09 de julho de 2026
Regional

Região tem padres que vão além do sacerdócio

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

A vida religiosa é exigente. Deixar o seio da família e viver para Deus não é tarefa fácil. Antigamente ter um padre ou uma freira na família era uma honra. Hoje, são raras as famílias que têm um religioso. Os candidatos estão cada vez escassos. O trabalho é árduo. São pelo menos oito anos de estudos e muitas  pedras no caminho.

O padre é antes de tudo um ser humano com necessidades semelhantes a de qualquer outro mortal. Sofre, chora, reza e pede proteção. Basta lembrar que o papa Francisco, no dia de sua posse, pediu que os católicos rezassem por ele. Muitos deles exercem outras funções na sociedade além da sacerdotal.

Mas para muitos, o padre é um ser sobrenatural que não passa pelos problemas que nós passamos. É bem verdade que eles, pela dedicação e oração, têm um caminho mais rápido para encontrar o criador. Mas não se livram das crises existenciais e sacerdotais.

Para enfrentar as crises, eles recorrem a ajuda de outros religiosos, ficam isolados para meditar. Na região de Bauru, na cidade de Arealva (41 quilômetros de Bauru), um padre está montando uma casa para acolher os religiosos em crise ou doentes. A Casa do Clero está pronta e em breve vai abrigar aqueles que precisem sair de ‘cena’ para refletir.

A iniciativa que já existe em outras duas cidades do Estado de São Paulo, Osasco e Barretos fez com o padre Luiz Eduardo Monteiro Fontana se tornasse um mestre de obras. Ele cuida da construção, mas não abre mão de promover eventos para arrecadar fundos.

Em Iacanga, Romildo Alceu da Silva é um padre capelão que depois de exercer a nobre função de ouvir confissões de policiais militares e de doentes, exerce a função de mestre de obras. Reformou a igreja e está na 2ª obra, refazendo o salão paroquial. Ele conta um pouco de sua trajetória religiosa que se confunde com a de policial.

No Seminário de Agudos há um padre que se dedica a poesia. Tem livros publicados e outros prontos para serem editados. Walter Hugo de Almeida começou a escrever quando criança. Usava o carvão para escrever seus versos nas paredes da casa dos pais e avós.

Para o religioso, a poesia já faz parte de sua rotina. Uma simples frase ou uma palavra gera poesia e não há um momento certo para escrever, por isso ele carrega um papel e uma caneta.