09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Os vereadores e o massacre em Gaza


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A lastimável atitude dos nove tacanhos e provincianos vereadores de Bauru em rejeitar a Moção de Apelo contra os bombardeios à Palestina, proposta pelo vereador Roque Ferreira, só demonstra o quanto esses senhores mantêm nossa cidade na Idade das Trevas. Enquanto o mundo inteiro se levanta contra os covardes ataques de Israel contra a Faixa de Gaza, diversas manifestações pró-Palestina tomam conta das ruas de Londres, Madri, São Paulo, Paris, Chicago e muitas outras cidades, ao passo que países como Espanha, Chile e Inglaterra rompem relações econômicas com o Estado de Israel e diversos países latino-americanos retiram seus embaixadores de Tel Aviv, nossos "nobres" vereadores sujam a imagem de Bauru ao ignorar um dos maiores massacres desse início de século, massacre esse responsável pela morte de mil palestinos em menos de um mês, sendo mais da metade crianças e mulheres.

Os nove vereadores de Bauru que votaram contra a moção ignoram que o Brasil é um dos principais mercados consumidores do armamento bélico produzido pelo Estado de Israel, ou seja, nosso país é um dos maiores financiadores das armas que matam crianças, mulheres e idosos em Gaza e na Cisjordânia. E que, portanto, esse é o momento de dizer que tal barbárie não é feito em nome do povo brasileiro.

Todavia, a at0itude desses nove vereadores não surpreende, afinal, os mesmos são incapazes de sentir os gemidos de dor da própria população bauruense que agoniza em filas de prontos-socorros, que enfrentam todos os dias um transporte coletivo de péssima qualidade, que não encontram vagas em escolas ou creches públicas na cidade, que moram em ruas sem asfalto, sem saneamento básico, etc.

Não surpreende, afinal, esses senhores e senhora são representantes da egoísta burguesia brasileira, latifundiária, perfumada com estrume e tão colonizada pelos yanques que é capaz de entregar nosso país por qualquer camionete 4X4 sob os sussurros de "Yes, I Love you". Como bauruense (e me orgulho em ser), tal atitude não me surpreende, mas me enoja.

Gisele Costa ? pedagoga e pesquisadora pela USP