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Douglas Reis |
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Público lota a Vila Vicentina: segundo os organizadores, presença neste ano foi um recorde |
Lançado ontem, o sistema drive thru implementado na 63ª edição do tradicional churrasco da Vila Vicentina vendeu até as 13h30 deste domingo 1.200 dos 1.500 espetos comercializados pelo serviço, que ajudou a turbinar o evento. Aprovada, a novidade não disputou público, que também lotou todo o terreno onde a entidade está instalada, na Vila Engler, em Bauru.
Segundo os organizadores da festa, a presença da população foi recorde. Estima-se que mais de 45 mil pessoas tenham passado pelo churrasco, realizado em dia de céu aberto e temperatura agradável.
“O tempo e a tradição ajudaram. Mas também foi muita oração”, comentou o presidente da entidade, José Roberto Machado, enquanto observava o vaivém das famílias.
Nélito Biffe, 48 anos, porém, não teve como participar da disputada festa no interior da entidade. Mas como recorreu ao sistema drive thru, degustou os espetos preparados e vendidos pela Vila Vicentina junto com a família, reunida em casa. “Foi a melhor coisa que fizeram. Iniciativa muito importante”, afirmou.
Números
Ele foi atendido pela adolescente Elisa Bresser, 16 anos, uma dos 800 voluntários que trabalhavam para que o evento, mais uma vez, fosse realizado. Juntos, venderam cerca de dez mil espetos de carne, dois mil de linguiça, mil de frango e 100 quilos de sardinha, além de mais de mil dúzias de bebidas e dos almoços completos vendidos a R$ 30,00.
Às 12h45, microfones já anunciavam que os espetos de frango chegavam ao fim. Nem meia hora depois, a carne reservada caso a procura fosse maior que a esperada já estava sendo assada. Às 16h, quase tudo já havia sido vendido. Bem antes disso, Celso Batista Santana, 56 anos, e Genoveva Zupelari, 50 anos, já apreciavam seus espetos de carne.
“Pegamos a fila do caixa e, rapidinho, já estamos comendo. A carne está boa”, comentou Celso. Tiveram a mesma opinião Aparecido de Andrade Guimarães, 52 anos, Maria José da Silva, 53 anos, e Kátia Aparecida Sapricio, 26 anos. Eles vieram de Jaú (a 47 quilômetros de Bauru) para aproveitar o evento.
Antônio Carlos de Oliveira, 58 anos, também se programou para o churrasco. Chegou ontem à Vila Vicentina por volta das 9h para reservar um bom lugar à numerosa família. As netas Derika Liandra Barbosa de Oliveira Bispo, 10 anos, e Hulliany Carolini Barbosa de Souza, 6 anos, aproveitaram para colorir o rosto e se divertir pelo gramado.
Crianças e jovens tornam-se voluntários
Filhos de pai vicentino, Felipe Grandini dos Santos, 10 anos, e Pedro Grandini dos Santos, 8 anos (foto), se espelharam no exemplo dentro de casa e acordaram cedo para trabalhar como voluntários no tradicional churrasco vicentino. Os irmãos ficaram responsáveis pela brincadeira na qual o interessado deve acertar bolas na boca do palhaço.
Nos momentos de folga, eles próprios treinavam a mira, sempre sob a supervisão da mãe Maria Helena Grandini dos Santos, que também tornou-se voluntária aos 13 anos. “Faz bem fazer o bem”, diz o estudante de direito Lucas Arthuso, 17 anos. Na churrasqueira, também seguiu os passos do pai e do avô. “Isso vai passando de geração em geração. Há 50 anos trabalho no churrasco”, comenta Ademar Teixeira, 81 anos, tio de Lucas.
Visitas
O tradicional churrasco favorece ainda visita aos internos. Mas com ou sem festa, Moacir Garcia Marques, 49 anos, passa pela entidade para encontrar-se com o pai Moacyr Marques Pereira, 77 anos, que vive na Vila Vicentina há 15 anos. Ontem não foi diferente. Tomou a mesma iniciativa Neuza Maria Almeida Duarte, que visitou o tio José Baptista Quirino, 73 anos. “Esta é a primeira vez que participo”, comenta o interno, que chegou à entidade há cerca de um ano. Ainda assim, degustou alguns quitutes no próprio quarto, onde a psicóloga Mariana de Fátima Canassa da Silva lhe entregou coxinha e pastel. “Para o lanche, eles fizeram encomendas. Cada um, inclusive os acamados, teve direito a R$ 13,00”, explica a profissional.
Know how
Há mais de 20 anos, a família de Maria Joana Rodrigues Caçador, 59 anos, participa do tradicional churrasco vicentino, ano após ano. Pudera, a mãe dela, Maria Aparecida Pereira, 83 anos, trabalhou na entidade como funcionária. Com a experiência de anos, trazem de casa até cadeiras para aproveitar a tarde de domingo. Faz parecido a numerosa família de Antônio Fraga, 79 anos. Leva esteira de praia para acomodar as três gerações, todos sentados no gramado, independentemente da idade.
Investimentos
Todo o dinheiro arrecadado será revertido para a manutenção geral da Vila Vicentina, que abriga 49 internos e as atividades do Centro/Dia, uma espécie de creche para idosos. Mas com o churrasco realizado ontem, a expectativa é que a entidade possa reformar o centro de convivência masculino, investimento estimado em R$ 200 mil, informa o presidente da entidade, José Roberto Machado. De acordo com ele, um dos centros de convivência feminino já passou por obras, e outro, talvez tenha que esperar no churrasco de 2015.