Na lógica natural da vida, filho é uma mensagem que é mandada pelo pai para um tempo que ele (pai) não vai viver. O pai, geralmente, se esforça para ser bom e, dentro de seus limites, até extraordinário para seu filho. É um processo parecido com o do ensino de matemática: pai bom ensina a matemática numérica; pai extraordinário vai além, ensina a matemática da emoção, que não tem cálculo exato e que rompe as regras da álgebra. Nessa matemática, só multiplica quando se divide, só ganha quando se aprende a perder, só consegue receber, quando se aprende a se doar a todos, começando pelos mais próximos.
No ciclo da vida, bom filho aceita o pai sempre. Até quando ele envelhece e começa a tropeçar, a ficar lento, devagar, impreciso. Filho extraordinário troca de papel e assume a responsabilidade por aquela vida que o gerou e que, agora, depende de sua vida para morrer em paz. É como se, na velhice do pai (e da mãe ), o filho assumisse, curiosamente, sua última gravidez, para devolver os cuidados que lhe foram dados ao longo de décadas, de retribuir o amor recebido. Oferece ao pai uma casa com braços de filho espalhados, sob a forma de corrimões. É a hora que retribui os estímulos recebidos que o preparou para o sucesso e para as derrotas, afinal a vida é um contrato de risco e não há caminhos sem acidentes.
Até quando não sei. Ou melhor, sei sim. Até chegar o dia de dizer como Drummond: "Ó pai, que festa grande hoje te faria a gente. Ai...; velho, ouvirias coisas de arrepiar teus noventa..."
Ser pai é um aviso de que algo maravilhoso chegou para sempre.
Enquanto a "filhisse" não tem obrigações, a paternidade é o tempo em que se vive a doce alegria de contar os segundos que separam pai de cada reencontro com os filhos, próximos ou distantes.
Esse é o movimento natural da vida: sempre se tem a segurança e tranquilidade de ser protegido pelo pai. Depois, vive-se essa grandeza com os filhos, para sempre, sonhando e acreditando neles. Filho só ama o pai, até o fim, porque descobriu o significado dele em sua vida. Ah... se pudesse ter agora o abraço de meu pai! Ah... como desejo estar, eternamente, ao lado dos meus filhos e amá-los de maneira especial e única.
No fundo é uma matemática diferente: pai + filhos = 1 só amor.
Sei que meus filhos me amam de verdade porque, no fundo, identifico que eles seriam quase incapazes de viver sem o pai. Assim, como vivo e revivo, em minha memória, todos momentos de felicidade que tive com meu.
Sei que amo meus filhos porque não sou capaz de viver sem eles.
E é assim que descubro o significado do amor de pai e filhos...
Só o amor de pai me dá condições de estar com meus filhos até o fim! Até o sempre!
Sou feliz porque ao olhar nos olhos dos meus filhos, ouço a fala que diz: - Eu não sei viver sem você!
José Marta Filho -
engenheiro e pai de 3 filhos