O esporte brasileiro abre nesta terça-feira duas contagens: uma regressiva e outra, espera-se, progressiva.
A primeira refere-se aos Jogos Olímpicos do Rio. Se tudo ocorrer dentro do padrão COI, a Pira Olímpica será acesa no dia 5 de agosto de 2016, no Maracanã. Até lá, são dois anos de trabalho intenso pela frente.
Ontem, usando uma metáfora curiosa entre a diferença de uma banana e uma maçã, o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), pediu o fim das comparações com Londres, sede das últimas Olimpíadas.
“O metrô de Londres tem mais de 100 anos”, bradou o prefeito enquanto mostrava, no telão, uma banana e uma maçã. Segundo ele, 55% das instalações olímpicas estão prontas. Banana para os pessimistas.
A outra contagem, que esperamos ser progressiva, começa hoje no Senado. A Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte pode ser votada. Assim querem as partes envolvidas (governo, clubes devedores e jogadores representados pelo Bom Senso FC).
Considerada a salvação financeira dos times, a proposta soma os débitos de um clube com o Imposto de Renda, o FGTS, o INSS, a Timemania e o Banco Central. A pancada final será parcelada em 25 anos.
O Bom Senso FC entra com a expectativa de que alguns “desde que” sejam aprovados, como o rebaixamento do time que não honrar com as parcelas, atrasar salários ou antecipar direitos de TV ou patrocínios.
A intenção ainda é melhorar isso, processando os gestores infratores por ato de gestão temerária, que prevê uma pena entre dois a oito anos de detenção, além de multa. No papel, banana, digo, bacana.
Nessa salada de frutas, quem acredita no discurso das bananas e maçãs do prefeito do Rio, ou na aprovação e (mais importante) na aplicação da Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte, luta contra o pessimismo. Esse, diz que sonhar com tudo isso seria apenas otimismo exagerado.
Crer que tudo vai sair do papel, por aqui, beira a ingenuidade. Com fruta pra lá, fruta pra cá, é melhor prestar atenção no que diz o velho ditado: “A ilusão é uma casca de banana”. Cuidado para não escorregar nela.