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A taxa média de juros nas operações de crédito ao consumo alcançou em junho o maior valor da pesquisa de crédito do Banco Central (BC), iniciada em março de 2011. Isso significa que a queda da inadimplência e do custo do dinheiro para os bancos no primeiro semestre não foi repassada ao consumidor.
Os juros do chamado crédito livre para pessoas físicas subiram de 42,5% ao ano em maio para 43,0% ao ano em junho. No final de 2013, a taxa estava em 38% ao ano. Desde dezembro, o “spread” bancário nesse segmento do crédito aumentou 5,5 pontos percentuais, para 31,3 pontos percentuais. Já o custo do dinheiro para os bancos recuou 0,5 ponto.
O “spread” é a parcela da taxa influenciada por fatores como calotes, tributos, despesas e o ganho das instituições financeiras. A queda no custo de captação de recursos dos bancos reflete a mudança na expectativa em relação aos juros. O BC já vem sinalizando há alguns meses, e reforçou essa mensagem na semana passada, que não vai mexer mais na taxa básica este ano.
O aumento dos spreads tem se dado nas linhas de maior risco para os bancos. Entre as taxas em que os juros mais subiram desde o fim de 2013 está o cheque especial, que passou de 147,9% para 171,5% ao ano. O crédito pessoal sem desconto em folha de pagamento avançou de 86,1% para 100,3% ao ano.
Nas linhas com risco menor e mais concorrência entre os bancos, por outro lado, as taxas ficam praticamente estáveis no período. É o caso do financiamento de veículos (23%) e do crédito com desconto em folha (consignado), que está em 23,6% para servidores públicos, 27,9% para beneficiários do INSS e 32,4% para trabalhadores do setor privado.