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João Rosan |
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Com nível do rio em queda, existe o risco de falta d’água na cidade |
A lagoa de captação de água do Rio Batalha, que atende 40% da população de Bauru, baixou 17 centímetros em 48 horas e acendeu o alerta para o risco de desabastecimento. Segundo informações do Departamento de Água e Esgoto (DAE), caso o tempo seco persistir, em 15 dias, as 150 mil pessoas que recebem água do manancial poderão sofrer com racionamento, uma realidade que já é imposta ao de diversos municípios do Estado.
A área que pode ser afetada abrange o Centro, zona sul (regiões do Jardim Estoril e Altos da Cidade) e zona oeste (regiões das vilas Falcão e Industrial e jardins Bela Vista e Ouro Verde).
Apesar da pouca quantidade de chuva que vem sendo registrada durante todo este ano, os níveis do rio vinham se mantendo dentro da normalidade. Mas a “luz amarela” foi acesa na tarde da última quarta-feira, quando a profundidade considerada normal, de 2,60 metros, começou a diminuir.
Na tarde de ontem, a superfície do Batalha já estava em 2,43 metros. “O nível está baixando em um ritmo bastante rápido, de 8,5 centímetros por dia, e, se não chover, nossa expectativa é de que chegue a um metro em 15 dias. Nesta situação, a terceira bomba poderá ser desligada”, comenta o diretor da divisão de produção do DAE, José Brazoloto.
A autarquia conta, atualmente, com quatro bombas de captação de água, que funcionam em sistema de revezamento. Duas funcionam ininterruptamente, a terceira é ligada nos horários de pico de consumo – no início da manhã e à noite, quando a vazão chega a 570 litros por segundo, e uma sempre fica inativa, como reserva.
Portanto, caso a quantidade de água disponível na lagoa de captação não for suficiente para o funcionamento da terceira bomba, Brazoloto adianta que haverá desabastecimento nos horários de maior consumo. “Se o nível do rio chegar a menos de um metro, poderemos fechar o registro de alguns bairros em horários pré-determinados, com o objetivo de fazer a distribuição mais justa possível da água”, pontua.
Uso racional
Diante desse cenário, o DAE alerta para o uso consciente e racional da água, em que os consumidores devem adotar medidas para evitar o desperdício, como, por exemplo, usar baldes ao invés de mangueiras para lavar calçadas e carros, tomar banhos mais curtos e deixar a torneira fechada enquanto escova os dentes ou faz a barba.
A autarquia salienta a importância de cada residência ter caixa d’água de tamanho adequado – 200 litros por morador – para garantir o abastecimento ao menos durante 24 horas em caso de interrupções no sistema.
Para tentar reduzir as chances de desabastecimento, o DAE segue perfurando novos poços. Alguns deles, inclusive, poderão contar com extensões de rede que funcionarão como alternativa para regiões que recebem, hoje, água só do rio Batalha.
Um exemplo é o poço Val de Palmas, que deverá ser inaugurado em setembro e que terá capacidade de distribuir água para a Vila Industrial e parte da Vila Falcão. Para o ano que vem, há previsão de início de funcionamento do poço Imperial (que poderá levar água para Parque das Nações e Jardim América), poço do Jardim TV (alternativa para parte do Centro) e poço Padilha (que poderá ser fonte de água para o Jardim Bela Vista).
Tempo seco segue nos próximos dias
Bauru permanece com tempo seco pelo menos até a próxima terça-feira, segundo informações do IPMet. Mas uma frente fria que avança pelo Oceano Atlântico, na altura do litoral paulista, favorece o aumento de nebulosidade.
O fim de semana será de sol entre poucas nuvens, mas sem chuvas, com temperatura mínima de 15 graus durante a madrugada e máxima de 26 ao longo do dia. Entre segunda e terça-feira, a previsão é de predomínio de sol e termômetros marcando até 30 graus. A probabilidade de ocorrência de pancadas de chuva aumenta entre quarta e quinta-feira.
Seca histórica
De acordo com estatísticas do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), nos primeiros sete meses deste ano, choveu 521,9 milímetros em Bauru, o nível mais baixo dos últimos 12 anos para o período. O acumulado equivale a quase metade dos 1.007,4 milímetros contabilizados de janeiro a julho de 2013 e perde somente para os 511 milímetros registrados em 2002, no mesmo intervalo.