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Quioshi Goto |
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Ele é um dos pioneiros do ciclismo em Bauru |
Nascido em família humilde e com mais quatro irmãos, o bauruense Edenilson Rogério Veríssimo, aprendeu, desde cedo, o que era trabalhar para conseguir realizar um sonho.
A paixão por bike começou ainda quando criança, aos 5 anos, mas a conquista da primeira bicicleta, uma Monareta Monark, usada, veio apenas aos 11. Com a sensação de liberdade e simplicidade proporcionadas pelo poder de ir e vir rapidamente aos lugares, sentindo o vento e a natureza, Edenilson, o De, aos poucos acabou transformando a bicicleta em sua vida.
Aos 13 anos, ele já montava aos fundos da casa da mãe, sua primeira oficina, que mais tarde acabou virando uma das principais lojas da cidade no setor.
Junto ao ganha pão, vieram também os projetos, os campeonatos e as viagens dedicadas ao ciclismo: Paraná, litoral paulista, depois Bolívia, Paraguai e Argentina foram alguns dos destinos nos milhares de quilômetros de pura aventura percorridos com a mochila nas costas.
Mesmo com a atenção dividida ao mais novo membro da família, seu filho de um ano, o empresário encontra tempo para lutar pela causa – conseguir mais espaço e respeito para os bikers na cidade - e reunir os amigos e apaixonados por bikes em Bauru, para pedaladas diárias e aos finais de semana. Leia mais, a seguir.
Jornal da Cidade - Como teve início sua paixão por bicicletas?
Edenilson Rogério Veríssimo (De) – Eu tinha cinco anos. Meu tio costumava deixar algumas peças quebradas e desmontadas de bicicletas em minha casa e, eu e meu irmão mais novo, pegávamos as peças para brincar. Usávamos gravetos como eixo para montar o guidão, o quadro e as rodas, depois, descíamos com elas em um barranco. Aos 10 anos, eu era louco para ter uma e comecei a fazer alguns bicos. Ajudava os vizinhos, cuidava de crianças, até que, consegui comprar uma monareta usada. No primeiro dia eu já desmontei ela e comecei a reforma, pintei e troquei peças. Minha paixão começou ali. Quando montei a primeira bicicleta senti uma liberdade intensa e que podia ir a qualquer lugar com ela.
JC – Quando foi que os interesses pessoais se cruzaram com os profissionais?
Edenilson – Aos 13 anos transformei um quartinho no fundo de casa em uma oficina e, ali virou o point do bairro. Eu morava na rua Almeida Brandão, no Higienópolis. Minha mãe ficava maluca, eram mais de dez moleques por dia. Depois, comecei a vender jornal (o JC) onde, hoje, é o Aeroclube, para ajudar meu pai. Acabei ganhando uma Barra forte (bicicleta de carga) dele e aí o emprego ficou sério, eu entregava 500 jornais por dia. Em 1991, surgiu uma chance de trabalhar em uma das primeiras bike shops da cidade, em frente ao Vitória Régia, e larguei tudo para ir pra lá. Em 1997, acabei comprando essa mesma loja. Continuei com ela por um ano, depois acabei fechando as portas.
JC- E como, afinal, surgiu a De Bike?
Edenilson – Em 2000, depois de viajar pelo mundo, decidi arriscar novamente e abrir uma loja, foi aí que a De Bike surgiu. Funcionamos na quadra 14 da rua Joaquim da Silva Martha e, cinco anos depois, nos mudamos para a quadra 1 da avenida Comendador José da Silva Martha. Há dois anos, outro novo endereço, na quadra 20 da rua Gustavo Maciel. Meu irmão também acabou abrindo uma loja, mas em Lençóis Paulista.
JC – Para que lugares do mundo você acabou viajando de bike?
Edenilson – Em 1997, surgiu uma oportunidade com o Luís André Chella (ciclista profissional). Minha primeira viagem longa de bike foi para a Bolívia. Foram mais duas semanas e 1.400 quilômetros pedalando até chegar à divisa. Dois anos depois, partimos para o Paraguai e, no final do mesmo ano, fomos parar em Montevidéu. Passeamos e conhecemos de tudo por lá.
JC – Mas você chegou a participar de alguns campeonatos?
Edenilson – Entre 1988 e 1998, corri dezenas de campeonatos de montain bike. Em Campos do Jordão, no Paraná, Rio Grande do Sul, em Campinas, em Marília... fui ligado à Federação Paulista de Ciclismo por muito tempo. Participava de uns 20 campeonatos por ano e, quando não ganhava, ficava sempre em 2º ou 3º colocado. Em Marília fui bicampeão da Copa Regional de Ciclismo, em 1992 e 1993.
JC –Durante essas viagens, passaram por momentos de apuros ou mesmo curiosos?
Edenilson – Lembro de uma vez em que eu e um amigo pedalamos até uma cidadezinha no Paraná. Lá, não tinha hotel, apenas uma pensão de uma senhora. A casa era muito antiga, parecia muito com a do filme “Família Adams”. Fazia barulhos assustadores. Para se ter ideia, os quartos eram separados por lençóis. Aquela foi uma noite de terror pra mim.
JC- Você se considera um pioneiro do ciclismo em Bauru?
Edenilson – Sim. Sempre fui um incentivador do esporte, a bicicleta demonstra simplicidade. Tenho certeza que se tivéssemos viajado para fora do Brasil usando um carro ou uma moto não teríamos sido tão bem recepcionados quanto de bike.
JC- Como ativista, como você avalia a prática do ciclismo aqui na cidade? E pelo Brasil?
Edenilson – O problema é que aqui em Bauru, assim como ocorre em maior parte do Brasil, ainda não há espaço de fato para bicicletas no trânsito. Há muita falta de respeito, os motoristas acham que lugar de ciclista é na calçada e a ciclofaixa não é respeitada. Fui convidado para várias reuniões com a Emdurb (Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru) quando a ciclovia ia ser instalada na avenida Getúlio Vargas. Defendemos que ali não poderia ser permitido o tráfego de carros. O que nos mostra que o Plano Cicloviário não foi colocado em prática. Fora a isso, também não há incentivos fiscais para o uso de bicicletas por parte do governo, por isso não é todo mundo que pode comprar uma. Infelizmente, ainda caminhamos na contramão.
JC- Você tem algum medo do trânsito?
Edenilson – Sim. Meus 30 anos no ciclismo, não foram suficientes para acabar com meu medo do trânsito. Já fui atropelado três vezes em Bauru. Isso porque vou e volto para o trabalho de bike e sempre a uso também para o lazer, é claro.
JC- O que é o movimento Night Bikers?
Edenilson – Já fomos 300 pessoas, mas hoje somos 50. Todos os dias, às 20h, nos reunimos em frente à De Bikes para pedalar pela cidade. É um movimento em prol do ciclismo. Também existe o “Vai quem quer”, todo domingo, às 8h, em frente ao Aeroclube, nos reunimos para fazer trilhas pela região. No dia 31 desse mês, em comemoração ao aniversário da cidade, realizaremos o 8º Passeio Ciclístico “Bauru 118 anos”. A saída será na praça Portugal às 8h e os interessados devem levar 3 litros de leite longa vida para realizarem a inscrição. Os leites serão revertidos para entidades assistenciais.