08 de julho de 2026
Esportes

Gre-Nal: sua bênção, padre

Mariana Gasparini
| Tempo de leitura: 4 min

Quioshi Goto

Padre Pedro abençoa camisa do Grêmio para o jogo de hoje contra o Inter

Após o desastre da Copa do Mundo, o técnico Luiz Felipe Scolari dará as caras novamente. E será como técnico do Grêmio, seu clube de coração, no clássico contra o Internacional, hoje, às 16h no Beira-Rio, pela 14ª rodada do Brasileirão. Scolari terá consigo um amuleto sagrado: padre Pedro Bauer, da Igreja Nossa Senhora das Graças de Bauru.

O pároco mora aqui, mas nasceu em Sombrio (SC) - a mais de mil quilômetros de distância. E foi em terras catarinenses que a história dos dois se cruzou. “Conheci o Felipe na final da Copa do Brasil, em 1991, quando ele estava no Criciúma. A decisão era contra o Grêmio e, como eu convivia muito com o Tigre, fui chamado para dar uma palavra e rezar com os jogadores”, lembra ele. No primeiro jogo, deu 1 a 1 e no jogo decisivo, 0 a 0. Conclusão: Criciúma foi campeão.

A partir disso, padre Pedro se tornou o amuleto de Felipão e presença cativa nas decisões de campeonatos com a função de abençoar o grupo do xerife, como no jogo eliminatório para a Copa de 2002, contra o Paraguai, e na Libertadores pelo Palmeiras. “Foi tudo dando certo. Nos jogos em que eu ia, ele ganhava. Então minha presença com o grupo começou a se tornar uma superstição”, fala.

Hoje, o padre talismã, que já tinha compromissos no Sul, irá acompanhar a partida e abençoar o treinador que alegou precisar de carinho em sua volta. “Vou ajudar o Felipão a recuperar a autoestima”, espera.


‘Minha relação com o futebol começou com o Noroeste’

A história do padre com o futebol teve o pontapé inicial pelo Noroeste. “Em 1978 fui transferido para cá e, através dos grupos de casais da igreja, conheci o João Gualberto Pires, preparador físico do time, que me convidou para bater um papo com os jogadores”, conta. Padre Pedro lembra que chegou a ver grandes nomes jogando pelo alvirrubro, como Lela, Figueira, Dedê e João Marcos, e criou grandes amizades com todos.

Sua relação com o Criciúma veio através de seu trabalho com o Noroeste. “Eu recebi uma ligação de um antigo amigo dizendo que queria alguns jogadores daqui. Mal sabia eu que ele era o presidente do Criciúma”, diz. E foi assim que o padre chegou ao Tigre. Graças a ele, jogadores como o zagueiro Dedê e o goleiro Alexandre foram para o time catarinense, sendo este último campeão da Copa do Brasil com Scolari.

O padre só lamenta ver a situação do Norusca hoje. “A realidade do time é um desastre. É uma vergonha que uma cidade como Bauru não invista no clube de futebol. Uma pena” fala.

‘Meu Palmeiras’

Palmeirense fanático, o pároco nem titubeia ao dizer que o ponto forte desta antiga parceria foi quando o treinador passou pelo Verdão e ganhou vários campeonatos. “Eu sempre o visitei nos clubes que ele passou. Quando não podia ir pessoalmente, ligava. Na época do Palmeiras, participei de todos os títulos que ele conquistou. Preservo muitas amizades daquela época”, fala.


O padre revela seu ‘pecado’

Apesar da batina, padre Pedro confessou ter cometido um ‘pecado’. Aconteceu na decisão das quartas de final da Copa Mercosul, em 2000, entre Palmeiras e Cruzeiro. A convite de Felipão - na época, treinador da Raposa - o padre foi até Belo Horizonte acompanhar o jogo e dar ‘aquela benção’ aos jogadores. Participou da concentração e da preleção, mas caiu em tentação ao ver o ‘seu’ Palmeiras do outro lado do campo.

Depois de abençoar os jogadores do Cruzeiro, padre Pedro foi até o vestiário do time Alviverde e revelou alguns segredos do técnico para a partida. “Falei sobre um esquema que havia para o Magrão (volante) ser expulso e outro para Arce (lateral direito) não avançar. E ainda disse para Galeano (volante) que o gol da vitória seria dele. E foi. Ganhamos de 2 a 1”, confessa.


O Santo

Apaixonado por futebol que é, padre Pedro tem uma coleção de camisas de clubes pelos quais Felipão passou. Mas em seu guarda-roupa, o manto sagrado é um só. “Tenho camisas como do Chelsea, Portugal, Criciúma e várias outras. Mas a especial é a camisa que o Marcos defendeu o pênalti do Marcelinho Carioca na Libertadores de 2000 e me deu. Esta é sagrada”, conta o padre. 


Retrospecto vitorioso

Em sua terceira estreia pelo Grêmio – após 18 anos longe do clube – Felipão espera que o resultado seja o mesmo das outras duas estreias: a vitória. Na primeira vez, em 1987, o jogo foi contra o Inter de Santa Maria pelo campeonato gaúcho e a segunda, em 1993, contra o Fluminense pelo Brasileirão. Mas o caminho não será fácil. Além de ser seu jogo de estreia, o novo Beira-Rio terá seu primeiro clássico e o tricolor gaúcho não consegue uma vitória contra o Colorado há oito jogos, desde agosto de 2012. Porém, para o padre, amigo e confidente, Pedro Bauer, o tabu acaba hoje. “Será 3 a 1 para o tricolor gaúcho. Tenho fé”, crava.