11 de julho de 2026
Política

Grevistas fazem piquete na USP de Bauru

Paola Patriarca
| Tempo de leitura: 2 min

Cerca de 70 funcionários da Universidade de São Paulo (USP) de Bauru, que estão em greve há 57 dias, promoveram um piquete nas duas entradas do estacionamento da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) das 11h45 até as 15h de ontem. O ato seguiu pacificamente e teve o intuito de protestar contra o corte de ponto que, para os manifestantes, foi uma atitude de restrição aos direitos de greve e manifestação.

De acordo com a diretora do Sindicato dos Trabalhadores da USP de Bauru (Sintusp), Neli Wada, um documento foi feito pela procuradoria jurídica da universidade esta semana para orientar os diretores das unidades  sobre as possibilidades de registro de faltas, o que leva ao desconto nos salários dos manifestantes.

“Quando soubemos que ficaríamos sem salário resolvemos partir para uma atividade mais radical e decidir fazer o bloqueio de carros para eles sentirem que não estamos brincando. Temos aqui tantas irregularidades em relação aos salários, cursos pagos na pós-graduação, depósito com resíduos tóxicos sem nenhum norma de segurança, vagas irregulares - que foram arbitradas ilegais pelo Tribunal de Contas -, e agora eles querem cortar o nosso ponto? ”, contesta.

Para Ricardo Nogueira, que faz parte do comando de grevistas do Sindicato e é funcionário do Hospital Centrinho há 9 anos, a atitude de cortar o ponto foi inconcebível. “O direito de greve é constitucional e está garantido por lei. Nós estamos lutando pelos nossos direitos. Não estamos aqui brincando e nem fazendo farra. Os nossos salários precisam ser preservados para o sustento da nossa família. Isso é um absurdo. É inconcebível”, disse.

Após o bloqueio das entradas do estacionamento, a diretoria da FOB, do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais  da Universidade de São Paulo (HRAC- Centrinho)  e a Prefeitura do Campus USP de Bauru (PUSP-B) realizaram uma reunião para decidir se o corte de ponto dos servidores permaneceria.

Segundo a assessoria de imprensa da USP, após três horas de reunião, as três diretorias decidiram continuar com o corte de ponto e comunicaram ao Departamento de Recursos Humanos os dias não trabalhados dos servidores em virtude de greve.

A decisão permanecerá, de acordo com a assessoria, devido à  determinação da Reitoria da Universidade de São Paulo.

Ato

Na próxima segunda-feira (28), os grevistas farão um ato em frente à Câmara Municipal, às 14h, e irão usar a tribuna livre da Câmara para buscar apoio à greve. Já no dia 4 de agosto, os manifestantes realizarão um protesto que, segundo a sindicalista Neila, terá uma atividade surpresa no campus da USP.

Greve

A greve dos servidores da Universidade de São Paulo (USP) em Bauru começou no fim do mês de maio. Conforme o JC publicou, a representante do sindicato, Cláudia Carrer, afirmou que a categoria reivindica aumento salarial da inflação de 6,78%, mais 3% das perdas salariais.  Os alunos da USP, além da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp) também apoiam o movimento das categorias.