11 de julho de 2026
Geral

Campanha arrecada R$ 14 mil, mas família precisa de R$ 110 mil

Márcia Duran, Cinthia Milanez, Tisa Moraes e Ana Borges
| Tempo de leitura: 5 min

A mobilização de internautas que ficaram sensibilizados com o desespero do desempregado Donzílio Quaggio Merli, 52 anos, que se acorrentou a um poste em frente ao Fórum de Bauru, na noite de quarta-feira (6), após não conseguir, na Justiça, um eletrodo para ser implantado na coluna da filha, já arrecadou R$ 14 mil, mas a família necessita de R$ 110 mil.

Éder Azevedo

Ana Carolina Merli, 28 anos, sente dores insuportáveis

Ana Carolina Quaggio Merli, 28 anos, precisa deste equipamento, já que a cirurgia será feita gratuitamente no Hospital das Clínicas de Botucatu. Para ajudar, internautas criaram o grupo “Faça sua parte também, ajudando quem realmente merece” que pretende arrecadar o dinheiro.

De acordo com Géssica Cristina de Almeida, idealizadora da iniciativa, o grupo foi criado logo depois que ela descobriu a história de Merli. “Eu li a história e fiquei comovida. Consegui o telefone do pai e, quando falei com ele, meu coração apertou. Eu tinha de fazer alguma coisa para ajudar”, explica a internauta.

Géssica acrescenta que o intuito da iniciativa é mobilizar os demais usuários da rede para que compartilhem a história do pai, se sensibilizem com ela e, assim, façam uma doação de qualquer valor. “Bauru é uma cidade grande. Se cada um for até este pai e doar R$ 1,00, não fará diferença alguma para vocês, mas será a solução para amenizar a dor da filha dele”, descreve a internauta, na descrição da página do grupo no Facebook.

Campanha

Para aqueles que quiserem ajudar, basta depositar qualquer valor para a conta corrente 09883-4 e agência 1657, do banco Itaú. Mais informações podem ser obtidas por meio dos telefones (14) 3011-2060, 3011-2473 ou 99686-2060.

 

A história

Conforme o JC publicou, Donzílio Quaggio Merli se acorrentou a um poste em frente ao Fórum de Bauru na última quarta-feira porque não conseguiu, na Justiça, um dispositivo de R$ 110 mil para ser implantado na coluna da filha, Ana Carolina Quaggio Merli, 28 anos, que sofre de dores crônicas por conta de uma lesão. Ele chegou ao Fórum às 19h e foi embora meia-noite.

“Eu fui convencido a sair de lá pelo advogado de um vereador, que disse estar disposto a me ajudar”, esclarece o pai. Ele afirma que a Justiça deferiu o pedido de liminar no dia 5 de junho deste ano, determinando que o Departamento Regional de Saúde (DRS-6) providenciasse o eletrodo dentro de 30 dias, sob pena de responder por crime de desobediência e bloqueio de verbas públicas.

João Rosan

Donzílio Quaggio Merli se acorrentou a um poste em frente ao Fórum

Contudo, após a notificação, o órgão alegou que o procedimento só deve ser realizado em último caso. Em nota, a assessoria de imprensa da Procuradoria Geral do Estado de São Paulo informou que o tratamento para dor crônica prevê elenco de procedimentos medicamentosos e não medicamentosos e o implante cirúrgico não está elencado como forma de tratamento. “Sendo assim, tal procedimento somente deve ser realizado caso os tratamentos previstos na disciplina estabelecida pelo Ministério da Saúde não sejam eficazes”, conclui a assessoria.

A argumentação do Estado acabou sendo acolhida pela Justiça, fato que gerou o protesto do pai em frente ao Fórum. “Melhor analisando os autos, nota-se que restou controvertida a necessidade de realização da referida cirurgia, vez que ficou comprovado que a impetrante não esgotou as possibilidades dos tratamentos medicamentosos e não medicamentosos, previstos na Portaria do Ministério da Saúde”, afirmou a juíza Regina Aparecida Caro Gonçalves, da 1ª Vara da Fazenda Pública, na sentença.

Em ação

Muitos bauruenses ficaram sensibilizados com o desespero do pai de Ana Carolina. Dois empresários entraram em contato com o JC demonstrando interesse em fazer doações consideráveis.

Um deles até sugeriu para que um grupo de empreendedores se juntasse com o intuito de arrecadar todo o dinheiro necessário para a compra do eletrodo de R$ 110 mil, que deverá melhorar a qualidade de vida da jovem.

A doença

Há seis anos, Ana Carolina Quaggio Merli, 28 anos, sofreu uma queda que fraturou sua coluna. Ela foi submetida a três procedimentos cirúrgicos, mas a dor crônica resultante do trauma continua com intensidade inexplicável, conforme ela mesma relata. “Começa nas costas e passa por todo o corpo. Não consigo nem sentir as pernas”, descreve.

No relatório médico, consta que a paciente sofre de dor neuropática por lesão raquimedular e síndrome pós-laminectomia. O professor de patologia e pesquisador Alberto Consolaro explica que a fratura ocorrida quando Ana Carolina caiu provocou um trauma no tecido nervoso existente dentro da coluna.

“Imagine fios elétricos correndo dentro de tijolos empilhados. Se você quebra um dos tijolos, certamente irá atingir os fios elétricos. E este trauma pode alterar a maneira como esses fios continuarão enviando os impulsos elétricos para a ‘central’. No caso dela, esta central é o cérebro, que passou a acusar esta alteração como dor”, simplifica.

De acordo com relatório elaborado pelo neurologista Luis Gustavo Ducati e anexado ao processo, a jovem utiliza diversas medicações para controlar a dor, mas tudo é em vão.

O especialista destaca que estes medicamentos deixam a paciente extremamente sonolenta, impedindo que ela participe de qualquer outra atividade, como estudar e trabalhar. Para melhorar a qualidade de vida de Ana Carolina, o neurologista chegou à conclusão de que o implante do eletrodo epidural seria a única solução.

“Toda sensação que temos é um impulso elétrico que vai até o cérebro. E o eletrodo dispara cargas elétricas que conseguem regularizar estes estímulos, o que alivia a dor. Há casos em que a dor é tão intensa, que somente o eletrodo consegue neutralizar”, completa Consolaro.