Aracaju (SE) no dia anterior.

Ítalo Miguel, os pais - o auxiliar de pedreiro Josevaldo da Silva, 24 anos, e a dona de casa Vanice de Jesus, 31 anos - e a irmã, a menina Ane Gabriele, 8, estavam soterrados sob os entulhos do imóvel havia mais de 34 horas.

Ficaram cerca de 25 horas sem nenhum alimento, sem água e foram retirados de lá pelos bombeiros entre 12h05 e 12h20 deste domingo.

Eles foram levados em macas a equipes do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) no local para os primeiros atendimentos e, de lá, encaminhados para o Hospital de Urgência de Sergipe.

Ainda no prédio, Ítalo teve uma parada cardiorrespiratória. A caminho do hospital, não resistiu e morreu de insuficiência respiratória. Internados em situação estável, pai, mãe e irmã não sabiam ainda da morte do bebê no começo da noite.

Médicos, psicólogo e assistente social do hospital decidiram colocar Silva e Vanice numa área isolada -sem acesso a TVs inclusive- até eles se recuperarem completamente. Às 19h, não havia previsão de alta.

O prédio residencial de três andares estava em construção e em fase de acabamento. Segundo a Prefeitura de Aracaju, o alvará para construção do prédio está regular.

As causas do desabamento ainda serão apuradas pela Polícia Civil.

SAUDADES DO FILHO

Silva era um dos operários da obra e morava no imóvel. Trabalhava no local havia dois meses e, muito apegado ao menino Ítalo, estava ansioso em vê-lo. Por isso, Vanice e as crianças chegaram do interior de Alagoas na última sexta-feira (18).

Segundo o vigia Rogério Carlos Santos disse à imprensa local, os três planejavam voltar para casa após três dias. Sem dinheiro para hospedagem, resolveram ficar todos no prédio em construção.

Naquela mesma noite, acomodaram-se no térreo do imóvel, onde dormiram num só colchão, de acordo com os bombeiros. À 1h45 do sábado, o imóvel desmoronou.

Foram salvos porque ficaram presos entre o colchão em que dormiam e a laje do prédio, que acabou escorada em escombros e nas caixas de cerâmica que lá estavam.

Nesse espaço, havia apenas 30 cm de altura. "Tanto que o homem [Silva] disse que a distância entre a testa dele e a laje era de dois dedos", afirmou a major Maria Souza.

Os quatro foram resgatados pelos bombeiros, com ajuda da Força Nacional e da Defesa Civil, por um buraco de 40 centímetros de largura feito na laje, na altura em que estava Ane Gabriele -a primeira a sair dos escombros e ser socorrida.