Recentemente, o jornal das 7h abordou matéria sobre um roubo havido na cidade de São Paulo. Uma mulher, tirada violentamente do carro sob a mira das armas, conseguiu fugir e ligar para a polícia. Durante a perseguição, os marginais perderam o controle, trombaram e trocaram tiros com a polícia. Um dos criminosos morreu e outros três foram baleados, sendo um deles menor de idade. Ao final da notícia, a repórter, ainda no pronto-socorro para ter informações do estado de saúde dos bandidos, anunciou que a polícia iria investigar por que os quatro bandidos foram baleados, se se encontrou apenas três armas. A partir daqui, o escárnio pede passagem.
Tentemos entender a lógica diabólica: os policiais teriam que pedir trégua para que o "não armado" saísse de cena e, então, recomeçassem a atirar? Ou será que deveriam se expor num bom campo de visão para praticarem tiro ao alvo apenas contra os que disparavam? Talvez devessem pedir aos armados que ficassem à direita e, ao não armado, à esquerda? Tentemos entender de novo! Qual a preocupação da imprensa, sempre movida pelos prestimosos serviços em nome dos Direitos Humanos, em saber o estado de saúde dos marginais e pressionar a polícia para explicar como, no calor do tiroteio criminoso, quatro teriam sido baleados, se apareceram três armas!? Ora, foram baleados porque escolheram viver nas vielas sujas do crime! E porque renunciaram ao direito de uma prisão pacífica quando atentaram contra a sociedade e tentaram matar agentes da lei que, além de servidores públicos em serviço, também são pais e maridos. Não bastaria isso para explicar por que foram alvejados?
Em contrapartida, por que nada falaram da vítima, aterrorizada pelo roubo e quase morta? Por que não a procuraram para perguntar se teve medo de morrer? Ou se seu automóvel seria segurado? Ou da sensação de ter perdido seu patrimônio para um maldito menor de idade, armado e perigoso? Por que não se cogita perguntar ao cidadão, estes sempre vítimas de bandidos impiedosos, se os policiais não mereceriam medalhas e bônus, ao invés de investigação e afastamento das funções?
Não são os bandidos que me dão medo; é essa lógica perversa de inversão de valores, alimentada pela máquina burocrática, incompetente e ineficiente do governo federal, com a omissão criminosa de um Congresso superlotado de iguais delinquentes. Nesse cenário dantesco, em nome do crime a bandidagem pode dizer amém todas as manhãs.
Ivan Garcia Goffi