11 de julho de 2026
Geral

Grevistas impedem entrada em clínica de Fonoaudiologia da USP

Paola Patriarca
| Tempo de leitura: 4 min

Pelo segundo dia consecutivo, cerca de 50 funcionários da Universidade de São Paulo (USP) de Bauru, que estão em greve desde 27 de maio, obstruíram a entrada de funcionários e pacientes na Clínica de Fonoaudiologia, pertencente à Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB/USP), na manhã desta sexta-feira (15).  O fato gerou novamente a movimentação da Polícia Militar (PM) para o local e todos os atendimentos na clínica foram suspensos.

Douglas Reis

Policial militar acompanha diálogo entre grevistas e coordenadora da clínica

Segundo Cláudia Carrer Pereira, membro do comando de greve, a obstrução do prédio começou por volta das 5h e teve o mesmo intuito dos outros piquetes realizados, que é o fato de cobrar uma resposta da diretoria da FOB, do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais  (HRAC-Centrinho)  e da Prefeitura do Câmpus USP de Bauru em relação ao corte de ponto dos servidores, decisão que permanece desde o dia 25 de julho.  

“Não vamos desistir de cobrar uma reposta em relação ao nosso corte de ponto. É uma questão da sobrevivência de nossas famílias. Por isso, realizamos os piquetes. Além da clínica, o restaurante também teve a entrada obstruída. A diretoria não conversa com o comando de greve e ignora o movimento. Assim, temos que partir para outras atitudes”, afirmou.

Questionados em relação à suspensão dos atendimentos, já que a clínica recebe pacientes de Bauru e região, Joana Scarcela, que faz parte do Sindicato dos Trabalhadores da USP de Bauru (Sintusp), afirmou que a clínica não atende casos de emergência e urgência.

“Realmente os pacientes deixaram de ser atendidos e decidimos que ninguém entraria no prédio. Porém, os atendimentos são eletivos, marcados com um mês de antecedência. Nada é de urgência aqui. Claro, têm pacientes do Centrinho, mas nenhum caso de urgência e emergência”, informou.

“Estamos impedidos de realizar nosso compromisso com a comunidade”

Para a coordenadora da Clínica de Fonoaudiologia, Magali Caldana, a obstrução do prédio preocupou a todos pelo fato dos pacientes deixarem de ser atendidos. A clínica, segundo Magali, oferece atendimento para crianças e idosos com problemas neurológicos e auditivos.

No prédio trabalham cerca de 30 funcionários e ele serve de apoio para a universidade, já que são os alunos da USP, supervisionados pelos professores, que realizam os atendimentos.

“Nós entendemos o direito da greve, mas os pacientes não têm nada a ver com os problemas que estamos vivendo na USP. Pacientes que tiveram derrame e que não fazem a terapia podem ficar com sequelas. Isso é muito sério. Sem contar aqueles que são de outras cidades, como Brotas, Jaú, Ourinhos, que vieram até aqui e não receberam o atendimento. Estamos impedidos de realizar nosso compromisso com a comunidade e sabemos da responsabilidade social que temos”, enfatizou.

Liminar

Conforme a reportagem do JC publicou ontem, a diretoria da FOB obteve uma segunda liminar na Justiça - reintegração de posse -, para a desobstrução do prédio.

O documento, que foi expedido pela 2º Vara da Fazenda Pública, pela juíza Elaine Cristina Storino Leoni,  prevê majoração da multa para R$ 1 mil por dia ao descumprimento. Caso necessário, prevê reforço policial para forçar os manifestantes a deixarem os prédios.

Por volta das 10h, policiais militares foram até o local para acompanhar o diálogo entre os grevistas e a coordenadora da clínica. Após a conversa, que seguiu pacificamente, os manifestantes realizaram  uma assembleia e decidiram liberar o prédio. No início da tarde, o comando de greve foi notificado por um oficial de justiça da decisão da liminar e os prédios, tanto da clínica quanto do restaurante, foram liberados.

De acordo com Cláudia, na próxima segunda-feira (18), os grevistas farão uma assembleia. “Vamos nos reunir na próxima segunda-feira e analisar os próximos passos em relação à greve. Dependendo do que o comando decidir em São Paulo, no quesito de prosseguir ou não em greve, poderemos voltar a trabalhar”, informou.

Reinvindicação

Trabalhadores das três universidades públicas estaduais USP, Unesp e Unicamp estão em greve desde 27 de maio, em protesto ao adiamento até setembro, pela reitoria, das discussões de reajuste salarial à categoria. O aumento pedido por eles é de 9,78% (valor referente a inflação mais 3%). Os servidores, tradicionalmente, ganham reajuste em maio. Em 2013, por exemplo, foi de 5,39%.

Na última semana do mês de julho,  um documento foi feito pela procuradoria jurídica da universidade para orientar os diretores das unidades  sobre as possibilidades de registro de faltas, o que leva ao desconto nos salários dos manifestantes. Para os grevistas, contudo, a decisão foi uma atitude de restrição aos direitos de greve e manifestação.

No dia 25 de julho, cerca de 70 funcionários da Universidade de São Paulo (USP) de Bauru promoveram um piquete nas duas entradas do estacionamento da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB). Segundo a assessoria de imprensa da USP informou na época, as diretorias decidiram continuar com o corte de ponto e comunicaram ao Departamento de Recursos Humanos os dias não trabalhados dos servidores em virtude de greve.