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Quioshi Goto |
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Especialista da USC confirma que consumidor não percebe alterações |
Mais um caso de adulteração de leite veio à tona na última semana, após operação da Polícia Federal (PF) em cidades de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Na ocasião, especialistas constataram que havia indícios de adição de água (para aumentar o volume do leite produzido), e de produtos como soda cáustica, formol e água oxigenada, que garantem sobrevida ao produto.
A boa notícia é que em Bauru, por enquanto, não há registro de fraudes no leite comercializado na cidade, segundo confirmou a prefeitura por meio de assessoria de comunicação. O alerta, entretanto, fica por conta dos órgãos de fiscalização, já que a adulteração do leite é imperceptível ao consumidor.
“São várias as adulterações como molhagem (adição de água), neutralização da acidez por soda, colocação de água oxigenada para diminuir a carga microbiana, entre outros. Nenhuma destas alterações muda as características de sabor e odor do leite”, explica Eliane Simionato, farmacêutica e professora da área de alimento da Universidade Sagrado Coração (USC).
O objetivo do fabricante, segundo Simionato, é ampliar a sobrevida e produtividade do produto. “Muitas fraudes tem a função de mascarar problemas de conservação/microbiológicos como a neutralização da acidez. Outras substâncias são usadas para destruir os micro-organismos até ser possível pasteurizar este leite, além do acréscimo de água, para aumentar o volume do produto”.
Hoje existem no Brasil dois tipos de leite: pasteurizados - embalados em saquinho plástico e mantidos no refrigerador de supermercados - e o longa vida (de caixinha).
O farmacêutico e professor titular na área de alimentos da Unesp de Araraquara, Elizeu Antônio Rossi, explica que a diferença de um para o outro está no tempo de tratamento térmico que recebem no processo de produção.
Ainda de acordo com Rossi, leites pasteurizados estão com os dias contados no Brasil por conta de uma nova legislação que prevê a proibição da comercialização do produto. Isso se deve ao fato do processo de pasteurização não garantir total eliminação de bactérias.
Os leites pasteurizados se dividem em três tipos: A, B e C. A variação deles é em função do grau de contaminação. “O tipo ‘A’ é o menos contaminado, enquanto o ‘C’ concentra mais contaminação. A pasteurização não elimina 100% dos micro-organismos”, alerta Rossi, e acrescenta que o leite longa vida, por ser esterilizado, tem “contaminação zero”.
Soda cáustica?
Entre os casos de adulteração de leite está a adição de soda cáustica no produto. O professor na área de alimentos da Unesp de Araraquara, Elizeu Rossi garante que não é bem o que parece. “Quando se diz soda cáustica, na verdade, é no sentido de causar impacto. Porém, ninguém usaria aquela soda de escama no leite, que é vendida em supermercados. O que os fabricantes adicionam é hidróxido de sódio, uma solução de soda diluída”, explica.
De acordo com Rossi, o produtor utiliza-se deste feito para neutralizar a acidez do leite. “É porque o leite foi produzido em péssimas condições de higiene. A composição acaba formando sal no leite, mas, mesmo assim, não tem como o consumidor perceber”.
Efeitos
Embora tenham registros de pessoas que passaram mal ao ingerir leite adulterado, o farmacêutico Elizeu Rossi aponta que, nos casos de adição de água e hidróxido de soda ao produto, dependerá da dose utilizada. “A adição de água diminui o valor nutritivo do leite: menos proteína e gordura. A água oxigenada e a soda diluída, geralmente, são colocadas em quantidades pequenas.
Na hora em que o leite vai ser pasteurizado, a água oxigenada deixa de ser água oxigenada, devido à liberação de oxigênio. O consumidor, portanto, não estará tomando água oxigenada. O produtor só faz isso para garantir que o leite dele passe no processo seletivo ao entrar no laticínio”, explica Rossi.
Micro-organismos: o perigo fora da geladeira
Deixar o leite fora da geladeira e consumi-lo depois pode ser prejudicial, principalmente se for pasteurizado. Quem alerta é o farmacêutico e professor titular da área de alimentos da Unesp de Araraquara Elizeu Antônio Rossi.
“O leite pasteurizado já tem um grau de contaminação muito grande. Se deixá-lo fora da geladeira, esses micro-organismos se multiplicam. No caso do longa vida, a contaminação do ar pode atingi-lo e causar o mesmo efeito”.
Eliane Simionato, especialista da USC, alerta ainda quanto ao prazo de validade. “Os pasteurizados têm validade de uma semana e devem ser consumidos em, no máximo, dois a três dias após ser aberta a embalagem”.
Com prazo de validade de quatro meses, os esterilizados (leite longa vida) devem ser mantidos refrigerados e consumidos também em três dias. “Já o leite em pó é muito mais estável em função da redução do teor de água, mas, quando hidratado, deve ser consumido imediatamente”, acrescenta Simionato.
‘Sem falhar’
Considerado um dos alimentos mais importantes para os seres humanos, com alto índice de proteínas, além de ajudar na prevenção de doenças neurológicas, o leite de vaca se faz presente à mesa de muita gente. É o caso do estudante de fisioterapia Matheus Pimentel Negri, de 19 anos.
“Tomo leite todas as tardes, sem falhar. Gosto muito do alimento”, disse. Questionado sobre possíveis adulterações no produto, ele diz não se preocupar. “Para falar a verdade, nunca paro para pensar nisso. Simplesmente bebo o leite”, brinca.