O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse neste domingo (27) que o grupo militante palestino Hamas violou sua própria oferta de trégua humanitária de 24 horas em Gaza. Questionado se Israel aceitaria a oferta de trégua, Netanyahu disse à CNN: “O Hamas não aceita o seu próprio cessar-fogo, continua disparando contra nós, enquanto nós falamos”. Netanyahu acrescentou que Israel “sempre vai tomar toda a ação necessária para proteger o nosso povo”.
Os militantes islâmicos do Hamas disseram que haviam oferecido uma trégua humanitária de 24 horas em seu conflito com Israel na Faixa de Gaza.
“Foi acordado entre as facções de resistência 24 horas de trégua humanitária”, afirmou mais cedo o porta-voz do Hamas, Sami Abu Zuhri, acrescentando que a trégua começaria às 8h (horário de Brasília).
No entanto, no horário previsto, o som de pesado bombardeio israelense pôde ser ouvido dentro de Gaza e sirenes soaram em comunidades israelenses perto da fronteira, sugerindo que militantes palestinos haviam disparado mísseis contra eles.
Israel havia cancelado a própria trégua de 24 horas no início do dia depois que o Hamas lançou mísseis contra o sul e o centro de Israel. Médicos palestinos disseram que pelo menos 10 pessoas morreram na nova onda de ataques em Gaza.
Cerca de mil palestinos, a maioria civis e muitas crianças, foram mortos no conflito de 20 dias. Israel diz que 43 de seus soldados morreram, além de três civis.
Obama pede trégua ‘imediata’
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, conversou ontem por telefone com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, para pedir um cessar-fogo imediato e duradouro na Faixa de Gaza, segundo a Casa Branca.
De acordo com as informações divulgadas pela presidência americana, Obama “deixou claro o imperativo estratégico de instituir um imediato e incondicional cessar-fogo que acabe com o confronto e leve a uma paralisação permanente das hostilidades, baseada no acordo de novembro de 2012”.
O presidente acrescentou que “qualquer solução duradoura para o conflito entre Israel e Palestina deve assegurar o desarmamento de grupos terroristas e a desmilitarização de Gaza”.
Em São Paulo e no Recife manifestações reuniram israelenses e palestinos pela paz em Gaza
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Nelson Antoine |
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Manifestantes pró-palestina em ato na Avenida Paulista, em São Paulo |
Duas manifestações relacionadas ao atual conflito na faixa de Gaza aconteceram ontem em São Paulo.
No primeiro ato, ocorrido no parque do Ibirapuera, cerca de 30 pessoas realizaram uma “caminhada pela paz”, percorrendo uma das vias internas do parque.
Organizado pelos promotores de justiça Roberto Livianu - judeu - e Laila Shuhukair - de origem palestina -, dirigentes do Movimento do Ministério Público Democrático, o ato reuniu simpatizantes de israelenses e palestinos e tinha como tema “Pouco importa quem tem razão, o que importa é a paz”.
Livianu considerou a manifestação do porta-voz da Chancelaria de Israel “lamentável”. Na última quinta, um porta-voz israelense classificou o Brasil como um “anão diplomático”. “O Brasil não pode ser tratado dessa maneira, e tenho certeza de que essa manifestação não representa o pensamento do Estado de Israel”, disse Livianu
ATO PRÓ-PALESTINOS
Também ontem em São Paulo, outro ato, este inteiramente pró-Palestina, saiu da praça Oswaldo Cruz, na avenida Paulista, em direção ao Ibirapuera, por volta do meio-dia. Segundo a Polícia Militar, a concentração do ato reuniu cerca de 250 pessoas.
O protesto foi organizado pela Frente em Defesa da Luta do Povo Palestino, que reúne palestinos, simpatizantes, partidos de esquerda como PSTU e movimentos sociais como MST e MTST.
“Não é uma guerra convencional, é um genocídio”, afirmou um dos organizadores do ato, Mohammad El Kadri. “O governo brasileiro foi até moderado na nota, outros países condenam veementemente o massacre de civis”. “A postura ainda é light”, disse, sobre a posição do Itamaraty quanto à escalada da violência na última semana.
Recife
Representantes do projeto mobilização “Basta! Eu quero paz em Gaza” se concentraram ontem no Marco Zero, no Recife Antigo, com faixas e cartazes para pedir o fim do conflito entre israelense e palestinos na Faixa de Gaza.
“Não vamos levantar a bandeira de Israel nem da Palestina. Queremos paz e que essa situação se resolva sem conflito”, disse um participante, acrescentando que deseja chamar a atenção para o “massacre aos cidadãos civis”.
Papa pede paz em Gaza, Iraque e Ucrânia
O papa Francisco fez um apelo emocionado pela paz neste domingo (27) durante seu discurso semanal de Angelus na Praça de São Pedro. Ele pediu que as autoridades do Oriente Médio, do Iraque e da Ucrânia busquem o caminho da paz, o bem comum e o respeito pela pessoa, “abordando cada disputa com a tenacidade do diálogo e da negociação e com o poder da reconciliação”.
Com a voz aparentemente emocionada, o papa saiu do script do seu discurso, para fazer um apelo direto pelo fim dos combates. “Parem, por favor! Eu lhes peço de coração, está na hora de parar. Parem, por favor!”