09 de julho de 2026
Política

Novela: viaduto pode atrasar de novo

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

A previsão de inaugurar o viaduto inacabado no final de agosto deste ano poderá não ser cumprida. Com atraso no pagamento dos salários, os funcionários da Bema Construções, empresa contratada em 2012 para concluir o serviço iniciado há 21 anos, ameaçam entrar em greve a partir de hoje.

 

Malavolta Jr.

Empresa alega que último trecho do viaduto ainda não foi concretado por falta de recursos; expectativa é de que pagamento seja feito hoje ou até o fim de semana

 

Conforme determina o contrato de trabalho, eles deveriam ter recebido 40% de adiantamento dos salários no último dia 20. Mas, até ontem, os valores não haviam sido depositados pela empresa. Na manhã de hoje, o sindicato da categoria deve se reunir com os cerca de dez funcionários que trabalham na obra para decidir o que será feito.

 

Conforme o JC apurou, a maioria estaria disposta a cruzar os braços caso os pagamentos não forem efetuados. Procurada pela reportagem do Jornal da Cidade, a Bema Construções informou que desconhecia a possibilidade de seus funcionários paralisarem as atividades, mas adiantou que não se manifestaria a respeito do atraso no pagamento dos salários.

 

O secretário municipal de Obras, Sidnei Rodrigues, informou que a greve poderá atrasar a entrega do viaduto, programada para o último ou penúltimo dia de agosto como forma de incluir a inauguração na programação de aniversário da cidade. “O cronograma de obras está bem justo e não há margem para interrupções. Se houver paralisação, certamente o viaduto só sai depois deste prazo. É frustrante”, comenta.

 

Segundo o secretário, a empresa argumentou que os salários dos trabalhadores está atrasado porque o Ministério das Cidades, que custeia a maior parte da obra, não fez o repasse integral dos recursos referente ao que foi executado entre abril e junho. A assessoria de imprensa da Caixa Econômica Federal afirmou que aguarda o depósito do valor faltante, de R$ 184.294,54, para fazer o desbloqueio na conta da empresa.  

 

Secagem

 

“O valor total da última medição que foi feita, em junho, chegava a quase R$ 400 mil e deveria ter sido depositado integralmente na semana retrasada. Ficamos na expectativa de que o valor restante fosse liberado na semana passada, o que também não ocorreu”, observa Rodrigues. 

 

A expectativa, ele diz, é de que o pagamento possa ser feito ainda hoje ou, no mais tardar, até o final desta semana. Se a segunda alternativa se concretizar, mesmo que os funcionários continuarem trabalhando, é possível que a inauguração do viaduto atrase.

 

Isso porque, exatamente por alegar falta de recursos, a Bema Construções ainda não deu início à concretagem do último trecho do viaduto, de cerca de 40 metros de extensão. 

 

Segundo o secretário de Obras, há necessidade de espera de 28 dias para o concreto secar completamente, para que, então, possa ser pavimentado e receber a sinalização de solo.

 

“Mas, com dez dias de secagem, serviços complementares como a colocação de guarda-rodas (muretas de concreto para proteger os dois lados do viaduto) já podem começar a ser feitos no trecho. Não precisa esperar”, comenta.

 

Enquanto o dinheiro não chega, os cerca de dez funcionários seguiam, até ontem, dando conta de outras demandas, como a construção de berços de concreto (que são dispostos ao longo de todo o viaduto para ajudar a dar flexibilidade e evitar trincas na estrutura), a colocação de placas de concreto que protegem o corredor de passagem de pedestres e a limpeza das áreas onde há acúmulo de materiais inutilizados. 

 

Prazos e custos

 

O viaduto que fará a ligação entre a Vila Falcão e o Jardim Bela Vista começou a ser construído em 1993. Três anos depois, a obra foi paralisada e só retomada em fevereiro de 2012. O primeiro prazo para a entrega do equipamento venceu em março do ano passado. O prefeito Rodrigo Agostinho, porém, alimentava a expectativa de entregá-lo durante as comemorações ao aniversário da cidade, em agosto. Segundo a Bema Construções, 81,46% das obras já foram concluídas. A Caixa Econômica Federal informa que repassou mais de R$ 3,6 milhões em recursos e o município, R$ 974 mil, totalizando 4,6 milhões correspondentes a 78,35% do serviço contratado. A obra é orçada em R$ 5,9 milhões.