Com mais de 500 registros de pontos com problema, o Departamento de Água e Esgoto (DAE) suspendeu os mutirões para reparos em vazamentos de água nas regiões de Bauru de forma temporária. O motivo é o déficit de funcionários nas equipes de Divisão Técnica da autarquia. O efetivo atual tem de atender outras demandas, consideradas prioritárias, como os remanejamentos nas redes de água e esgoto, além do término das obras no poço Zona Norte, que reforçará o abastecimento no Jardim Nova Bauru, Pousada da Esperança 1 e 2, Vila São Paulo, Jardim Ivone, entre outros.
De acordo com o presidente da autarquia, Giasone Cândia, os 70 funcionários da Divisão Técnica são distribuídos em cinco regiões. Durante os mutirões, todos eram remanejados para uma única área, deixando as demais desassistidas. “Enquanto fazíamos mutirões em uma região, os casos de vazamentos aumentavam nas outras”, explica Cândia.
Esta questão, aliada ao déficit de servidores no setor, levou o DAE a suspender, de forma temporária, a realização dos mutirões.
O presidente da autarquia acrescenta ainda que seriam necessários, pelo menos, mais 20 funcionários para que toda a demanda fosse atendida com tranquilidade. “Porém, nós esbarramos na Lei de Responsabilidade Fiscal, que impede a contratação de novos servidores quando os custos com a folha de pagamento chegam a 51,3% da sua Receita Corrente Líquida (RCL)”, reitera Cândia. Diante disso, apenas os vazamentos de água considerados prioritários, ou seja, com grande desperdício, recebem reparos de forma rápida.
“Eu reconheço que os vazamentos tomam conta de algumas regiões. Eles são causados, porque os equipamentos são muito antigos e deveriam ser trocados, mas não há orçamento para tanto”, reitera o presidente do DAE.
Porém, Cândia alega falta de efetivo e a existência de muitos servidores em férias, que foram concedidas para contemplar questões internas do órgão. Por isso, em algumas áreas, a equipe técnica chega a demorar mais de um mês para realizar reparos em pequenos buracos. “Nós trabalhamos dentro das nossas condições”, justifica.
Reclamações
De acordo o presidente do DAE, Giasone Cândia, a autarquia registrou, até anteontem, 431 reclamações de vazamentos nas ruas de Bauru, além de 135 transbordos nas calçadas, totalizando 566 pontos de escapes.
Os mutirões foram idealizados justamente para dar conta de toda esta demanda. Só neste ano, os servidores da autarquia participaram de 12 processos como este, consertando, em média, 60 vazamentos de água durante cada uma das mobilizações.
Porém, com a ausência dos mutirões e o déficit de funcionários, os reparos já começaram a atrasar, deixando moradores de algumas regiões de Bauru inconformados com o desperdício de água.
Na região do Jardim Vânia Maria, três transbordos foram encontrados só na quadra 10 da rua Dona Marieta França. Entre as ruas Aniceto Abelha e Alto Acre, na mesma região, também havia desperdício. Uma equipe da Divisão Técnica da instituição iria até os locais ontem para realizar os consertos.