08 de julho de 2026
Regional

Capelão cuida do emocional de PMs

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

O  padre Romildo Alceu da Silva entrou muito cedo, com apenas 13 no seminário, em Jacarezinho-PR, onde teve seu primeiro contato com os policiais. “Eles ministravam aulas de Educação Física no seminário. Além disso, visitávamos sempre o quartel. Ordenei padre com 30 anos e não fui dispensado da reservista. No alistamento com 18 anos lá em Jacarezinho, eles falaram que não iam dar dispensa. E, se eu chegasse a ser padre  poderia ser capelão.”

Silva não teve a reservista como todo jovem tem. Foi ordenado padre na cidade de Pederneiras na década de 90. “Assumi a paróquia do Mary Dota e comecei a ser capelão. Trabalhava o emocional dos PMs de Bauru. Quando um deles sofria algum abalo eu me fazia presente e conversava com aquele policial.”

Ele lembra que quando um PM dispara um tiro e mata uma pessoa, ele fica psicologicamente abalado. “É aí que o capelão entra em cena para ajudá-lo a se equilibrar. Tentamos fazer com que a pessoa entenda que aquilo que ela fez não é certo, mas faz parte da vida para que aquilo não deixe sequelas. Os católicos confessam. Para que eles se sintam mais a vontade para falar, eu visto a farda.”

Silva frisa que inúmeras situações foram resolvidas com a ‘terapia’ religiosa. “Atendi um policial que trabalhava em São Paulo e que havia matado. Sua família, muito católica, não aceitava que ele matasse. Ele estava em fase de separação. Para ele era um drama. Ele coloca a situação de defesa que foi confirmada pelo tribunal. Trabalhei ele e depois a mulher e os filhos que aos poucos foram entendendo.”

Transferido para a Igreja Santa Terezinha, o capelão passou a vivenciar outra função. “Fui ser capelão no Hospital de Base. “No hospital eu visitava todos os quartos, dava unção dos enfermos que estavam prestes a morrer. Atendia confissões e passava na área das enfermeiras onde sempre frisava a importância da presença do capelão para aqueles que necessitavam da presença do religioso para morrer.”

Ele comenta que na hora de morrer, as pessoas querem confessar a vida que levaram. “Elas jogam para o padre o filme de suas  vidas. Eles pedem perdão por todos os pecados. É impressionante como as pessoas reagem na hora da morte. Certo dia fui atender um senhorzinho. Ele  narrou a história dele e eu dei a unção. Ele apertou a minha mão e morreu.”

O religioso acredita que o senhorzinho estava esperando confessar para morrer. “Muitos não morrem até confessarem. Eles entregam os problemas ao padre e vão em paz. Eles acreditam no sacramento da confissão. Tem a ação de Deus. Em muitos casos nem o próprio padre entende a reação.”

Outro caso que ficou cravado na memória do padre foi o caso de uma velhinha que estava na Unidade de Terapia Intensiva. “A família chamou para dar a unção. Ela estava muito ruim. Ela já não falava e os parentes achavam que ela ia morrer. Dei a unção e ela e ela abriu os olhos e

Nem o próprio padre entende algumas reações . teve outro caso, numa semana santa , a velhinha estava muito ruim, dei a unção para ela , não conseguia falar nada , a família chamou o padre porque ela ia morrer. Não comunica. Dei a unção e ela abriu os olhos e começou a melhorar. É o momento entre a vida e a morte. Deus usa a gente para salvar . É muito emocionante.”