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Arquivo/Malavolta Jr. |
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"Vamos começar uma campanha de oração para ver se resolve”, ironiza Bussola |
Não foi bem recebido na Câmara Municipal o projeto do governo que concede benefícios aos médicos da rede, sem garantia de solução ou contenção da crise que tem provocado a interrupção de atendimento nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) por falta de profissionais. Presidente do Legislativo, Sandro Bussola (PT) afirmou, na tribuna, que o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) está se escondendo do problema.
“Mandam o projeto porque facilita para o lado deles. A administração se esconde e, para a população, diz que o abacaxi está aqui, mesmo sabendo que essa proposta não vai adiantar nada. Vamos começar uma campanha de oração para ver se resolve”, ironizou o petista.
Para Bussola, em outras oportunidades o governo agiu de forma semelhante, inclusive na área da Saúde. “Quando debatíamos o estatuto da Fundação de Saúde, diziam que a solução dos problemas dependia dela e, consequentemente, da sua aprovação na Câmara”.
Paulo Eduardo de Souza (PSB) pontuou que a Comissão de Saúde do Legislativo, a qual preside, irá avaliar a eficiência do projeto, levando em conta as demandas no atendimento à população. Roque Ferreira (PT), por sua vez, chamou a proposta de capenga.
Já o líder da oposição, Lima Júnior (PSDB), afirmou que a administração municipal continuará refém dos médicos da rede, por não se propor a discutir, não apenas condições salariais, mas um novo modelo para a carreira da categoria.
“Nós já gastamos R$ 180 milhões ao ano para ter uma resolutividade pífia na Saúde. Já estamos no limite de gastos com pessoal da Lei de Responsabilidade Fiscal e ainda vem aumento salarial de todas as ordens por meio de um projeto que o próprio governo acredita que não vai dar em nada”, disparou o tucano.
Proposta
Como vem mostrando o Jornal da Cidade, os médicos não têm se disponibilizado para cumprir plantões extras aos finais de semana e feriados. A remuneração oferecida por 12 horas de trabalho é de R$ 1.450,00.
Na tentativa de estimular a categoria a colaborar, a prefeitura propõe a redução de 20 para 15 horas semanais na jornada de trabalho dos médicos da saúde básica, sem diminuição de salário. A medida aumentaria o valor da hora trabalhada pela categoria, o que garantiria aumento real de 33% nos vencimentos dos médicos da rede de urgência e emergência.
Contudo, pesquisa promovida pela própria Secretaria de Saúde revelou que apenas 43% dos médicos estão dispostos a colaborar com os plantões extras. Titular da pasta, Fernando Monti observou que a maioria dos profissionais dispostos já dá plantões extras, o que tornaria a proposta ineficaz.
Ainda assim, o prefeito decidiu submeter a proposta à Câmara, acreditando que as melhorias poderão atrair mais médicos para a rede, que, só na urgência e emergência, possui déficit de 69 profissionais.
Responsáveis
Diante do cenário, Carlão do Gás (PR) voltou a pedir que os médicos colaborem com a administração, diante dos benefícios que estão sendo oferecidos. Já Telma Gobbi (PMDB), que é médica, isentou de responsabilidade os profissionais da categoria. “Não pode ser culpa do médico se, de segunda à segunda-feira, a UPA Bela Vista depende de plantões extras para profissionais. Não tem ninguém escalado lá em jornada regular”.
Outro médico da Câmara, Raul Gonçalves Paula (PV) também defendeu discussão mais ampla sobre o problema e sugeriu que o município busque exemplos em outras cidades. Em Sumaré, a prefeitura cobre escalas de plantões com médicos não-concursados, via contratação de pessoa jurídica.
R$ 3,1 mi
O projeto do prefeito Rodrigo Agostinho foi lido na sessão legislativa de ontem. Antes de ser votado, será submetido à apreciação das comissões internas da Câmara. No formato atual, as propostas do governo custariam, só em 2015, R$ 3,1 milhões. O valor é superior aos 2,4 milhões anunciados inicialmente, pois a administração estendeu a redução de jornada a veterinárias, médicos do trabalho e dentistas. Como há profissionais da última categoria que atuam na rede de urgência e emergência, há também implicações orçamentárias.
Além disso, a administração está oferecendo vantagens de 4% para seis horas de trabalho e 8% para 12 horas de trabalho a todos os servidores – com exceção dos médicos – que atuam na rede de urgência e emergência.