08 de julho de 2026
Geral

Novos casos de hepatite C caem 24%

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 4 min

A hepatite C é uma doença silenciosa, considerada assintomática pela medicina e que já foi preocupante na década de 90. Depois de algumas mudanças nos critérios de transfusão sanguínea, materiais descartáveis e tratamento, a enfermidade, hoje, já tem menos incidência. Em Bauru, o número de notificações no primeiro semestre deste ano diminuiu 24%. No ano passado foram 38 casos, contra 27 em 2014. Contudo, o alerta deve continuar.

 

O médico infectologista Gustavo Hideki Kawanami, do Ambulatório de Hepatites Virais do Hospital Estadual de Bauru (HEB), explica que o próprio sistema de saúde está mais atento à presença do vírus.

 

“A variação de casos novos notificados de hepatite C tem vários fatores que podem influenciar nesse ‘número ano’. Não só a realização de campanhas, mas existe uma necessidade do próprio sistema de saúde em ir até esses casos”, pondera.

 

Quase assintomática, a hepatite C depende, principalmente, do diagnóstico médico, já que os sinais que os pacientes apresentam se assemelham a um mal-estar. Atualmente, a patologia está diretamente ligada ao uso compartilhado de materiais perfurocortantes.

“Os sintomas quase não existem. O paciente pode passar por um mal-estar e, em poucos casos, apresentam ainda o amarelamento nos olhos. O médico investiga se esse paciente se expôs ao vírus em algum momento do passado e se ele tem alguma doença que possa estar relacionada à presença do vírus da hepatite C. Assim, pede a sorologia”.

 

Precisão

 

A sorologia pode ser pedida gratuitamente em qualquer Unidade Básica de Saúde (UBS) e o resultado fica pronto em três minutos. O exame é semelhante ao de glicemia. Com uma pequena gota de sangue, é possível descobrir se a pessoa é ou não portadora do vírus. 

 

O médico ainda salienta que os grandes transmissores de hepatite C já foram praticamente erradicados: as transfusões de sangue e as falhas de esterilização de material. “A maioria dos pacientes que tem hepatite C hoje está acima da faixa etária dos 40 anos. Porque é justamente uma época em que, no passado, no Interior, ainda se usava seringa de vidro, receberam sangue contaminado antes de 1994, quando começou a fazer triagem do banco de sangue para o vírus”.

 

Para os mais jovens, os principais motivos podem ser: contaminação vinda da mãe, no momento do parto, e contaminação por material perfurocortante compartilhado, como, por exemplo, o uso de lâmina de barbear e também instrumentos de manicures. 

 

Como tratar

 

O médico Gustavo Hideki Kawanami explica ainda que o tratamento é longo, entre 6 meses e 1 ano, e feito exclusivamente em centros de referência. Em Bauru, existem dois centros: Ambulatório de Hepatites Virais do Hospital Estadual de Bauru e o Centro de Referência de Moléstias Infecciosas, que fornecem todo o atendimento e medicamentos gratuitamente.

 

O Hospital Estadual de Bauru fica na Engenheiro Luiz Edmundo Carrijo Coube, 1-100. O Centro de Referência de Moléstias Infecciosas de Bauru fica na Silvério São João, sem número, Centro.

 

O vírus

 

A hepatite C é causada pelo vírus C (HCV), que está presente no sangue. Por isso, a sua principal via de transmissão é sanguínea: transfusão, compartilhamento de material para uso de drogas e de higiene pessoal.

 

Ao ser acometido pelo vírus, o paciente pouco apresenta reações, talvez um leve mal-estar. Por isso, o médico infectologista Gustavo Hideki Kawanami orienta: deve fazer o exame quem já teve contato com alguém infectado, profissionais da saúde, ex-usuários de drogas e quem fez tatuagens (mesmo em clínicas especializadas). “Quem passou, ao menos uma vez por algumas dessas situações, deve fazer o exame. A detecção precoce é muito importante”, frisa. O vírus causa fibroses no fígado, que podem evoluir para cirrose. “O fígado também é responsável pela filtragem do organismo, captando toxinas do sangue e ainda produz proteínas como a albumina”, destaca.

 

A detecção pode ser feita gratuitamente em qualquer Unidade Básica de Saúde. Caso o resultado seja positivo, o encaminhamento é feito aos centros de referência.

 

Orientações

 

Como a principal via de transmissão é o contato com o sangue, o uso de material esterilizado ou descartável é muito importante, orienta Gustavo Hideki. “Em caso de manicure, o ideal é cada um ter o seu kit, inclusive o palitinho que limpa o esmalte. Muitas vezes a manicure até usa o material esterilizado, mas compartilha o palito. As tatuagens também devem ser feitas em clínicas especializadas e com o uso de material descartável”.