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Agência Brasil |
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"A Marina já sinalizou que vai assumir a candidatura", disse à Reuters o líder da bancada do PSB na Câmara, Beto Albuquerque, (RS) neste sábado |
Marina Silva será a candidata do PSB à Presidência, assumindo o lugar de Eduardo Campos, que morreu tragicamente em um acidente aéreo na quarta-feira, e o candidato a vice será um socialista com relação orgânica com o partido e que defenda o projeto do ex-governador pernambucano.
"A Marina já sinalizou que vai assumir a candidatura", disse à Reuters o líder da bancada do PSB na Câmara, Beto Albuquerque, (RS) neste sábado.
Segundo ele, uma reunião da comissão executiva do partido na próxima quarta-feira definirá também o nome do candidato a vice, que fará chapa com Marina.
Sem entrar numa análise dos nomes, Albuquerque, um dos cotados para assumir o posto, disse que o PSB quer um nome "orgânico do partido, que defenda o legado do Eduardo e que tenha proximidade com a Marina".
Nos últimos dias, foram cotados para a vaga, além de Albuquerque, o coordenador do programa de governo da aliança, Maurício Rands, o ex-ministro da Integração Nacional Fernando Bezerra e o deputado Júlio Delgado (PSB-MG).
Se a escolha se mantiver entre esses nomes, o favorito para assumir a vaga seria Albuquerque, já que Rands ingressou no PSB somente em outubro passado e antes estava filiado ao PT. Bezerra e Delgado, por sua vez, têm pouca ou nenhum proximidade com Marina, o que os desfavoreceria nessa disputa.
Albuquerque não quis comentar a possibilidade de assumir a vaga.
A decisão sobre a indicação de Marina para a cabeça de chapa foi encaminhada na sexta-feira durante uma reunião informal com membros da comissão executiva do partido.
"O que nós esperamos da Marina é o mesmo tratamento que o PSB deu a ela e à Rede", disse o líder socialista.
Segundo ele, Marina terá que assumir as posições de Campos, assim como o ex-governador tinha assumido as suas quando formaram a aliança. "Os dois se completavam e agora só temos um", disse.
Antes da reunião da executiva no dia 20, deve haver um novo encontro mais amplo na próxima segunda-feira, após o funeral, que deve ocorrer na tarde de domingo, para acertar os detalhes de como será feito esse anúncio da nova chapa. O velório de Campos começa na noite deste sábado, no Recife (PE).
Campos, 49 anos, morreu em um acidente de avião na manhã de quarta-feira no litoral de São Paulo junto a outras seis pessoas que estavam na aeronave.
O avião levava o socialista do Rio de Janeiro a Santos, onde ele cumpriria agenda de campanha, e arremeteu quando se preparava para pousar no aeroporto da cidade vizinha do Guarujá. Em seguida, o controle de tráfego aéreo perdeu contato com o avião.
DESAFIOS
O líder do PSB afirmou ainda que o principal desafio desses primeiros dias após a formalização de Marina como candidata é acertar e afinar o discurso da candidatura, porque já estará em curso o programa eleitoral obrigatório, que começa dia 19, e em seguida haverá os debates televisivos.
"Temos que acertar na veia", disse.
Os dois primeiros programas do PSB na TV, porém, ainda devem ser recheados de homenagens a Campos, que presidia o PSB e era a maior liderança da legenda.
Questionado sobre as dificuldades em alguns palanques regionais, como Rio de Janeiro e São Paulo, onde as alianças com PT e PSDB, respectivamente, foram fechadas sem o aval de Marina, ele minimizou o problema.
"Ela será a candidata do PSB e vai respeitar esses acordos. Onde ela não puder, o vice sobe no palanque", explicou. Em São Paulo, por exemplo, Marina já havia evitado agendas de campanha que podiam contar com a presença do governador Geraldo Alckmin (PSDB), que concorre à reeleição, e tem o PSB como vice na chapa.
Albuquerque acredita que nesse primeiro momento a candidatura de Marina deve ter um crescimento nas pesquisas, um pouco ainda impulsionadas pela comoção com a tragédia.
"Acho que ela pode aparecer na frente do Aécio inclusive", afirmou, lembrando, entretanto, que apenas isso não será o suficiente. Campos aparecia em terceiro lugar nas pesquisas, atrás da presidente Dilma Rousseff (PT) e de Aécio Neves (PSDB).
"Temos que trabalhar para que isso não seja apenas uma bolha", argumentou.
PSB PREPARA CARTA DE COMPROMISSOS PARA SER ASSINADA POR MARINA
Marina Dias/Folhapress
O PSB vai elaborar uma carta interna com os compromissos eleitorais do partido para ser assinada por Marina Silva antes que a ex-senadora seja nomeada candidata à Presidência da República, na quarta-feira (20).
O presidente nacional da legenda, Roberto Amaral, nomeou uma comissão para produzir o texto, que conta com a deputada federal Luiza Erundina (SP) e a senadora Lídice da Mata (BA).
Segundo pessebistas, o documento trará "as expectativas do partido nesse novo momento eleitoral". A carta deve ficar pronta até terça-feira (19) e será submetida à direção nacional do PSB antes de ser enviada a Marina.
"Vamos elaborar uma carta para retomar os compromissos originais e, quem sabe, incluir novas ideias", disse Luiza Erundina à reportagem.
Questionada sobre quais ideias seriam essas, a deputada disse que ainda não tem detalhes sobre o conteúdo do texto.
Segundo Erundina, a primeira reunião da comissão deve acontecer somente domingo (17), em Recife, após o enterro do presidenciável Eduardo Campos, que morreu na quarta-feira (13) em um acidente de avião em Santos (SP).
Erundina e diversas lideranças do PSB viajam à capital de Pernambuco para as cerimônias fúnebres e também para as tratativas que decidirão o futuro da chapa. Além da carta de compromisso, o PSB precisa definir um nome para a vaga de vice de Marina Silva. O deputado Beto Albuquerque (RS) é o mais cotado para o cargo.
CANDIDATA
O PSB superou as divergências internas e selou acordo para lançar Marina Silva à Presidência da República no lugar de Eduardo Campos. Ela concordou com a inversão da chapa e deverá ser anunciada oficialmente na próxima quarta (20). O novo presidente da sigla, Roberto Amaral, prometeu a Marina que ela não precisará permanecer no partido caso seja eleita.
O PSB agora discutirá a indicação do novo vice na chapa presidencial. O deputado gaúcho Beto Albuquerque, hoje candidato ao Senado, é o mais cotado para a vaga.
Candidata à reeleição, a presidente Dilma Rousseff (PT) decretou luto oficial de três dias e afirmou que o acidente "tirou a vida de um jovem político promissor". Também presidenciável, Aécio Neves (PSDB) disse ter perdido um amigo.
Marina declarou que guardará dele a imagem de "alegria" e "sonhos". Campos morreu num 13 de agosto, mesmo dia da morte do avô, o também ex-governador Miguel Arraes (1916-2005). Campos deixa mulher, Renata Campos, e cinco filhos, o mais novo nascido em janeiro. "Não estava no script", disse Renata.