Bandido é preso após ter tatuagem reconhecida. A situação parece fictícia, mas tem se tornado mais real e corriqueira na rotina da polícia a cada dia. Um software desenvolvido pela Polícia Civil de Bauru tem auxiliado a identificação de bandidos e garantido a resolução de crimes, inclusive, a alguns casos que já estavam até mesmo arquivados.
Trata-se da plataforma conhecida como Scire (que, do latim, significa saber), um programa local encabeçado pelo Departamento de Polícia Judiciária do Interior 4 (Deinter 4) que reúne pequenos dados em um Sistema Central de Inteligência e Reconhecimento.
Ou seja, em posse de informações sobre algumas características físicas do criminoso, como peso, altura, cor de cabelos e biometria, ou endereço, vulgo, filiação, modo de agir ou até de tatuagens, a polícia consegue traçar o perfil e encontrá-lo no sistema. Para que a busca obtenha êxito, contudo, é preciso que o procurado tenha passagens pela polícia ou então tenha sido cadastrado no sistema como suspeito de algo.
E é com a ajuda deste sistema que a polícia tem conseguido esclarecer diversos crimes na cidade, um deles, inclusive, foi alvo de uma homenagem, ontem, na Câmara Municipal de Bauru (leia mais abaixo).
10 mil
Com mais de dez mil cadastros de presos e suspeitos, atualmente, o software, atinge sua plenitude, segundo o Deinter 4. A tecnologia, que, no contexto local, é pioneiro, tem dado tão certo que já foi até “exportada” para outras seis seccionais. “Todas as sedes seccionais da área do Deinter 4 estão utilizando. E tem dado muito certo. Roubos e estupros já foram esclarecidos por conta da riqueza de detalhes cadastrados na plataforma”, comenta o diretor do Deinter 4, Benedito Antônio Valencise.
Dobrou
Apesar de ter sido implantado em 2011, o programa atinge sua plenitude após três anos de atualizações e digitalizações constantes de fichas criminais, algumas até mesmo anterior a década de 80.
“Essa ideia de cadastro local nos trouxe uma riqueza de detalhes sobre os criminosos atuantes na região”, frisa Valencise. “Inclusive, temos observado que o crime organizado não cresce mais aqui. A cidade tem ‘importado’ os criminosos”, completa.
Valencise aponta que a ideia é de que, nos próximos anos, o programa auxilie a multiplicar ainda mais a quantidade de prisões em flagrante.
“Queremos triplicar esse número e aumentar as soluções dos casos de roubos de 25% para 40%. Mas sabemos que um Boeing [avião] não funciona sem bons pilotos e, para isso, também possuímos planejamento estratégico. Hoje, o policial tem possibilidade de ser promovido e de receber bonificações. Além disso, até o final do ano, ganharemos mais 21 policiais, que já estão em formação”, ressalva Valencise, confirmando que polícia local deverá sofrer déficit de mais de 20 agentes por conta das aposentadorias compulsórias, ainda neste ano.
Atualmente, cerca de 75% dos homicídios são esclarecidos na cidade. Titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), Kleber Granja confirma a agilidade da plataforma. “Usamos o Scire em 99% dos casos. Inclusive, já chegamos a desarquivar alguns casos, após encontrarmos a tatuagem”, afirma Granja.
Em tempo: o banco de dados estadual, Fênix, custa cerca de R$ 300 mil. O Scire teria custado R$ 15 mil.
Polícia Civil ganha Moção de Aplauso
É exatamente neste contexto que se encaixam várias prisões realizadas pela Central de Polícia Judiciária (CPJ) nos últimos três anos. Ontem, a Câmara Municipal de Bauru, por meio de iniciativa do vereador Arildo Lima Júnior (PSDB) prestou uma homenagem à Polícia Civil de Bauru.
A Moção de Aplauso homenageou os delegados do Deinter- 4, representado por Benedito Antônio Valencise, o Seccional interino Marcos Mourão e os delegados da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) Ricardo Dias e Luiz Augusto Puccinelli.
Os dois últimos receberam a reverência dos vereadores por terem protagonizado a prisão de uma quadrilha, em 30 de outubro de 2013, que planejava sequestrar uma empresária de Bauru, assaltar um supermercado, duas lotéricas e residências de alto padrão na cidade. “As investigações mostraram que eles planejavam uma série de ataques na cidade para sustentar o tráfico”, comenta Ricardo Dias. “O Scire é uma das ferramentas que fizeram toda a diferença no processo de investigação deste caso”, finaliza.