O treinador da seleção brasileira, Dunga, caiu em contradição ao explicar uma operação financeira que, segundo decisão de um órgão do Ministério da Fazenda, apresenta indícios "veementes" de nunca ter existido.
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Reuters |
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O treinador da seleção brasileira, Dunga, caiu em contradição ao explicar uma operação financeira |
Em nota de 32 páginas enviada à reportagem, o treinador afirmou, em duas respostas diferentes, que emprestou US$ 270 mil ao clube japonês Júbilo Iwata em 1998.
De acordo com Dunga, a concessão desse empréstimo, sem cobrança de juros ou correção monetária, foi uma exigência para que ele fosse contratado pela equipe.
"Se eu não tivesse aceitado tal condição (não cobrar juros e correção monetária), o negócio não teria sido efetivado e, deste modo, em 1998, eu não teria sido contratado para jogar, profissionalmente, pelo Júbilo Iwata", escreveu Dunga no e-mail enviado à reportagem.
Em 1998, contudo, Dunga não foi contratado para jogar profissionalmente pelo clube japonês. Aquele ano foi seu último pelo clube.
De acordo com o próprio site de Dunga, ele entrou no time em 1994, ano em que foi capitão da seleção na conquista do tetra mundial.
A contradição de Dunga acontece justamente ao explicar a operação financeira que apresenta indícios de nunca ter existido, de acordo com decisão do Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais).
Como a Folha de S. Paulo revelou nesta sexta (25), a Receita Federal cobra R$ 907 mil de Dunga em imposto de renda, duas multas e juros. O treinador da seleção teve o primeiro recurso rejeitado pelo Carf. Ele recorreu novamente e, até a decisão definitiva, a cobrança fica em suspenso.
A principal questão tratada pela decisão do Carf é um depósito de US$ 270 mil recebido por Dunga em uma conta no exterior, sobre o qual o ex-atleta não recolheu imposto. Ele afirma que o montante era o pagamento de um empréstimo que diz ter feito, em 1998, ao Júbilo Iwata.