A cada ano, uma nova legião de jovens ingressa no mercado de trabalho, em Bauru. Em sua maioria, são adolescentes com cerca de 15 anos , que desejam ter a própria renda e, ao mesmo tempo, começar a ter contato com a dinâmica do ambiente corporativo.
Somente neste primeiro semestre, 695 jovens foram recrutados pelo Centro de Integração Empresa-Escola (Ciee) para atuarem como aprendizes nas empresas da cidade. O número é quase 36% maior do que o registrado no mesmo período de 2013, quando 512 contratações foram efetivadas.
Para se enquadrarem no Programa Aprendiz Legal, os candidatos precisam ter entre 14 e 24 anos e frequentar o Ensino Fundamental ou Médio ou já ter concluído o Ensino Médio. Para os jovens que cumprem jornada de quatro horas diárias, a vigência do contrato é de até 24 meses.
Para quem trabalha seis horas por dia, o tempo máximo de permanência na vaga é de 17 meses. Os rendimentos médios são de um salário mínimo.
Diferentemente de um estágio, o aprendiz segue a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Por este motivo, tem garantidos direitos como recolhimento de Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), além de auxílio-transporte.
O trabalho, no entanto, não pode ser noturno ou oferecer condições de perigo e insalubridade. O jovem também precisa frequentar a escola e um curso de capacitação, tais como os oferecidos pelo Consórcio Intermunicipal da Promoção Social (Cips) e pela Legião Feminina de Bauru.
Obrigação
No primeiro semestre deste ano, o Cips já encaminhou 190 adolescentes entre 15 e 18 anos para o mercado de trabalho. A Legião Feminina, 230 garotas. Supervisora do Ciee, Simone Pires Nicolau explica que a grande procura por este perfil profissional decorre de uma obrigação legal, em que as empresas precisam preencher de 5% a 15% do seu quadro de profissionais com trabalhadores aprendizes.
“O percentual é valido para o total de empregados cujas funções demandam formação profissional. E, desde que a Lei do Aprendiz foi criada, em 2000, as empresas têm dado preferência a jovens de 15 ou 16 anos”, comenta.
A legislação permite que adolescentes sejam contratados como aprendizes já a partir dos 14 anos, mas, nesta faixa etária, eles costumam enfrentar dificuldades para encontrar vagas. Segundo Simone, a resistência das empresas ocorre porque, nesta idade, os jovens são considerados imaturos para assumir responsabilidades dentro de negócios.
“A relutância ocorre mesmo quando eles são indicados pelo Ciee. Já os mais velhos, com mais de 20 anos, tendem a recusar empregos como aprendiz porque já não se interessam em receber apenas um salário mínimo”, explica.
Tempo de capacitação também conta
Centros de preparação de jovens para o mercado de trabalho em Bauru também confirmam que a idade média de ingresso no primeiro emprego é de 15 anos. Entre os fatores que contribuem para a predominância desta faixa etária está o tempo necessário para a capacitação mínima deste perfil de trabalhadores.
Coordenadora pedagógica do Consórcio Intermunicipal da Promoção Social (Cips), Camila Apolonio Rodrigues explica que a entidade recebe adolescentes entre 14 e 18 anos, que se inserem no curso de Preparação para o Primeiro Emprego. Promovido em parceria com a Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes), o curso tem duração de um ano.
Mas, após os primeiros seis meses, já é possível iniciar o encaminhamento para o mercado de trabalho. “É o momento em que a maioria deles já está com 15 anos, 15 anos e meio. Quando contratados, eles precisam se vincular a um dos nossos cursos do Programa de Aprendizagem, que são validados pelo Ministério do Trabalho”, acrescenta.
O mesmo processo se repete na Legião Feminina de Bauru, segundo reforça a assistente social Cibele Carlos. “No nosso caso, as adolescentes são encaminhadas pelo Cras (Centro de Referência em Assistência Social). Por força de lei, a carga horária de trabalho do aprendiz deve contemplar a prática dentro das empresas e a teoria, dentro da entidade a qual ele está vinculado”, frisa.
Quase sempre, os jovens são contratados para desempenhar funções administrativas em setores como os de almoxarifado, arquivo, financeiro, atendimento ao público e recursos humanos. Para se prepararem para o desafio, no Cips, os adolescentes têm a oportunidade de receber orientação sobre marketing pessoal, segurança do trabalho, ética e cidadania, técnicas de liderança e trabalho em equipe.
Também podem obter atendimento fonoaudiológico, psicológico e odontológico. Já a Legião Feminina de Bauru oferece workshop de profissões, cursos de informática básica, secretariado, desenvolvimento pessoal e jovem empreendedor, além de palestras informativas.
Para aprender e ajudar a família
Foi para ajudar o pai nas contas da casa, mas também para aprender, que o jovem Marcos Willian da Silva e Silva, 16 anos, decidiu começar a trabalhar. Aos 14 anos, já estava no primeiro emprego, em uma loja de acessórios para veículos.
Há seis meses, devido ao excelente rendimento escolar, o aluno de escola pública alcançou o primeiro crescimento profissional. Por indicação do Ciee, ganhou a oportunidade de trabalhar como aprendiz em uma das maiores instituições bancárias do país.
Lá, onde atua como auxiliar administrativo, tem garantidos todos os direitos trabalhistas, além do salário que ajuda a complementar a renda da família. “Estou trabalhando para mim, mas também para ajudar meus pais. Nós não temos uma vida de luxo, porém, eles nunca me pediram nada. Consigo ajudar porque, desde cedo, eles me ensinaram a administrar meu dinheiro”, relata Marcos.
‘Guardo dinheiro para me aperfeiçoar’
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Quioshi Goto |
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Lucas Francisco, 16 anos, quer crescer em sua empresa
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Aos 16 anos, Lucas Alcedino Militão Francisco conseguiu uma vaga de trabalho como aprendiz em uma grande empresa de transporte de cargas e passageiros de Bauru, por intermédio do Cips. O jovem conta que, desde muito cedo, teve o trabalho como meta, já que o plano sempre foi poupar uma boa quantia em dinheiro para investir em sua profissionalização.
“Quero fazer um curso técnico de torneiro mecânico. Por enquanto, é o que eu sonho ser”, comenta. O tempo de contrato de Lucas na empresa é de um ano e meio, mas, como diz estar se saindo bem em suas funções, acredita que, depois deste período, possa vir a ser efetivado.
“Seria uma outra possibilidade de crescer profissionalmente. Estou fazendo tudo certinho e muito feliz”.
Serviço
Mais informações sobre o tema e oportunidades podem ser obtidas no Ciee, que fica na rua Virgílio Malta, 10-05, Centro. O telefone é o (14) 3104-6000 e o site, www.ciee.org.br.
Já o Cips fica na rua Inconfidência, 2-28, na Vila Seabra. O telefone é o (14) 3879-6961. A Legião Feminina atende na Praça Rodrigues de Abreu, 1-37, Centro. O telefone de contato da instituição é o
(14) 3223-0760.