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Prova irrefutável, recurso que possibilita flagrantes e que concede maior agilidade no esclarecimento de crimes. Nada de superprogramas. As qualidades mencionadas referem-se a imagens geradas por equipamentos simples e cada vez mais presentes em casas e comércios de Bauru: as câmeras de segurança.
A Polícia Civil estima que recebe, ao menos, um caso por semana com imagens de câmeras. Tratam-se de delitos como roubos a estabelecimentos comerciais, residências, veículos, ou ainda de homicídios, estupros, furtos e acidentes.
Considerada, primeiramente, como um mecanismo de prevenção, as câmeras instaladas pela cidade mais que triplicaram nos últimos anos, segundo levantamento feito pelo JC com o setor.
Basta uma pequena volta pelo Centro da cidade ou então por bairros para que elas apareçam, sejam penduradas em muros, toldos ou até acopladas em interfones.
Imagens valiosas
A busca por equipamentos de monitoramento, inclusive, é a primeira orientação das equipes de investigação diante de uma cena de crime, conforme explica o diretor do Departamento de Polícia Judiciária do Interior de São Paulo-4 (Deinter-4), Benedito Valencise.
Quando concedidas, entretanto, as imagens nem sempre são de boa são de qualidade, mas, mesmo assim fornecem outras dicas, também valiosas.
“Quando a imagem gravada não nos dá a cena do crime, ela nos oferece uma grande ajuda para elucidar. São provas importantes e que podem reduzir o tempo de investigação”, pontua o diretor do Deinter 4.
“É um artifício que tem sido indispensável no trabalho da polícia. Mas, para fins de investigação, principalmente em comércio e bancos, é preciso ter muito critério no que diz respeito à qualidade, ou seja, dar preferência sempre para câmeras com alta resolução”, reforça o delegado Kleber Granja, titular da DIG, uma das delegacias que mais recebem imagens para elucidação de crimes graves.
Recebidas, as filmagens são arquivadas em computadores ou HDs externos do departamento de investigação da CPJ, mesmo depois do inquérito ter sido finalizado.
Casos e provas
E foi exatamente por meio de uma câmera com alta resolução e de boa qualidade que a polícia esclareceu o caso de um PM à paisana que foi baleado em um supermercado por dois homens, no Jardim Chapadão, em agosto de 2013.
Dois dias depois do crime, Ruan Carlos Reginaldo, de 19 anos, foi preso em sua casa, após ser identificado pelos policiais nas câmeras de segurança do supermercado.
Em posse das imagens, que possuíam alta resolução, a polícia conseguiu identificar ainda Stanley Rodrigues da Silva, 26 anos, através do zoom do equipamento, no exato momento em que ele entra no estabelecimento e depois coloca um refrigerante no balcão.
“Ele negava ter atirado, mas, como as imagens eram de boa qualidade, conseguimos refutar. Inclusive, nos deu toda segurança para sermos categóricos e afirmar que aquele foi um crime premeditado”, aponta o delegado titular da DIG, Kleber Granja.
Outro caso ocorreu meses antes, em julho de 2013, perto da ponte do córrego Barreirinho, que liga Beija-Flor ao Santa Luzia. Lá, Aline Cristina de Oliveira Moreira, de 25 anos, foi encontrada morta.
O crime foi cercado por mistério. 17 dias depois, Edilson Sebastião Horácio, de 26 anos, acabou preso. Uma das principais pistas e provas que levaram à prisão dele foi uma imagem do circuito de segurança de uma loja, que fica próxima do local do crime. Em uma das cenas, ele aparece perseguindo a vítima.
Na ocasião, apesar das imagens não serem tão nítidas, a polícia conseguiu confrontar o modelo do tênis que ele aparecia na imagem com as pegadas deixadas pelo assassino de Aline sob a ponte.
‘Boom’ no setor
Empresário do setor há 15 anos em Bauru, Fábio da Silva diz que o serviço só cresce. “Antes, eu atendia dez compradores por mês, hoje, atendo uma média de 60”.
Além das câmeras e do equipamento para gerar as gravações, o consumidor paga cerca de R$ 400,00 para adquirir o serviço de monitoramento por empresa especializada.
Dificuldades
Uma das dificuldades quando o assunto é obter provas por meio de câmeras de segurança é que muitos equipamentos não passam de simulacros ou não possuem sistema de gravação das imagens.
Outro problema é a colaboração das próprias vítimas ou de pessoas ou empresas secundárias.
“A lei nos concede esse direito para fins de investigação, mas quase sempre temos dificuldade em conseguir as imagens, principalmente no tocante ao interior de agências bancárias, por exemplo”, frisa Kleber Granja.