Unidades do Exército ucraniano, que tinham ficado presas por separatistas na fronteira com a Rússia, saíram do bloqueio nesta sexta-feira (8), reunindo-se novamente com as forças do governo, mas 15 soldados e guardas de fronteira foram mortos na operação.
Fontes militares citadas pela mídia ucraniana disseram que as unidades haviam sido efetivamente cercadas pelos rebeldes em uma parte da fronteira com a Rússia, ao sul da cidade de Lugansk e ao leste de Donetsk.
Depois que as forças do governo abriram um corredor de fuga, as unidades presas foram capazes de forçar sua saída.
"Sete militares e oito guardas de fronteira foram mortos, além de 79 feridos", disse o porta-voz militar Andriy Lysenko.
Os rebeldes, que controlam centenas de quilômetros da fronteira russo-ucraniana, incluindo os principais locais de alfândegas entre os dois países, disseram que cerca de cinco mil soldados ucranianos haviam ficado cercados na região.
Conflito
O Exército ucraniano bombardeou primeira vez na quinta-feira (7) o centro de Donetsk, a principal cidade nas mãos dos separatistas, onde um obus atingiu um hospital, deixando um morto e dois feridos.
Neste contexto, o líder do governo separatista em Donetsk (não reconhecido por Kiev), Alexander Borodai, anunciou sua renúncia. Alexander Zajarchenko, que substituiu Borodai após sua demissão, descreveu a situação como "difícil e tensa", mas afirmou que "a moral está alta".
Enquanto isso, Kiev perdeu duas aeronaves. Um helicóptero teve que realizar um pouso de emergência após ser alvejado por tiros rebeldes, e um caça foi abatido na periferia da cidade de Zhdanivka, perto do local onde o avião da Malaysia Airlines caiu após ser atingido por um míssil em 17 de julho.
"As armas utilizadas para derrubar nossos equipamentos foram fornecidas pela Rússia", garantiu Lysenko.
O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos informa que a crise no leste da Ucrânia já causou a morte de mais de 1.100 pessoas, incluindo as forças do governo, rebeldes e civis.
Com as últimas mortes militares, o número de mortos entre as forças do governo sobe para mais de 400.
Avião
A Ucrânia intensificou a ofensiva contra os separatistas desde a queda do avião da Malaysia Airlines no leste do país, provavelmente derrubado por um míssil lançado a partir de território rebelde.
Os combates levaram à suspensão das buscas pelos restos mortais das vítimas da tragédia do voo MH17, que deixou 298 mortos, incluindo 193 holandeses. O primeiro-ministro holandês Mark Rutte considerou que a equipe de especialistas estrangeiros responsáveis pela missão não poderia prosseguir com os trabalhos nas atuais circunstâncias de segurança.
O governo holandês indicou que os médicos legistas identificaram mais 21 corpos, que se somam aos dois já identificados de um total de 220 caixões transferidos para a Holanda, país que é responsável pela identificação dos corpos.