Muitas vezes usamos expressões preconceituosas e não temos consciência do que falamos. “A coisa está preta” é tão preconceituosa como: “oh! me esqueci, deu branco!” Por que preto é sinal de ruim e branco de vazio e esquecimento? Nem sempre é por mal, mas a raiz e a história traz esta maldade. A nota na escola é vermelha quando ruim por que se assemelha aos peles vermelhas indígenas? Quantas músicas tem na letra a palavra judiação e judieira: por que maltratar e ter dó só tem a ver com judeus?
Um grande jornal deu em letras garrafais em seu caderno ilustrado de cultura: DEU BRANCO! Falava sobre o lançamento de um livro de fotografias com albinos. Que mau gosto e inoportuno “a manchete”, além de outras incoerências e erros conceituais. Dizia ao discorrer que o fotógrafo conseguiu dar vida nos ensaios por que usou roupas e maquiagens. Se a intenção era ressaltar a obra com albinos, se eu fosse um deles estaria agora muito chateado.
A cor da pele é determinada principalmente pelo pigmento melanina que tende ser acastanhada para o negro, vermelho ou amarelo. O aminoácido tirosina é ingerido dos alimentos ou produzido pelo próprio corpo, sendo importante na fabricação de vários hormônios. Na pele, os melanócitos transformam a tirosina em pigmento de melanina dentro de vacúolos, ditos melanossomos, graças à ação da enzima tirosinase. A melanina pronta é doada às células da pele para recobrir o seu núcleo como um chapéu a fazer sombra ou barreira aos raios solares que tem ação modificadora nos genes, induzindo o câncer de pele.
Nos albinos, há um defeito genético herdado com falta da tirosinase e não se produz melanina. A pele, íris, cabelos e pelos ficam brancos e sem a proteção oferecida pela melanina. A luz do dia não convêm, pois pode se facilmente adquirir-se o câncer de pele; graças a isto os albinos são “os filhos da lua”, por exercerem atividades noturnas. Entre outras se tem ainda a dificuldade em distinguir obstáculos durante o andar por falta de melanina na íris.
Os índios foram chamados de peles vermelhas muito mais pelos desenhos e cores vermelhas do urucum como pigmento rubro em suas ornamentações do que propriamente por ter revestimento vermelho em seus corpos. Os orientais são ditos de pele amarela, mas na realidade não a tem. Exploradores ocidentais viram muitos orientais tomando banho nas águas amareladas do rio Mekong. Como os pigmentos que existiam nestas águas eram amarelados e grudavam externamente na sua pele, deixava-os aparentemente amarelados, mas a sua pele não é amarela.
Além dos 12 mil albinos, entre nós temos os ruivos com sua pele clara, pelos e cabelos vermelhos. Ao fenômeno dos albinos referimos como albinismo e para os ruivos se fala rutilismo. No cromossomo 16 tem-se um gene do receptor melanocortina 1 ou MC1R que controla a cor dos cabelos e da pele via produção de melanina. Nos ruivos há uma mutação genética recessiva neste gene.
Os ruivos representam 2% dos humanos ou 140 milhões de pessoas, sendo mais frequente no norte ou oeste europeu. Entre os neandertais, muitos eram ruivos. Onde se tem mais ruivos é no Reino Unido formado pela Inglaterra, País de Gales, Escócia e Irlanda do Norte. Na Escócia entre 10 a 13% das pessoas são ruivas. Talvez isto explique por que nos contos infantis e juvenis as fadas, madrinhas e princesas são quase todas ruivas. E lindas! Os autores eram escoceses ou ingleses!
Os humanos tem dois tipos de melanina: a eumelanina acastanhada até preta e a feomelanina que tende ao vermelho ou amarelo. Nos ruivos a quantidade de feomelanina é maior, graças a esta mutação genética que por ser recessiva precisa estar nos dois pais para que o filho tenha seus pelos e cabelos vermelhos.
Nos EUA são seis milhões ruivos que podem ter mais câncer de pele relacionados ao sol e do tipo melanoma. Da mesma forma, são mais sensíveis a dor e tem maior dificuldade de ser anestesiados, assim como podem ser mais acometidos por algumas outras doenças.
Os ruivos já foram muito perseguidos no passado, mas hoje todos sabem que são apenas tipos diferentes de seres humanos desejados, lindos e admirados, e por muitos.
Viva a diferença!