A coluna Entrelinhas (JC, 14/7, pág.2), sob o título "Faculdade", noticiou que o sr. prefeito Rodrigo Agostinho foi a Brasília, (15/7), acompanhado do vereadora dra. Telma Gobbi, para tratar da faculdade federal de medicina para a cidade com o ministro Henrique Paim, da Educação. Esclarece o prefeito que vai reiterar o interesse pelo curso e a estrutura qu o município pode oferecer para essa tão aguardada Faculdade de Medicina em Bauru.
Ressalta o noticiário que a faculdade federal não exclui a possibilidade de um curso privado que também está sob análise do MEC. Esta luta pela conquista da instalação de uma Faculdade de Medicina em Bauru é bastante antiga.
O assunto me fez evocar l982. O presidente da Federação Nacional dos Médicos, nesse ano, pediu à então ministra da Educação, Esther de Figueiredo Ferraz, já falecida, redução de 30% do número de vagas no primeiro ano de todas as Faculdades de Medicina do País para l983, seguida de mais 10% nos dois seguintes, até alcançar o total de 50%.
A justificativa alegava a baixa qualidade do ensino médico no Brasil e a saturação do mercado de trabalho. O presidente da Ordem dos Advogados também solicitou à minisrtra da Educação a proibição de novos cursos de Direito no País, sob a mesma justificativa.
A Associação Brasileira de Ensino Odontológico, por sua vez, pediu a prorrogação por mais dois anos, no mínimo, da proibição da instalação de novos cursos de Odontologia.
O que nunca me esqueci foi o despacho proferido pela ministra da Educação Esther de Figueiredo Ferraz nas petições, publicado na imprensa: "Qualidade do esino é um requisito pedagógico e nada tem a ver com a reservada de mercado". Acentuou ainda: "Não aredito que, a pretexto de qualidade do ensino, se fale em reserva de mercado".
Sempre entendi, como professor e licenciado em Pedagogia, hoje aposentado, que cabe ao governo pelos seus órgãos específicos fiscalizar o nível de ensino ministrado pelas faculdades.
Proibir instalação de novas faculdades, reuzir o número de vagas sob a alegação de falta de mercado de trabalho ou biaxo nível de ensino é inconcebível.
A liberdade de escolha da própria área de estudo, pela vocação, desejo, oportunidade do mercado, é tavez a mais sagrada de todas as liberdades.
Meus cumprimentos ao sr. prefeito municipal Rodrigo Agostinho e a ilustre vereador, médica, dra. Telma Gobbi, pela insistência em dotar Bauru de sua Faculdade de Medicina. Parabéns.
Rodolpho Pereira Lima