08 de julho de 2026
Geral

Ipês mudam cenário urbano bauruense

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 3 min

Malavolta Jr.

Porta-retrato - Beija-flor aproveita flores de ipês na rua Alves Seabra, no Jardim Progresso, em Bauru. Dias quentes e noites frias ajudam na florada

Espetáculo natural. Nesta época do ano é impossível passar por algumas ruas e avenidas de Bauru e não notar a beleza dos ipês. Com a proximidade da primavera – a partir da segunda quinzena de setembro -, a árvore cobre-se com sua floração e chama a atenção. O cenário serve como ponto de inspiração para fotos e vídeos.

Há pelo menos cinco dias, as quadras 19, 20, 21 e 22 da rua Alves Seabra, no Jardim Progresso, apresentam novo visual. Em meio aos vários ipês amarelos plantados em um terreno, um presente da mãe natureza: um beija-flor veio “cumprimentar” a reportagem do JC, enquanto percorria as imediações ontem à tarde. 

“O beija-flor poliniza flores em tons cor de abóbora e vermelho. Mas como há insetos no amarelo, ele faz uma ‘dieta’, pois 5% da refeição do beija-flor vem de proteína animal”, explica o biólogo e especialista em botânica Luiz Augusto Gonçalves da Rocha.

Segundo ele, o que faz o  ipê amarelo florescer nesta época do ano (agosto/setembro) é justamente a variação climática. “Ele precisa de noites frias e dias quentes para florir. Esse choque térmico é o responsável pela intensidade das flores na árvore”, explica. “Não é só de Bauru. O ipê amarelo é um símbolo do Brasil”.

Encanto

O tal símbolo nacional encanta muitas pessoas. A aposentada Fátima Doris Petelinkar, que reside há 25 anos na quadra 22 da Alves Seabra, se diz privilegiada por acordar todos os dias e poder apreciar a beleza dos ipês amarelos. “Cada ano que passa fica mais lindo”, conta.

As árvores carregadas de flores amarelas viraram atração até mesmo para as crianças. “Minha netinha de 4 anos sempre pergunta: ‘vovó, quando chega a primavera para ficar tudo amarelo na rua?’”.

Não muito longe dali, outro morador se gaba da visão singular. De acordo com o jornalista e radialista José Carlos Moreira, o Zezinho Trinta, que mora na quadra 21 da mesma rua, o olhar de quem passa ali se rende fácil ao charme das árvores carregadas de flores.

“Muita gente para, tira fotos, filma. Muito bonito ver como as pessoas apreciam esse show de encanto que a natureza nos proporciona”, observa o jornalista, mas lamenta pelo curto período. “Uma pena que dura tão pouco”.


‘Levei pra casa’

Além da Alves Seabra, quem passa pelas quadras 48 e 49 da Nações Unidas, já nota um cenário diferenciado. Alguns ipês já floresceram e vislumbram a população. “Notei os ipês amarelos há uns dez dias. Esses dias não resisti, peguei um cacho no chão e levei pra casa”, confessou a dona de casa Cristiane Oliveira Thomazi, que, em meio à correria, encontrou tempo para apreciar a natureza.


Roxos e amarelos são os mais comuns

Os ipês exibem quatro colorações: amarelo, roxo, rosa e branco. O biólogo Luiz Augusto da Rocha explica que a diferença é ancestral e está relacionada ao tipo de inseto e/ou animal que poliniza a flor.

“Cada espécie (de ipês) acaba se intensificando em determinadas regiões, de acordo com o inseto polinizador. Em Bauru, as duas espécies de maior dispersão são a amarela e roxa”, explica. É possível encontrar ipês rosas na altura da quadra 11 da Getúlio Vargas.

Os ipês amarelos são polinizados por abelhas. Os roxos e rosas por borboletas. Já os morcegos e mariposas noturnas são polinizadores dos ipês com flores brancas. “O roxo tem uma velocidade de crescimento vegetativo muito maior que o amarelo. Já o branco, em termos vegetais, é o mais frágil em sua simbologia”.