08 de julho de 2026
Geral

Bauru se move pela "melhor idade"


| Tempo de leitura: 5 min

Recente estudo da Organização das Nações Unidas (ONU) indica que os 22 milhões de pessoas de 60 anos ou mais no Brasil vai triplicar até 2050. Esses dados foram divulgados ainda nesta semana que passou no Jornal da Cidade. E já há uma preocupação para que os integrantes dessa faixa etária envelheçam com qualidade de vida. Para isso ocorrer é preciso investir em profissionais que atuem com os idosos e lhes garantam através de serviços específicos o devido atendimento.

 

Crescimento hoje

 

Não é preciso esperar até 2050, nem ter números nacionais para saber que essa já é uma necessidade. Nesta mesma semana, na região, o programa Emprega São Paulo/Mais Emprego ofereceu 409 vagas e 15 delas voltadas para um único cargo: cuidador de idosos.

 

A área de serviços para essa faixa etária é a que mais cresce. E se, numa ponta há demanda grande, na outra há falta de profissionais. E por conta disso, o mais curioso:  surgem cada vez mais serviços especializados, com  a segmentação da segmentação, e vários com diferenciais, que tornam o setor cada vez mais atraente. 

 

Turismo

 

Os serviços já não mais se resumem a grupos de viagens selecionados por faixa etária, criados a partir dos anos 90 e que se perpetuam até hoje. Seja em excursões para Caldas Novas, em Goiás, chamada de “a Meca da terceira idade” e todas as demais estâncias termais, ou ainda através da formação de grupos que se aventuram Europa adentro, fazem cruzeiros em navios e até excursões religiosas. Esses mercados estão cativos e crescentes. Quem está na área admite que a demanda é grande. E vão além: há espaço para um crescimento ainda maior.  

 

Agora, dentro do capítulo viagem, surge um novo filão, explorado mais recentemente – o turismo “enogastronômico”. São as excursões específicas para amantes do vinho e da boa comida.

 

Além das viagens

 

Só que as especializações cresceram muito e vão além de viagens para que os idosos possam usufruir da sua aposentadoria. 

 

A oferta é a mais diversificada possível. Vai de serviços de “leva e traz” para quem já não tem a mesma agilidade na hora de dirigir; cursos específicos de línguas, computação; ginásticas personalizadas, hidroginástica específica e até creches para idosos, bem no estilo das de bebês. Para ter acesso a esses serviços basta ter paciência de ler a seção de classificados do jornal de hoje. É garantido que as ofertas são muitas e surpreendentes.

 

O Jornal da Cidade foi conferir alguns desses serviços. E encontrou histórias bastante curiosas. 

 

Serviços oferecem até a escolha: exercícios em casa ou nas academias

 

Sabe aquela piscina que o vovô e a vovó só usam para brincar com os netinhos uma vez por mês ou somente no verão? Ou a esteira que o filho comprou e fica a maior parte do tempo ociosa? Pois é pensando nisso que está surgindo um novo tipo de profissional: o atletic personal em casa, com orientação para ginástica e hidroginástica para os maiores de 60 anos em sua própria residência. 

 

A professora de Educação Física Maria Ângela Prestes, pós-graduada em atividades para grupos especiais, está encontrando nessa faixa de idade o seu melhor caminho profissional. Formada há 13 anos, ela fala com entusiasmo: “a ideia de personal (em casa, aproveitando a infraestrutura que a pessoa tem em sua própria moradia) dá muito certo sim”. Ela explica que “hoje  em dia as pessoas têm essa infraestrutura no lar e com um personal isso se torna realidade e não fica uma coisa de só treinar quando se quer. De fato, a motivação é maior”. Afinal, há o compromisso. Quando é a pessoa que decide, várias vezes a piscina fica sem uso ou o equipamento é posto de lado.

 

Socialização 

 

Mas a professora lembra também que a socialização é muito importante para esta faixa etária. “Temos também os que procuram as clínicas, as academias, que gostam de se socializar”, diz ela, preparando-se para uma aula de hidroginástica para três senhoras. Seu compromisso de final de tarde duas vezes por semana.

 

“A socialização para o idoso hoje em dia é muito importante, pois muitos deles já estão se sentindo dentro do processo que é chamado de ´síndrome do ninho vazio´, quando os filhos já deixaram a casa dos pais e estes se encontram um pouco perdidos”. 

 

Frustrações e medo

 

“Desde meu primeiro emprego trabalho com idosos. Me dou muito bem com suas frustrações e medos, pois muitos deles passam por isso. Eu consigo me relacionar e até mesmo ser amiga deles”, lembra.

 

Maria Ângela também não perde de vista que “o resultado com eles, na atividade física, é mais lento do que  em outras faixas etárias, mas o fato de eles não estarem sozinhos ajuda demais. Um vai vendo o progresso do outro e incentivando. E, hoje em dia, eles têm muito discernimento em relação às doenças incapacitantes. Por isso, procuram logo a prevenção”. E finaliza decretando: “os idosos não querem perder a sua independência.”

 

‘Leva e traz’ garante autonomia e, de bônus, ainda rende boas amizades

 

Depois de atuar por anos na área de marketing e vendas, já a caminho de se aposentar, Rosangela Graziano resolveu investir em um outro tipo de serviço: o de “leva e traz”. Um serviço que encontra respaldo exatamente no que fala a professora Maria Ângela: visa garantir a autonomia e independência do idoso. Por várias razões, seja de saúde ou o avanço da idade, muitas pessoas optam por não dirigir. Na hora da locomoção em nome da independência, não querem incomodar os familiares, nem se sentem confortáveis com o transporte público e, por isso, contratam esse tipo de serviço.

 

“Longe de querer  competir com um táxi, mas meu serviço é  diferente. Eu não apenas faço o transporte, ajudo quando é para resolver com documentos, ou em laboratórios e consultas médicas, sou mais do que motorista, sou mesmo uma companhia e isso não é apenas uma questão profissional, vira uma relação de amizade”, diz ela.

 

 

 

Amizade que ela já estreitou com o casal Neusa e João Nogueira, seus clientes, que usam sempre o serviço dela para irem ao médico. E os dois se derretem em elogios para a motorista, quase secretária.  João Nogueira, inclusive, já passou dos 90 anos e já não cogita mais dirigir.