Os primeiros sinais de que o seu destino era o criativo e concorrido mercado publicitário vieram ainda na infância, quando um professor escreveu em um de seus textos: “Tem pinta de escritor”. Foi o que bastou para que ele não deixasse as palavras, e vice-versa. A Entrevista da Semana de hoje resume o livro da vida de Alexandre Henrique Carvalho Teixeira.
Até chegar à publicidade, ele trilhou alguns caminhos, como a faculdade de direito, mas foi na redação publicitária que encontrou o seu destino. Em Bauru, Alexandre foi sócio da Empório Comunicação. Em São Paulo, atuou no grande Grupo Publicis. Porém, o DNA empreendedor falou mais alto e, em 2010, ele abriu a Axle, agência que, apesar de jovem, já é internacionalmente premiada.
E por falar em internacional, viajar é investimento de vida para o entrevistado: “Viajar mostra como podemos ampliar a nossa visão de mundo e a visão de nós mesmos inseridos neste mundo que é tão rico. Viagens ampliam fora e dentro, sempre”, diz.
A paixão pela família salta aos olhos, assim como as lágrimas, quando ele conta suas lembranças: “É um privilégio vir para Bauru e acordar com o barulho da minha avó, a autora do melhor quibe cru do mundo (risos); da minha mãe, com os seus cuidados, e da minha irmã Catinha, que me chama de filho.” Leia mais, a seguir.
Jornal da Cidade - Quem foi o menino Alexandre Carvalho?
Alexandre Henrique Carvalho Teixeira - Eu nasci dentro de uma família com muito amor. A dedicação e o amor sempre foram exacerbados por todos, e eu acho isso um privilégio. É uma família muito intensa, matriarcal, de origem libanesa, especialmente, com mulheres muito fortes, desde minha bisavó. Uma família de grandes mulheres onde todos os homens sempre foram muito mimados. Além dessa questão de amor intenso e de alta convivência, eu somaria a possibilidade que tive de conviver com minha bisavó, no sítio. Toda a cultura da gastronomia libanesa, dos temperos, dos sabores, das especiarias ficaram na lembrança pelo convívio com essa grande família, especialmente aos domingos, quando nos reuníamos neste sítio, na estrada Bauru/Duartina. Tínhamos grandes banquetes com o sítio sempre cheio e todos os primos brincando juntos. Um legado muito positivo, muito bom. Foi uma espécie de “Sítio do Pica-Pau Amarelo”. Eu sempre fui muito apaixonado pelo meu pai, minha avó, minha mãe...
JC - Sua mãe é bastante conhecida em Bauru por sua dedicação à filantropia, principalmente.
Alexandre - Minha mãe teve uma importância enorme em todas as fases da minha vida. Mesmo não entendendo muitas coisas em alguns momentos, ela sempre esteve presente e apostou em todas as minhas apostas. É um privilégio vir para Bauru e acordar com o barulho da minha avó, a autora do melhor quibe cru do mundo (risos); da minha mãe, com os seus cuidados, e da Catinha, que me chama de filho. Sou extremamente mimado por essas mulheres (risos).
JC - E quando a publicidade entra em sua vida?
Alexandre - A minha história com a publicidade é muito curiosa. Eu sempre gostei de escrever. Escrevia poesias e compartilhava com os amigos mais íntimos. Isso aos 11 anos, por aí. Até que um dia, o meu professor de redação, Luiz Vítor Martinello, escreveu em um de meus textos: “Tem pinta de escritor”. Aquilo disparou um grande gatilho dentro de mim e me senti estimulado a escrever. Nunca parei.
JC - Você pensa em lançar livros?
Alexandre - Tenho vontade de escrever um livro, sim. Mas ainda estou pensando sobre o que escrever (risos).
JC - A área de humanas sempre presente...
Alexandre - Sim. Com o repertório de informações que eu tinha naquela época, eu optei por cursar direito. Fiz o curso da Instituição Toledo de Ensino (ITE), com estágio no Procon, o que foi uma experiência bem rica. Porém, no meio deste estágio, eu tive a oportunidade de conhecer um publicitário, que foi a pessoa chave para que eu me dirigisse para a publicidade: Lupércio Zampieri. Bom, mostrei a ele os meus textos do ensino médio e poesias, e ele viu que eu tinha potencial para redator publicitário. E foi assim que eu comecei: no meio da faculdade de direito e fazendo Tiro de Guerra. Eu escondia o trabalho na agência porque, para mim, aquilo era uma coisa que ia na contramão do que eu estava cursando. Eu não sabia se estava fazendo a coisa certa (risos).
JC - E estava?
Alexandre - Estava acertando muito. Eu me formei em direito e dei um tempo para a cabeça. Fiquei uns seis meses decidindo quais caminhos seguir. Fui atrás da formação em publicidade. Fiz pós-graduação na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), que me deu subsídios para tocar a minha carreira do ponto de vista de formação técnica, porque eu já estava atuando.
JC - De lá para cá...
Alexandre - De início, eu trabalhei em uma agência que também teve uma grande relevância, a “Causa e Efeito”. Depois, abrimos a Empório Comunicação: eu, o Lupércio, a Sandra Nascimento e o Edmilson Cabelo. Trabalhamos juntos de 1997 a 2007, em Bauru. Foi uma experiência riquíssima, porque tivemos o privilégio de trabalhar com empresas como Unimed, General Motors e Rede Chevrolet, trabalhos que deram vitrine para a minha carreira.
JC - Foi quando surgiu a mudança para São Paulo?
Alexandre - Sim. Em 2007, eu recebi um convite para atuar no Grupo Publicis, que atende a conta da Chevrolet e GM em todo o Brasil. Foi desafiador e fiquei na empresa até 2010.
JC - Partiu em busca de novos desafios?
Alexandre - Aqui, eu tive uma experiência como empreendedor. E esse DNA sempre continuou latente, gerando uma grande dúvida: eu deveria assumir a minha vocação ou continuar com meu bom cargo? Há uma expressão que eu gosto muito do latim, “amor fati”, que significa “ame o seu destino”. Isso remete à aceitação, resiliência e aderência ao que você nasceu para fazer. Usando isso como ponte, eu tirei férias para o lugar mais diferente e distante para pensar. Fui para o Japão, uma viagem riquíssima, de muito aprendizado. Mantenho ótimas relações com a empresa, mas acabei colocando em prática uma nova agência em 2010: a Axle.
JC - Apesar de jovem, a agência já colhe frutos?
Alexandre - Vem sendo uma experiência riquíssima. Em São Paulo há mais de mil agências, e a gente conseguiu construir o nosso espaço em determinados nichos, como a área farmacêutica. Existem doenças muito raras. A Doença de Crohn é uma delas. E nós tivemos a oportunidade de criar campanhas de conscientização sobre essas enfermidades. Acabamos ganhando um prêmio global como a melhor estratégia de comunicação para a conscientização da Doença de Crohn da “Abbott”, uma companhia norte-americana de produtos farmacêuticos e cuidados com a saúde. Trabalhamos com a Editora Saraiva, com uma empresa do Banco Itaú, entre outras.
JC - Sobre as viagens...
Alexandre - Eu sempre gostei muito de mitologia grega e a Grécia foi o primeiro país do meu roteiro, que teve início em 2002. Fui com uma grande amiga e companheira de viagem, a Lucinéia. Nunca parei. Na sequência, fui para Buenos Aires levar minha avó para ver uma apresentação de tango. Fico emocionado ao lembrar, porque foi muito especial. A ideia foi ouvir as histórias e conhecer mais a minha avó. Linda. Foi um sonho. E Buenos Aires é uma cidade muito especial para mim, já fui mais de dez vezes com a família, amigos, sozinho. Também fiz um intercâmbio na Inglaterra, conheço a Espanha, Itália, Portugal, Alemanha... e logo irei para a Dinamarca.
JC - O que você prioriza em suas viagens?
Alexandre - Não só as descobertas dos lugares, mas a descoberta de mim mesmo. Viajar mostra como podemos ampliar a nossa visão de mundo e a visão de nós mesmos inseridos neste mundo que é tão rico. Ela amplia fora e dentro, sempre. Eu valorizo muito a liberdade, e qualquer viagem proporciona isso. Como diz a minha mãe, eu nasci com rodinhas nos pés e asas nas costas (risos). Viajar é um investimento de vida. Mas se você me perguntar sobre minha viagem inesquecível, vou dizer que é a vida. Por mais difícil que a vida possa ser, ela é extremamente generosa no que tira e agrega, só precisamos desenvolver essa percepção.
JC - Um momento especial em sua vida.
Alexandre - Minha vida é feita de momentos muito especiais. E outra referência muito grande da minha infância foi o nascimento da minha irmã Catinha, em 1980. Ela foi um grande presente e, ao mesmo tempo, uma grande revolução e aprendizado. Houve uma grande reconfiguração acentuando a união entre todos. Se tínhamos um grande núcleo familiar, ele ficou ainda mais fortalecido. A Catinha é muito musical. A gente se ama e se entende pra valer. Tivemos uma passagem muito especial. Ela adora um grupo do qual sou muito fã, o Pet Shop Boys. Os músicos fizeram um show, há alguns anos, exatamente no aniversário dela. Fomos para São Paulo, na época eu ainda morava aqui, e foi incrível, a experiência mais emocionante com a minha irmã.