O ex-médico Roger Abdelmassih chegou ao aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo, por volta das 15h40 desta quarta-feira (20). Ele desembarcou sob gritos de "maníaco" e "safado". Uma mulher chegou a tentar agredi-lo, mas foi contida por policiais.
Cinco vítimas do ex-médico acompanharam a chegada de Abdelmassih e o usaram palavras como "maníaco", "manipulador", "safado" e "criminoso" contra ele. Depois choraram e disseram que não dormiram nem comeram só para estar no aeroporto e ver a cara dele depois de preso.
"Agora começa o processo de cura. Mas vamos arás de quem estava acobertando ele", disse Helena Leardini, uma das cinco vítimas que foi até o aeroporto. Abdelmassih foi preso na tarde de terça-feira (19) em Assunção, capital do Paraguai. Ele estava vivendo no país vizinho havia três meses, com o nome de Ricardo e pretendia viajar para o Líbano, segundo informações da Polícia Federal. Após a prisão, ele foi levado para Foz do Iguaçu, onde passou a noite em uma cela, ao lado de um contrabandista.
Segundo o delegado da Polícia Federal Marcos Paulo Pimentel, as polícias de Brasil e Paraguai entraram em um acordo para prender o ex-médico por irregularidades na migração. Abdelmassih estava no Paraguai sem permissão de entrada ou visto.
O ex-médico foi condenado a 278 anos de prisão por 48 estupros cometido contra 37 mulheres, e estava entre os dez criminosos mais procurados de São Paulo, com uma recompensa de R$ 10 mil para quem passasse informações que levassem a sua prisão.
O CASO
O caso foi denunciado pela primeira vez ao Ministério Público em abril de 2008, por uma ex-funcionária do médico, e revelado pela Folha de S.Paulo em janeiro de 2009. Depois, diversas pacientes com idades entre 30 e 40 anos bem-sucedidas profissionalmente disseram ter sido molestadas quando estavam na clínica de Abdelmassih.
As mulheres dizem ter sido surpreendidas por investidas do especialista quando estavam sozinhas - sem o marido e sem enfermeira presente (os casos teriam ocorrido durante a entrevista médica ou nos quartos particulares de recuperação). Três afirmam ter sido molestadas após sedação.
Formalmente, Abdelmassih foi acusado de estupro contra 39 ex-pacientes, mas como algumas relataram mais de um crime, há 56 acusações contra ele. Desde que foi acusado pela primeira vez, Abdelmassih negou por diversas vezes ter praticado crimes sexuais contra ex-pacientes. O médico afirma que foi atacado por um "movimento de ressentimentos vingativos".
Abdelmassih também já chegou a afirmar que as mulheres que o acusam podem ter sofrido alucinações provocadas pelo anestésico propofol.
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Secretaria Nacional De Antidrogas do Paraguai |
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Segundo delegado, Roger Abdelmassih foi expulso do Paraguai por falta de documentos |
Ex-médico é transferido para penitenciária de Tremembé
O ex-médico Roger Abdelmassih foi transferido no final da tarde desta quarta-feira (20) para a penitenciária de Tremembé (a 147 km de São Paulo). Algumas vítimas acompanharam a chegada dele no aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo, e sua saída em direção à prisão.
"Agora ele foi, posso descansar. Ele olhou na minha cara, fiquei perto dele, e ele viu que não tenho medo. Que ele viva muito agora, que apodreça na cadeia, amargue todo dia. Espero que ele encontre alguém lá dentro que faça com ele o que ele fez com a gente", afirmou Ivanilde Serebrenic, uma das cinco vítimas que estavam no local.
O ex-médico, que foi preso no Paraguai nesta terça (19), foi condenado a 278 anos de prisão por 48 estupros cometido contra 37 mulheres, e estava entre os dez criminosos mais procurados de São Paulo, com uma recompensa de R$ 10 mil para quem passasse informações que levassem a sua prisão.
No desembarque de Abdelmassih em Congonhas, as vítimas usaram palavras como "maníaco", "manipulador", "safado" e "criminoso" contra ele. Depois choraram e disseram que não dormiram nem comeram só para estar no aeroporto e ver a cara dele depois de preso.
"Agora começa o processo de cura. Mas vamos atrás de quem estava acobertando ele", disse Helena Leardini, uma das cinco vítimas que foi até o aeroporto.
"Ele reconheceu as vítimas quando chegou, mas diz que não é bem assim, que há exagero. Ele alega inocência e diz que vai reverter a situação. Mas chorou bastante lá dentro quando lembrou dos filhos", disse o delegado Osvaldo Nico Gonçalves.