08 de julho de 2026
Esportes

Vôlei: 'queria é jogar'

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 6 min

João Rosan

28 anos, 1,80m de altura e currículo invejável

“Tudo o que eu queria era jogar. Então, eu voltei”, disse Mari Paraíba, novo reforço do Concilig/Vôlei Bauru para o Campeonato Paulista feminino, que começa no dia 29 de agosto.

Nas quadras desde os 10 anos de idade, a ponteira chegou a desistir da carreira em 2012, mas se arrependeu e, hoje, é a nova aposta do Concilig.

Ontem mesmo, ela e o novo técnico do time, Chico dos Santos, chegaram a Bauru. “Queremos trazer um toque de experiência ao time”, disse o diretor do Concilig, Adriano Pucinelli. “É um fortalecimento. Quando a gente entra nesse nível especial (Campeonato Paulista Divisão Especial), temos que fortalecer o grupo. E, agora, veio a oportunidade”, completa.

Em princípio, o contrato de Chico dos Santos com o time bauruense foi firmado até o final da Superliga B (março de 2015), com a possibilidade de renovação. Ele, que já auxiliou Bernardinho com a seleção brasileira (veja abaixo),  assume o lugar de Airton Nascimento, que permanece na equipe, porém, no cargo de auxiliar. “O Airton encarou a mudança tranquilamente, até porque ele continua na comissão técnica”, explica Pucinelli.

As novas contratações serão apresentadas oficialmente hoje, às 12h, em entrevista coletiva que será realizada na sede da Associação Luso Brasileira de Bauru (ALBB).

“A nossa expectativa é de um time mais competitivo. Os adversários que vamos enfrentar estão muito fortes. Os dois (Chico e Mari) vieram para somar com a equipe que já existe”, finalizou Pucinelli.

Contrato flash

Não era de hoje que o Concilig/Bauru sonhava em trazer a ponteira Mari Paraíba  à equipe. “É uma jogadora que nos interessava desde o início do projeto. No entanto, ela tinha uma proposta com o Maranhão Vôlei, mas a contratação acabou não se concretizando e as portas se abriram para nós”, contou Pucinelli.

A jogadora, de 28 anos e 1,80 metros de altura,  fechou contrato de apenas três meses com Bauru (até o final do Paulista). “Mas a possibilidade de renovação está em aberto”, ressaltou o diretor do time.


Paixão pelo esporte falou mais alto

Mari Paraíba é filha de técnica de voleibol e começou a jogar com apenas 10 anos de idade. Ficou quase seis anos entre as categorias de base e profissional do Sollys/Osasco, além de passar pelo  Pinheiros, AABB Goiânia, São Caetano e Mackenzie, onde foi um dos destaques da equipe na Superliga.

Na temporada 2009/10, a jogadora atuou no São Caetano, ao lado das campeãs olímpicas Fofão, Mari e Sheilla. Passou pelo Macaé Sports e Unilever/Minas.

Depois de atuar pelo vôlei de praia, disputou a última edição da Superliga pelo Barueri. A atleta já defendeu, inclusive, a seleção brasileira de vôlei de quadra e de areia.

Mari é considerada uma das musas do vôlei nacional e chegou a ser capa da revista Playboy, em julho de 2012. Durante a campanha da revista, contudo, anunciou que deixaria o vôlei, mas retornou às quadras em dezembro de 2013, pelo Barueri, último clube antes de fechar  com o Concilig/Bauru.

De casa nova, ela falou com o JC. Abaixo, os principais trechos da entrevista com Mari Paraíba.

Jornal da Cidade - O que pesou para sua contratação pelo Concilig/Bauru?

Mari Paraíba - Eu já tinha fechado com o Maranhão, por um valor “xis”, há três meses. E há três semanas, eles me falaram que não conseguiram patrocinador e não me pagariam o valor combinado. Não foi nem pelo fato do valor, mas por terem me vendido para eu ficar sem time e sem disputar a Liga ou dificultar isso. Eu iria tentar um time para disputar a Superliga,  quando surgiu a oportunidade de fechar com Bauru. Achei muito interessante, até pelo fato de poder entrar em forma durante a disputa do Paulista.

JC - Já fez o primeiro treino com o seu novo time, em Bauru?

Mari - Fiz academia hoje (ontem) pela manhã e, à tarde, treinei um pouco com a equipe. Foi meu primeiro dia. Eu estava de férias e estou voltando aos poucos.

JC - O que achou da equipe e como você enxerga essa nova etapa em sua carreira?

Mari - Todos me receberam muito bem. Algumas jogadoras eu já conhecia:  a Soninha, a Ingrid, a Camila. Do restante, conheço pouco. Ainda não deu para sentir o time no total, mas estou bem animada para fazer um bom trabalho com elas no Paulista.

JC - A proposta de contrato com Bauru, inicialmente, seria de três meses?

Mari - Sim, porque eu poderia ir para fora depois disso,  jogar a Superliga.  Por enquanto, Bauru não está no torneio.

JC - Você almeja jogar a Superliga com outro time?

Mari - Depende. Só se aparecer a oportunidade, porque a maioria dos times já estão fechados. Se não aparecer, ou eu vou para fora ou posso continuar aqui no Bauru . Eu ainda não sei dizer. Vai depender de como vão caminhar as coisas.

JC - Quais as suas expectativas para o Paulista?

Mari - A expectativa é de fazer um ótimo trabalho durante o torneio. Não tem como eu fazer um balanço do time agora porque é o meu primeiro dia aqui. Mas acredito que será uma boa oportunidade para Bauru mostrar a sua cara.

JC - Você chegou a declarar, em 2012, que iria abandonar o vôlei. O que a fez mudar de ideia?

Mari - Eu jogo vôlei desde os meus dez anos de idade. Quando eu decidi parar, era porque estava saturada com a rotina. Eu estava cansada, longe da família. Aí decidi parar. Fiquei oito meses parada e senti muita falta de jogar. Esse período em minha vida foi bom para eu ver o que realmente eu queria. E tudo o que eu queria era jogar. Então, eu voltei.


Técnico novo

O currículo de Chico dos Santos é repleto de conquistas. Ele já atuou, contudo, como auxiliar do técnico Bernardinho. Na seleção feminina - onde ficou de 1998 a 2000 -, conquistou o título Sul-Americano, em 1999, e medalha de bronze nas Olimpíadas de Sidney, na Austrália, em 2000.

Suas equipes sempre estiveram entre as três melhores do País. No Brasil, passou por Minas, Ulbra (RS) e Vôlei Futuro/Araçatuba. Na temporada 2004/2005, na Espanha, foi campeão da Liga Nacional Espanhola. Já em 2006/2007, conquistou o segundo lugar na Liga Nacional da Grécia. Chico também já treinou a seleção masculina de Portugal e a seleção feminina do Peru.

Desfalques

O Concilig/Bauru faz sua estreia no estadual no dia 29 de agosto, em São Paulo, diante do Pinheiros. Para todo o período do torneio, o técnico Chico dos Santos terá, ao menos, um desfalque: da ponteira Natacha, que sofreu uma lesão no ombro direito. “Ela deve ser submetida a cirurgia e, provavelmente, ficará fora do Paulista”, apontou o diretor do Concilig/Bauru, Adriano Pucinelli. A levantadora Deka, que se recupera de lesão lombar, deve voltar às quadras em duas semanas.