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Douglas Reis |
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Reitor Marco Antonio Zago apresentou a proposta oficialmente |
Pela primeira vez, a Universidade de São Paulo (USP) admite a possibilidade de transferir para o governo do Estado a gestão e toda a estrutura do Centrinho. Na semana passada, a Secretaria de Saúde já havia confirmado, ao Jornal da Cidade, que assumiria o “predião”.
Abrir mão do Centrinho está entre as medidas propostas pelo reitor Marco Antonio Zago, em busca do reequilíbrio orçamentário da USP, já que a o valor da folha de pagamento de servidores e docentes equivale a 106% da receita.
Em meio à greve (que, inclusive, afetou os serviços em Bauru conforme o JC publicou), a possibilidade foi apresentada na última sexta a 80 diretores de unidades de ensino e pesquisa, institutos especializados, museus e demais órgãos vinculados a USP.
A ideia é que seja criada uma nova autarquia, vinculada à Secretaria do Estado de Saúde, para gerenciar o hospital especializado em Bauru, referência internacional para o tratamento de anomalias craciofaciais, fundado há 47 anos. Os servidores da entidade continuariam ligados à universidade.
Essa e outras propostas serão discutidas e deliberadas no Conselho Universitário antes de sua implementação.
Na última quinta-feira, o jornal Folha de S. Paulo já havia noticiado a virtual transferência do Centrinho. Ao JC, na edição de anteontem, a diretora da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB), Maria Aparecida de Andrade Moreira Machado garantiu não ter recebido qualquer confirmação sobre a medida.
Na ocasião, o deputado estadual Pedro Tobias (PSDB) declarou ser contrário à transferência do Centrinho para o governo do Estado.
QUALIDADE
O Hospital Universitário da USP, localizado na Cidade Universitária, também poderá ser transferido para a Secretaria do Estado de Saúde.
A reitoria da universidade, conforme publicou o JC na última sexta, está preocupada com as possíveis críticas públicas à medida que a precariedade do serviço prestado pelos hospitais aumente nos próximos meses, diante da inviabilidade de novos investimentos.
Em junho do ano passado, o Centrinho já confirmava a queda no número de atendimentos e procedimentos do hospital.
OUTRAS MEDIDAS
Outras duas medidas para o reequilíbrio financeiro dizem respeito aos servidores técnico-administrativos (e não abrangem os docentes): a implementação de um programa de incentivo à demissão voluntária e flexibilização da jornada de trabalho.
Os estudos para o programa de incentivo à demissão voluntária tomaram como referência um público-alvo formado por cerca de 2.800 servidores celetistas com idade entre 55 e 67 anos e com, pelo menos, vinte anos de trabalho na USP. Estão previstos indenização por tempo de serviço e parcela equivalente a 40% do FGTS.
Dentro da flexibilização da jornada de trabalho, os servidores que trabalham 40 horas semanais poderão diminuir sua carga horária para 30 horas, com redução de salário.