A Polícia Civil de Lençóis Paulista (43 quilômetros de Bauru) prendeu na quarta-feira (27) por tráfico um jovem de 21 anos apontado como um dos maiores pichadores da cidade. H.S. era investigado desde o final de julho, quando a polícia apreendeu dois tijolos de maconha que pertenceriam a ele.
“Máfia”, como era conhecido, costumava exibir seus “trabalhos” nas redes sociais. Em uma das postagens, ele dizia que iria sair para “decorar” a cidade (leia box ao lado). De acordo com o delegado Luís Cláudio Massa, no dia 19 de julho, a Polícia Militar (PM) deteve um jovem às margens da linha férrea, no Conjunto Habitacional Maestro Júlio Ferrari, e apreendeu no terreno dois tijolos de maconha. Dois homens que estavam com ele conseguiram fugir.
As investigações revelaram que o detido seria apenas usuário de drogas e teria ido até o local para acompanhar amigo, que iria comprar maconha de H.S., o “Máfia”. “No momento em que o Máfia pegou a droga e cortou para entregar para o amigo dele, a polícia chegou”, conta o delegado.
Ele relata que, na fuga, H.S. e o comprador abandonaram celulares, que foram apreendidos. “Depois, nós localizamos no chip do Máfia dezenas de pichações pela cidade inteira”, diz. “Solicitamos, então, à Justiça a prisão preventiva dele e a soltura desse rapaz que foi autuado em flagrante”.
Na quarta-feira, policiais civis cumpriram mandado de busca na casa de H.S. e apreenderam aproximadamente 100 frascos de tinta em spray. Ele foi preso por conta do mandado de prisão preventiva por tráfico de drogas e ficará à disposição da Justiça.
Inquérito
Há uma semana, o JC divulgou matéria sobre o trabalho que a Polícia Civil vem fazendo para combater as pichações em Lençóis Paulista. De janeiro até agora, foram registradas mais de 40 ocorrências do tipo, muitas delas envolvendo adolescentes. Entre os principais alvos estão fachadas de empresas, imóveis públicos e particulares e até o cemitério.
Na ocasião, o delegado Renzo Santi Barbin explicou que, além de responder pela infração, que é considerada de menor potencial ofensivo, se ficar comprovado que pertence a um grupo ligado à pichação, o autor poderá ser enquadrado no crime de associação criminosa, que prevê uma pena de 1 a 3 anos de prisão em caso de condenação.
Ressarcimento
Segundo Barbin, todos os casos foram reunidos em um só inquérito, o que permitiu identificar pontos em comum entre eles. “A maioria deles (pichadores) escreve iniciais ou termos como ‘máfia’ e ‘paz’”, revelou. Ele orienta as vítimas a ingressarem com ação de ressarcimento de danos na esfera civil para cobrir os prejuízos das pichações.
‘Não dá nada’
No Facebook, segundo a Polícia Civil, “Máfia” costumava exibir as fotos de suas pichações e se gabar dos desafios que enfrentava para deixar a sua marca nas paredes e muros.
Após pichar o segundo andar de um sobrado, ele escreveu: “Missão complicada hj, mas não dá nada”. Em uma outra postagem, ele diz: “Hj eu vou sair pra decorar minha city”.