09 de julho de 2026
Geral

Padre de Bauru morre em acidente de carro no Estado do Tocantins


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Reprodução Facebook

Padre Juarez Rodrigues havia se mudado de Bauru para a Paróquia Nossa Senhora do Carmo, na cidade de Divinópolis, no Tocantins

Morreu nesta terça-feira (19) o padre da Diocese de Bauru, Juarez de Araújo Rodrigues, aos 45 anos, em acidente de carro no Estado do Tocantins.

De acordo com a imprensa e a polícia local, o missionário teria perdido o controle da direção de um Fiat/Uno quando passava às 5h por um trecho com britas soltas na pista em reformas. Ele trafegava por uma rodovia que liga as cidades de Monte Santo a Divinópolis.

Segundo a assessoria de imprensa da Diocese, sensibilizados, o bispo diocesano de Bauru, dom Caetano Ferrari, todo o clero, religiosos e leigos expressaram seus sentimentos aos familiares e amigos da Diocese de Bauru e da Prelazia de Cristalândia.

Natural de Cafelândia, Juarez nasceu no dia 27 de novembro de 1968. Chegou a Bauru em 1980. Participava da Paróquia Santo Antônio, no Jardim Bela Vista, mas sua caminhada pastoral teve início na Paróquia Santa Clara de Assis, desde que ela foi criada, em 2001.

Como seminarista e diácono, atuou nas paróquias de Santa Clara de Assis e Nossa Senhora da Assunção, e na Catedral do Divino Espírito Santo, segundo informou a assessoria da Diocese de Bauru.

Ele foi ordenado diácono no dia 10 de fevereiro de 2012 e sacerdote no dia 27 de julho do mesmo ano.

Logo após a ordenação, seguiu em missão para a Prelazia de Cristalândia, no Tocantins, região carente de sacerdotes, onde ficaria por três anos.

Na ocasião, dom Caetano disse ao sacerdote: “Leve Jesus em suas palavras, nos seus gestos e no seu ser”.

Terra de missão

Prelazia é uma organização da Igreja Católica com bispo e padres, porém ainda sem estrutura para formar uma diocese.

A Prelazia de Cristalândia abrange 4 municípios do Estado de Goiás e 14 municípios e mais alguns povoados do Estado do Tocantins, com uma população de 300 mil habitantes, em 85 mil km² (reunindo a Ilha do Bananal, a maior ilha fluvial do mundo, sendo metade uma reserva com 3 mil índios).

O padre Juarez atuava na Paróquia Nossa Senhora do Carmo, da cidade de Divinópolis (120 quilômetros da capital Palmas), em uma região com 10 mil pessoas.

“A economia é baseada na agricultura e pecuária, com um povo simples, muito religioso e acolhedor”, contava.

“Na religiosidade popular local se destacam a reza do terço e as novenas. É um povo que respeita o sacerdote e pede muitas bênçãos”, completou em entrevista na época.

Nesta região pastoral, algumas localidades estavam sem padre há 10 anos, apenas com visitas esporádicas. Entretanto, a população católica não perdeu a fé. “Lá convivem bem várias denominações protestantes tradicionais e os católicos, sem embates”.

Ação social

Quando chegou, padre Juarez já encontrou uma Pastoral Social muito forte e o sacerdote também “coloca a mão na massa” para atender as necessidades mais básicas da população.

“A Pastoral da Criança é muito atuante. Enquanto comunidade, conseguimos remédios e alimentos para os mais carentes. O acesso ao atendimento médico é difícil e falta saneamento básico. Então, fazemos também um trabalho de cuidado e orientação, com esclarecimentos sobre saúde, higiene, etc.”

Juventude

“Temos muitos jovens e é desafiador, mas muito bom trabalhar com eles. Após o ensino médio, vários deixam a região e seguem para grandes centros em busca de estudo e trabalho. Os que ficam, estão muito conectados à Internet, participam bastante da liturgia e da música, e 15 foram para a Jornada Mundial da Juventude”, alegrava-se o padre.

Por outro lado, uma grande parcela da juventude está em situação de risco e preocupa. “A cidade é cortada por uma rodovia e é comum ver em suas margens jovens ligados ao consumo de drogas e álcool e à prostituição, desde muito cedo”, lamentava.

Vida pastoral

Hoje, a prelazia conta com 15 sacerdotes de várias regiões do País. “Antes não havia uma Pastoral Vocacional organizada, que ajudasse a despertar a consciência vocacional para ter padres desta região. Agora, já estamos com sete seminaristas locais”, comemorava.

O número reduzido de padres fez com que os leigos se envolvessem bastante, porém faltava formação para as lideranças. “Nesses nove meses, investi na orientação pastoral, com formação e evangelização, na metodologia do ver, julgar e agir”, explicava.

Ser missionário

Apesar da distância e da saudade, padre Juarez se sentia satisfeito por fazer algo de concreto pela prelazia-irmã. “A presença do sacerdote é muito importante para fortalecer a comunidade na fé. O povo está sedento de Deus e ele vê o rosto de Jesus no padre, aquele que transmite a Palavra, celebra os sacramentos e o acolhe”, avalia. “Ser missionário é se doar, sair das suas bases para ir ao encontro daquele com quem você nunca esteve”.