Aproximadamente 250 pacientes das clínicas da Faculdade de Odontologia de Bauru da Universidade de São Paulo (FOB/USP) ficaram sem atendimento ontem, porque os grevistas paralisaram as atividades da Central de Esterilização. Com isso, os funcionários em greve descumprem liminar de reintegração de posse, emitida pela juíza da 2ª Vara da Fazenda Pública, Elaine Cristina Storino Leoni.
Os manifestantes paralisaram as atividades ontem de manhã, depois que o reitor da instituição de São Paulo, Marco Antonio Zago, desmarcou uma reunião que discutiria a possibilidade de pagamento dos salários dos grevistas, que tiveram pontos cortados na última semana do mês de julho.
“Nós resolvemos radicalizar a manifestação e só sairemos daqui quando nossos salários forem pagos”, explica Cláudia Carrer Pereira, membro do comando de greve.
Com o fechamento do setor, as clínicas das disciplinas de Odontopediatria, Dentística e Reabilitação Oral da FOB/USP foram fechadas, já que os materiais necessários para o atendimento dos pacientes ficam guardados no setor ocupado pelos manifestantes.
Estudantes e servidores acionaram a Polícia Militar (PM). Grevistas, estudantes e outros funcionários chegaram a discutir no local.
Quando os policiais chegaram, conversaram com as partes. “Eles viram que o nosso movimento é pacífico e foram embora”, relata Cláudia.
Os estudantes, por outro lado, fizeram um registro na polícia, porque os manifestantes descumpriram liminar de reintegração de posse, que proíbe a ocupação de prédios da instituição, sob pena de multa diária.
Em nota, a assessoria de imprensa da FOB/USP informou que tomou as medidas cabíveis e aguarda uma posição do Poder Judiciário.
Greve
Conforme o JC vem noticiando, a paralisação dos servidores da USP começou no fim do mês de maio. Cláudia Carrer Pereira, membro do comando de greve, afirmou que a categoria reivindica aumento salarial de 6,78%, mais 3% das perdas salariais. Funcionários da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp) também apoiam os manifestantes.
Na última semana do mês de julho, contudo, a situação tornou-se mais intensa. Diretores das unidades em greve foram orientados sobre a possibilidade de registro de faltas dos manifestantes, fato que provoca desconto nos salários e foi colocado em prática em Bauru.
Para os grevistas daqui, a decisão foi uma atitude de restrição aos direitos de greve e manifestação.
E o Centrinho?
O Centrinho não parou, já que o setor possui um local próprio para guardar e esterilizar os instrumentos. Mesmo assim, estudantes lamentaram a situação, porque eles não puderam cumprir com as atividades rotineiras e os pacientes ficaram sem atendimento. Em nota, a universidade pede desculpas à população pelo transtorno.